14/04/2006

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JORNAL DO BRASIL

- Governo inclui até aventura espacial

- Com o Orçamento do ano dormindo no Congresso, onde o atraso na votação chega a quatro meses, o governo federal editou duas medidas provisórias para liberar R$ 25,7 bilhões em créditos extraordinários. A verba vai cobrir gastos emergenciais, entre os quais o pagamento das despesas de US$ 10 milhões do astronauta brasileiro Marcos Pontes na Estação Espacial Internacional.

A maior parcela se destina ao custeio da máquina governamental e a investimentos das empresas estatais. A oposição promete impedir a aprovação das duas MPs. (pág. 1 e A3)

- Itamar Franco se sente estimulado à disputa eleitoral, ainda que mantenha a cautela. Não parece disposto a responder aos ataques de Anthony Garotinho. (pág. 1 e Mauro Santayana, pág. A2)

- O acordo com o Japão, para adotar o padrão tecnológico daquele país na televisão digital brasileira, começa a produzir conseqüências. Tanto a japonesa Toshiba quanto concorrentes europeus se dispõem a presentear o Brasil com uma fábrica de chips. (pág. 1 e A17)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Sem Orçamento, governo libera R$ 26 bi por MP

Diante do impasse que impede a aprovação do Orçamento deste ano, o governo Lula recorreu a duas medidas provisórias para liberar mais R$ 26,2 bilhões em verbas que terão as mais diversas finalidades, indo desde o investimento das estatais à compra de aviões para a Força Aérea. Uma das MPs foi publicada em edição extra do "Diário Oficial" da União que circulou ontem e destina R$ 1,8 bilhão para diversos ministérios. Na segunda-feira, outra MP deve liberar mais R$ 24,4 bilhões, dos quais R$ 20,5 bilhões se referem a investimentos de empresas estatais, principalmente do grupo Petrobras. Incluindo essas duas anunciadas ontem, o governo federal já editou, neste ano, nove medidas provisórias para liberar R$ 28,042 bilhões em recursos que estão previstos no Orçamento de 2006. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu editar a MP que libera R$ 24 bilhões do Orçamento de 2006 porque "os investimentos das estatais estão travados e isso ameaça o desempenho da economia". As empresas do grupo Petrobras respondem por R$ 15,923 bilhões do total liberado pela MP (pág. 1).

- Governo federal , de um lado, oposição e governadores de Estado, do outro, trocam farpas, mas todos têm sua parcela de responsabilidade no retumbante fracasso que é a não-aprovação do Orçamento de 2006, transcorrido quase um terço do ano. A votação da lei orçamentária, que deveria ter ocorrido ainda em 2005, se arrasta a ponto de ter batido o recorde de atraso no período posterior à Carta de 1988 -excetuando-se 1994, um ano extraordinário por conta do Plano Real. Está seriamente ameaçado um acordo costurado nesta semana que tentava colocar o assunto em votação no Congresso. Nove governadores acertaram com o Executivo federal um aumento do repasse da União aos Estados a título de compensação por alegadas perdas com a Lei Kandir (pág. 1).

- A Polícia Federal poderá indiciar o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci por mais duas acusações no inquérito que investiga a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, segundo uma fonte da polícia. O delegado Rodrigo Carneiro Gomes estuda agora acusar o ex-ministro de denunciação caluniosa e prevaricação. Isso porque o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) acionou a Polícia Federal para apurar suposta "movimentação incompatível com patrimônio, renda ou ocupação" do caseiro e pediu que a PF abrisse inquérito. Ele deve entregar à Justiça Federal o primeiro relatório parcial até a próxima quarta-feira. O delegado pedirá prazo de 30 dias para concluir o caso. Na próxima semana, deve tomar o depoimento do ex-assessor de Palocci, o jornalista Marcelo Netto. Palocci já foi indiciado por outras duas acusações: quebra de sigilo bancário e violação de sigilo funcional. O ex-ministro nega ter ordenado a quebra. Prevaricação, de acordo com o Código Penal, é quando o funcionário público retarda ou deixa de praticar seus deveres para "satisfazer algum interesse ou sentimento pessoal". Nesse caso, a pena prevista é detenção de três meses a um ano e multa (pág. 1).

VALDO CRUZ: Até aqui, ninguém prevê turbulências na economia como as da campanha eleitoral de 2002, quando o dólar disparou, a inflação subiu, os juros foram elevados, forçando o primeiro ano do governo Lula ser de austeridade total. Hoje, a inflação está cadente, o dólar desvalorizado, as contas externas ajustadas como nunca e até os juros estão numa curva descendente.Mas surgem alguns sinais de que o mercado pode não viver essa calmaria toda durante o período eleitoral. Calmaria que era dada como certa até o mês passado. Só que Antonio Palocci caiu, Anthony Garotinho subiu e Geraldo Alckmin ainda não deslanchou. O primeiro, ao sair pelos fundos por conta do "caseiro-gate", lançou uma nuvem de desconfiança quanto ao que pode ser um segundo mandato de Lula na economia (pág. 1).

- Foi libertado na madrugada de ontem o sexto seqüestrado ligado a envolvidos no furto milionário ao Banco Central, em Fortaleza, ocorrido em agosto do ano passado. Antônio Jussiê Alves dos Santos, irmão de Antônio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão, tido como um dos líderes da quadrilha de assaltantes, foi torturado e solto após 12 dias em cativeiro. Ele e sua advogada negaram que tenha havido o pagamento de um resgate, mas a Polícia Civil tem informações de que foram pagos pelo menos R$ 70 mil (pág. 1).

- O presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro, disse ontem que Jaime de Castro Júnior, ex-gerente de marketing do banco, tratava diretamente da publicidade da estatal com Roger Ferreira, ex-assessor de comunicação do governo de São Paulo. Esta versão é diferente da divulgada por Ferreira e também colide com a apresentada por Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo e candidato à Presidência. Em nota divulgada anteontem, Ferreira disse que a Nossa Caixa "não tem nenhuma subordinação formal ou informal, no que se refere à comunicação, a nenhuma instância ou pessoa exterior à empresa". Por sua vez, Alckmin disse, quando a Folha revelou que a Nossa Caixa beneficiava com propaganda seus aliados na Assembléia Legislativa, que "o governo do Estado não interfere em banco público" e que "o critério de distribuição da mídia do governo é eminentemente técnico". Monteiro contradiz a versão de Ferreira e Alckmin ao apresentar o decreto de número 43.834, de 1999. O decreto mostra que todo o plano de comunicação do banco deve ser submetido à Assessoria Especial de Comunicação do Estado, que era gerida por Ferreira (pág. 1).

- O governo brasileiro anunciou ontem acordos com o governo japonês e a empresa Toshiba detalhando contrapartidas caso o país adote o sistema japonês de televisão digital. A Toshiba mostrou interesse em instalar uma fábrica de semicondutores no Brasil. Ainda não foi feito um anúncio oficial sobre a escolha, mas o acordo assinado com o Japão reforça a tendência do governo brasileiro de escolher esse padrão. Na edição do dia 8 de março, a Folha havia divulgado que o governo já escolhera o padrão japonês de TV digital, mas, desde então, o lobby do padrão europeu intensificou as suas ações. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, e seu colega japonês, Taro Aso, assinaram ontem memorando de entendimento para uma futura adoção do padrão japonês pelo Brasil (pág. 1).

- CLÓVIS ROSSI: A história da falência da Varig tem certo ponto de contato com a história do Brasil. Enquanto havia "céu de brigadeiro" (com perdão pelo lugar-comum óbvio), a Varig conseguiu crescer a ponto de se tornar uma bela empresa. O Brasil, mesmo com céus mais turbulentos, também teve longa fase de crescimento. Mas uma e outro tinham, como continuam tendo, lacunas graves. No caso do Brasil, uma desigualdade obscena, uma massa de pobres, nível educacional lamentável etc. No caso da Varig, incapacidade para enfrentar o mundo quando ele se tornou cruel. Aí, a história do Brasil e a da Varig se encontraram, para azar da Varig. Não deram certo nem gestão privada nem apoio estatal (de diferentes maneiras) nem se deixou dar a solução sempre cruel de mercado (quebrar) nem mesmo se conseguiu vender a empresa. Ou, posto de outra forma e simplificando um pouco as coisas, não se pode acusar, pelo fracasso da Varig, nem o estatismo de que tanto se queixam os liberais nem o mercado, o ogro eterno do pouco que restou de esquerda (pág. 1).

- A "Síntese de Indicadores Sociais - 2005", recém-divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma uma boa notícia: as mortes violentas estão diminuindo no Brasil. A conclusão desafia a percepção comum, mas está escorada nos números obtidos na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) de 2004.De acordo com o instituto, a mortalidade masculina por causas externas na faixa de 20 a 24 anos -a mais sujeita a homicídios e acidentes-, que cresceu significativamente ao longo das últimas duas décadas, registrou queda em 2004. Em 1980, morriam por causas externas 121 de cada 100 mil jovens. A taxa foi ascendente até 2003, quando se verificaram 184 óbitos para cada 100 mil. Em 2004, o índice recuou para 171, o que representa queda de 7%. Os indicadores nacionais consolidam uma tendência que já vinha sendo detectada em diversas regiões do país, notadamente em grandes centros urbanos como a Grande São Paulo. Entre as várias razões que parecem ter contribuído para a queda, vale destacar, ainda que muito genericamente, a ligeira redução de acidentes automobilísticos, algum investimento em segurança pública (embora ainda muito distante do desejável), a ampliação dos programas de geração de renda e os esforços pelo desarmamento da população (pág. 1).

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Governo libera R$ 26 bi por MP e oposição reage

- O presidente Lula, por meio de medida provisória a ser publicada na segunda-feira, decidiu liberar mais R$ 24,4 bilhões de verbas no Orçamento da União deste ano. Essa foi a saída que o Palácio do Planalto encontrou para superar a ação dos oposicionistas que, apoiados por governadores, se recusam a aprovar o Orçamento no Congresso Nacional.

Ontem, passou a vigorar outra MP, que liberou R$ 1,775 bilhões das dotações orçamentárias. Com as duas medidas provisórias. O governo autoriza gastos de R$ 26,2 bilhões. A liberação "jumbo" de R$ 24,4 bilhões foi decidida por Lula após o Congresso deixar de votar o Orçamento, sem cumprir o acordo que tinha com o governo. A justificativa para as MPs é que o bloqueio do orçamento emperra o funcionamento da máquina pública. A oposição reagiu, alegando que uma MP só pode desbloquear investimentos em casos como guerra, comoção ou calamidade pública. (pág. 1 e A4)

- Lula - Presidente - "Agora chega" (frase do presidente ao decidir assinar a MP liberando verbas após a recusa do Congresso em votar o Orçamento da União) (pág. 1)

- Os gastos federais já aumentaram de maneira preocupante nos primeiros meses de 2006, mesmo sem um orçamento aprovado. A cada dia a preocupação se torna mais justificada. (pág. 1 e A3)

- O presidente da BR Distribuidora, Rodolfo Landim, descartou a possibilidade de concessão de crédito de 90 dias à Varig, como pede a empresa. "Tivemos várias reuniões com representantes da Varig, mas eles não nos apresentaram nenhuma garantia para o crédito. Dar crédito à Varig seria uma decisão temerária", declarou.

Para Landim, os três meses de fornecimento de combustível equivaleriam a R$ 240 milhões. Trabalhadores da Varig assinaram protocolo, ontem, concordando com o corte de pessoal e redução salarial de 30% - o quadro da empresa deverá cair de 9,8 mil funcionários para 6.9 mil. (pág. 1, B1 e B3)

- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinou ontem em Tóquio com o chanceler japonês, Taro Aso, memorando para instalação no Brasil do sistema de TV digital baseado no padrão japonês ISDB. O documento não garante, porém, a instalação de uma fábrica de semicondutores no Brasil, uma das principais exigências nas negociações. Para a União Européia, essa não é a melhor escolha para os interesses do Brasil. (pág. 1 e B4)

- Policiais militares mataram na noite de anteontem o faxineiro Rogério Santos Dias, de 33 anos. Com ficha criminal limpa, pai de um garoto de 10 anos, ele foi baleado perto da casa da sogra, na zona leste de São Paulo. PMs tentaram incriminá-lo: disseram que ele estava num carro perseguido e atirou. Apresentaram até a arma que teria usado. Ontem, a Corregedoria da PM admitiu: Dias era inocente. (pág. 1 e C1)

O GLOBO

- Governo afrouxa controle sobre gastos e aumento de impostos

- O governo encaminhou ontem ao Congresso o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2007 com controle mais frouxo sobre gastos e impostos. Foi retirado o limite de 17% do PIB para os gastos correntes e de 16% para a carga tributária, que já é uma das mais altas do mundo.

As metas tinham sido fixadas na LDO de 2006 pela equipe econômica. Desta vez, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) tentou manter os tetos, mas Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) foram contra, convencendo o presidente Lula. Paulo Bernardo argumentou que os limites são um sinal de que o governo está empenhado em controlar seus gastos e reduzir o peso dos imposto, mas Mantega e Dilma alegaram que eles não estavam mesmo sendo cumpridos. No projeto, para o ano que vem, foi prevista apenas uma meta de redução das despesas correntes em 0,1% do PIB. (pág. 1 e 3)

- Lula: 'Oposição está nervosa' - Em clima de campanha, o presidente Lula disse que a oposição está nervosa com o crescimento da economia e que enfrentará seus adversários: "Vocês vão ver o que vai acontecer." (pág. 1 e 8)

- "Nós somos a diferença, e isso os deixa inconformados (...) É, se Deus quiser, vocês vão ver o que vai acontecer no final do ano." (Lula) (pág. 1)

- O governo anunciou a edição de duas medidas provisórias no valor de R$ 26,2 bilhões para executar despesas previstas no Orçamento de 2006. As medidas provocaram revolta na oposição, mas o governo alega que não pode ficar com os investimentos parados. "Assim não precisa mais de Congresso", afirmou o líder do PFL, na Câmara, Rodrigo Maia. (pág. 1 e 3)

- O plano de emergência coordenado pela Agência Nacional de Aviação (Anac) prevê a utilização das aeronaves e tripulação da Varig, caso a empresa pare de voar. Com isso, será possível evitar que os clientes da Varig que já tenham bilhetes comprados deixem de ser atendidos. No plano, as demais companhias aéreas assumiriam provisoriamente as rotas hoje operadas pela empresa. (pág. 1 e 21)

- O Brasil e o Japão assinaram ontem um memorando de entendimento para a adoção do sistema japonês na implantação da TV digital brasileira. "Se não houver nenhum desastre, a tendência é o presidente Lula aprovar", disse o ministro Celso Amorim. (pág. 1 e 23)

- A Justiça autorizou ontem a prefeitura de Angra dos Reis a combater focos de mosquito da dengue em todas as casas do município, mesmo as fechadas. Segundo a Secretaria de Saúde, há uma epidemia da doença na Costa Verde. (pág. 1 e 14)

- O Conselho Municipal de Política Urbana debateu os critérios de revogação de licenças de construção. Hoje, elas só valem após erguida a primeira laje. Uma proposta é a adoção do direito de protocolo. (pág. 1 e 16)

CORREIO BRAZILIENSE

- Tragédia a caminho de Caldas Novas

- Pelo menos duas pessoas morrem e 25 ficam feridas em acidente a 35 km de Luziânia. Ônibus levava 41 brasilienses para carnaval fora de época em cidade goiana quando tombou na Rodovia GO-010. (pág. 1 e 22)

- Lula, sem dinheiro, desafia a oposição - Governo promete destinar R$ 500 milhões aos estados, desde que o Orçamento seja aprovado na terça-feira. Sem acordo à vista, o presidente avisa que editará medida provisória liberando R$ 24 bilhões para obras. A oposição ameaça recorrer ao TSE. (pág. 1, 2 e 3)

- A direção nacional do PFL, vai nomear dois relatores para decidirem sobre a dissolução do diretório do partido no DF. A crise na legenda se agravou com a decisão do senador Paulo Octávio de convocar reunião para aprovar sua candidatura a governador. (pág. 1 e 5)

- Laboratórios abusam e aumentam preço de remédios em até 158%. (pág. 1 e 15)

MANCHETES

A TARDE

- Lula socorre estatais com nova medida provisória

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Polícia apreende arsenal em favela de Boa Viagem