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02/01/2007
JORNAL DO BRASIL - Lula e Cabral declaram guerra contra o crime - Afinados, o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral anunciaram que vão dar um basta aos ataques de traficantes que deixaram o carioca sob o domínio do medo. Lula qualificou os atos de terrorismo, Cabral, no mesmo tom, disse: "Esses facínoras terão respostas". O presidente e o governador já acertaram a vinda da Força de Segurança Nacional ainda este mês e a criação de uma legislação para punir com maior rigor atos extremos de violência. (págs. 1, A2 e A7) - Os atrasos de vôos podem piorar. As vendas de jatos e helicópteros particulares dobraram em 2006 e vão sobrecarregar ainda mais os órgãos reguladores. (pág. 1 e Economia, pág. A27) - Bala perdida - Um morto e 4 feridos na noite do Ano Novo no Rio. (págs. 1, Cidades, A12) - Uma alteração do código genético do gado pode impedir os animais de desenvolverem o mal da vaca louca, doença fatal que, só no ano passado, fez 200 vítimas. (pág. 1 e Saúde, Ciência & Vida, pág. A20) FOLHA DE SÃO PAULO - Lula promete acelerar o crescimento - Ao ser empossado ontem para o seu segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 61, anunciou a substituição do verbo "mudar", tônica de seu discurso em 2003, por outras três conjugações: "Acelerar, crescer e incluir". O petista, 39º presidente da República, reeleito com 60,83% dos votos válidos (58.295.042 de votos), afirmou que não foi escolhido para "ouvir a velha ladainha conformista". Em discurso de 37 minutos no Congresso, Lula anunciou que adotará nos próximos quatro anos o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Evitou comprometer-se com a meta de crescimento de 5% do PIB e não antecipou detalhes do pacote que anunciará ao final do mês para destravar a economia. Lula disse que sua vitória demonstra que "o povo optou um lado". Defendeu o Bolsa Família, afirmando que "nunca foi política compensatória, e sim criadora de direitos". Em comparação a 2003, a posse foi esvaziada. No primeiro mandato, 150 mil assistiram ao evento. Ontem, a estimativa foi de 10 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Ao falar à população, Lula classificou de "terrorismo" a onda de violência no Rio de Janeiro e pediu a "mão forte do Estado" para combatê-lo. (pág. 1) - Após conversar rapidamente com o presidente Lula, o novo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), anunciou ontem que espera o envio da Força Nacional de Segurança para o Estado imediatamente para combater a onda de violência que resultou em 19 mortos na semana passada -que Lula chamou de "terrorismo" em seu discurso de posse. (pág. 1) - Serra (PSDB) critica estagnação econômica e pede volta da ética na política. (pág. 1) - Aécio (PSDB) que melhor divisão de recursos e autonomia administrativa para Estados. (pág. 1) - Roberto Requião (PMDB) elogia Chávez e promete "governo de esquerda". (pág. 1) - Jaques Wagner (PT) ataca PFL e diz que Nordeste não é "fardo" para o Brasil. (pág. 1) - Yeda (PSDB) prevê um "início difícil" por causa da crise financeira do Estado. (pág. 1) - A agropecuária brasileira é vítima da própria eficiência. O setor paga caro pelo excesso de dólares que traz ao país. Nos últimos dez anos -de 1997 a 2006-, a receita líquida da balança comercial do agronegócio soma US$ 239 bilhões. Se por um lado o agronegócio salva as contas nacionais, por outro derruba a cotação do dólar, um dos fatores de perda de renda para os produtores. (pág. 1) O ESTADO DE SÃO PAULO - Lula promete acelerar crescimento - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu contem seu segundo mandato com um discurso ao Congresso em que prometeu "destravar o Brasil" para o crescimento econômico. Também prometeu maior distribuição de renda: "Os efeitos das mudanças têm que ser sentidos rápida e amplamente". Ele batizou de Programa de Aceleração do Crescimento as medidas econômicas que pretende anunciar este mês. Garantiu que não abrirá mão, "em hipótese alguma", de responsabilidade fiscal e se comprometeu com a redução dos juros. Em nenhum momento, porém, Lula detalhou como conciliará todas essas metas. Também anunciou que pretende unificar a legislação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) - item que impediu a reforma tributária em seu primeiro mandato e também no governo Fernando Henrique Cardoso. Garantiu ainda que não haverá apagão elétrico nos próximos dez anos. (págs. 1, A4 a A9) - Frases - Lula - "O Brasil não pode continuar como uma fera presa numa rede de aço invisível, debatendo-se, exaurindo-se, sem enxergar a teia que o aprisiona" - "Nosso governo nunca foi e nem é populista. Este governo foi, é e será popular" - O Brasil ainda precisa avançar em padrões éticos" (pág. 1) - Falando no Palácio do Planalto, o presidente Lula prometeu usar "mão forte" contra o "terrorismo" ao se referir aos ataques criminosos que mataram 19 pessoas no Rio, na semana passada. "Essa barbaridade não pode ser tratada como crime comum. Isso é terrorismo e precisa ser combatido com a política forte e com a mão forte do Estado brasileiro". O presidente, pela primeira vez, mostrou muita indignação contra as ações do crime organizado. O presidente disse, ainda, que pretende discutir com o governador do Rio, Sérgio Cabral, e com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, uma forma enérgica de enfrentar o problema da segurança no País. No Rio, Sérgio Cabral pediu que Lula antecipe a presença da Força nacional de Segurança em seu Estado. (págs. 1 e C1) - Dora Kramer - Soou desproporcional a reação de Lula aos ataques no Rio. No caso do PCC em São Paulo, governado pela oposição, ele foi mais ameno com o crime. (págs 1 e A6) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou ontem que os números preliminares mostram que a economia do setor público (governo federal, estados e municípios) foi maior que os 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) estabelecidos como meta para o ano passado. Até novembro, o superávit somava R$ 96,6 bilhões, ou seja 5,09% do PIB. O resultado oficial sai hoje. (págs. 1 e B1) - A política do cofre aberto - Inicia-se o segundo mandato do presidente com tudo preparado para uma gastança maior. As despesas crescerão, mas sem a mínima garantia de um desempenho econômico melhor. (págs. 1 e A3) - Em um discurso repleto de recados e críticas ao presidente Lula, o novo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assumiu ontem e afirma que o País passa por uma crise de valores, moral e política. "Ser ético significa evitar o loteamento de cargos, que traz a ineficiência e estimula a corrupção", disse na cerimônia de posse, na Assembléia Legislativa. Mais tarde, na transmissão do cargo, acusou de "fragilidade" a política econômica do governo federal e a rotulou como "hostil à produção e aos investimentos". Serra disse que quer ter "as melhores relações institucionais possíveis" com o governo federal. Mas completou: "Como é evidente, à oposição cabe se opor". (págs. 1, A12 e A13) - Frase - José Serra - Governador, "Não fizemos loteamento político no primeiro escalão" (pág. 1) - Minas Gerais - Aécio Neves (PSDB) tomou posse cobrando a desconcentração dos recursos nas mãos da União. (págs. 1 e A15) - Rio Grande do Sul - Yeda Crusius (PSDB) assumiu o governo reiterando a intenção de eliminar o déficit fiscal de R$ 2,3 bi. (págs. 1 e A15) - Ceará - Primeiro ato de Cid Gomes (PSB) foi suspender todos os contratos, que somam R$ 1,3 bilhão. (págs. 1 e A14) - Bahia - Jaques Wagner (PT) usou o discurso de posse para fustigar ACM: "A Bahia é livre, a Bahia não tem dono." (págs. 1 e a14) - Educação - MEC escolherá 18 candidatos. O salário de US$ 1.100, com emprego por 1 ano. (págs. 1 e A19) O GLOBO - Lula diz que Rio vive terrorismo e Cabral pede ajuda de força federal - Ao tomar posse para o segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu ontem formalmente, pela primeira vez, o compromisso de combater a violência no Rio de Janeiro, que chamou de "terrorismo". "Essa barbaridade que aconteceu no Rio de Janeiro não pode ser tratada como crime comum. Isso é terrorismo e tem que ser combatido com uma política forte e com a mão forte do Estado brasileiro", disse Lula. O discurso, feito no parlatório do Palácio do Planalto, marca uma nova posição dos governos federal e estadual em relação à criminalidade: o governador do Rio, Sérgio Cabral, também abandonou a postura do casal Garotinho e após ser empossado afirmou que vai pedir a ajuda da Força Nacional de Segurança, que conta com até 7 mil homens, para enfrentar o tráfico. Cabral classificou de facínoras os bandidos responsáveis pela onde de terror e pediu um minuto de silêncio para as 19 vítimas. A festa popular na posse de Lula em Brasília foi fria, com a presença de cerca de 10 mil pessoas. Ao discursar no Congresso, Lula prometeu crescimento vigoroso, dizendo que os verbos "acelerar, crescer e incluir vão reger o Brasil nos próximos quatro anos". (págs 1, 3, 12 e 18) - O conjunto de medidas para destravar a economia agora foi rebatizado de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e será divulgado entre os dias 15 e 22 deste mês, afirmou ontem o ministro Guido Mantega. Depois de o presidente Lula ter dito que aposta num crescimento da economia de 5% em 2007, Mantega agora diz que uma taxa acima de 4% "é possível". Mais uma vez, o ano de 2006 fechou com superávit fiscal acima da meta de 4,25% do PIB. (págs. 1 e 25) - Diante da situação de descontrole herdada do governo Rosinha Garotinho, o primeiro ato do novo governador Sérgio Cabral foi decretar estado de emergência na área da saúde. Com isso, o novo secretário de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, poderá comprar, sem licitação, remédios, insumos e suprimentos, além de contratar profissionais temporariamente. Para enfrentar a superlotação dos hospitais, Côrtes terá uma central de regulação de leitos e quer os postos de saúde 24 horas por dia. No primeiro dia de trabalho, Cabral assinou ontem 15 decretos, 13 dos quais com o objetivo de reduzir despesas. O Corpo de Bombeiros vai coordenar todo o atendimento pré-hospitalar de emergência do estado. (págs. 1 e 18 a 21) - O tucano José Serra tomou posse com um duro discurso de crítica ao baixo crescimento econômico do governo Lula e "às ambições modestas", também intelectuais, para romper isso. "A política da pasmaceira tem consagrado a mais perversa tendência: a semi-estagnação." Serra atacou ainda o fisiologismo e o compadrio e disse que o Brasil vive um período de crise de calores. Em Minas, Aécio Neves pediu crescimento econômico e eficiência administrativa. (págs 1, 15 e 16) - Ancelmo Góis - O vermelho predominou nas gravatas de quem tomou posse ontem, em Brasília e nos estados. (págs 1, 20 e 21) - Merval Pereira - O discurso de posse do presidente Lula foi uma grata surpresa: renova o mandato e as esperanças. (págs. 1 e 4) - Tereza Cruvinel - A posse de Lula foi o início de um novo mandato de um governo que ainda não mostrou sua cara. (págs. 1 e 2) - Os discursos de posse de Lula, Sérgio Cabral, Serra, Aécio e Jaques Wagner. (págs 1, 12, 15 a 17 e 19) - País chega à marca dos 100 milhões de telefones celulares (págs. 1 e 27). GAZETA MERCANTIL Crescer e investir são desafios de Lula II - O discurso de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recheado de promessas para destravar a economia. Lula, no Congresso, anunciou a criação do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, insistiu na necessidade de diminuir os juros e disse que, em breve, levará para discussão no Congresso política tributária única para os estados com a criação do Imposto de Valor Agregado (IVA). O secretário-adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que o plano de investimentos prometidos para janeiro e o aumento dos recursos para o Projeto Piloto de Investimentos (PPI) devem fazer a economia crescer 4,5% em 2007. Disposto a não abrir mão da responsabilidade fiscal, Lula insistiu na necessidade de combinar investimentos público e privado e na expansão do crédito. "Nossa meta é criar condições para que, até 2010, chegue a 50% do PIB, especialmente para o investimento, infra-estrutura, agricultura, habitação e consumo." (págs. 1, A-6, A-7 e A-8). - Serra já pensa no Planalto. (pág. 1 e A-8) - Aécio prioriza agenda nacional. (pág. 1 e A-8) - Cabral pede ajuda contra crime. (pág. 1 e A-5) - O novo ministro da Agricultura receberá como missão implantar uma política agrícola reformulada. As novas diretrizes, nas mãos do atual titular da pasta, terão de ser praticadas pelo sucessor. O governo prevê deixar de socorrer os agricultores e passar a investir em problemas estruturais do setor. "Vamos propor ações que garantam renda ao campo", diz o secretário de Política Agrícola, Edílson Guimarães. Segundo ele, as principais medidas são o incentivo ao uso dos títulos agrícolas e aos mecanismos de proteção de preço, com a desoneração destes papéis. Outra ação é aumentar o subsídio ao seguro rural - para este ano serão R$ 100 milhões ante os R$ 37 milhões em 2006. O documento propõe também investir em infra-estrutura. A intenção é minimizar os programas de apoio à comercialização e dar mais atenção aos problemas que elevam os custos de produção. (pág. 1 e B-12) - Depois de quatro anos consecutivos de queda frente ao real, o dólar deve entrar em um período de estabilidade em 2007. O fluxo de moeda para o País - devido aos juros ainda altos e às exportações - continuará pressionando a cotação para baixo. A diferença é que, com os preços já muito baixos (fechou 2006 em queda de 8,66%), a tendência é que o dólar tenha menos força para cair. (pág. 1 e B-1) - Mesmo com o retorno do réveillon menos tumultuado - relatório parcial da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicou que até o início da tarde de ontem dez vôos atrasaram mais de uma hora e 21 foram cancelados -, os problemas nos aeroportos tendem a continuar atormentando os passageiros. Além do salto de crescimento de aviação comercial, as vendas de jatos executivos e helicópteros particulares dobraram em 2006, segundo estimativa de empresas do setor. A Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) alerta que as encomendas de aeronaves realizadas nos últimos dois anos, período de recuperação, serão entregues de 2007 a 2008, sobrecarregando ainda mais a estrutura dos órgãos reguladores. A expectativa do setor é que as vendas da aviação executiva cheguem a US$ 600 milhões em 2006. Dólar mais barato e internacionalização das empresas brasileiras explicam em parte a explosão das vendas. (pág. 1 e A-5) - O governo vai se empenhar, neste in´cio de ano, para aprovar dois projetos de lei que mudam o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC). O objetivo é tornar o sistema mais seletivo na análise de fusões e aquisições e mais rigoroso no combate aos cartéis. (pág. 1 e A-9) - Everaldo Maciel - É hora de aprovar a lei complementar para reordenar todo o processo orçamentário. (pág. 1 e A-3) - Maior movimento da indústria para repor estoques e o aumento das encomendas do comércio puxaram o desempenho do setor de transporte de cargas, que viveu um mês atípico em dezembro, com crescimento de 15% a 20% nos negócios. A expectativa é que a demanda se mantenha aquecida em 2007. (pág. 1 e C-2) - Depois de dois anos de estagnação, as reservas brasileiras de petróleo e gás cresceram 15% em 2006. Nas últimas semanas do ano, a ANP recebeu dezenas de declarações de comercialidade de áreas de exploração - somente a Petrobrás informou que vai desenvolver 19 novos campos no país. (pág. 1 e C-2) - A Ideal Invest aposta no crédito educativo em 2007. A empresas, especializada em soluções financeiras para o setor, está ampliando o único programa de crédito educativo privada do País, com o objetivo de atingir um grupo de estudantes diferentes do beneficiado pelo Fies, do governo, embora os dois modelos sejam semelhantes. (pág. 1) CORREIO BRAZILIENSE - Governo para os pobres - A quebra do protocolo parece ter sido feita sob encomenda para encerrar a cerimônia de posse. Depois de agradecer aos pobres e prometer governar para eles, Lula e a primeira-dama, dona Marisa Letícia, desceram do Parlatório, no Palácio do Planalto, e cumprimentaram militantes e simpatizantes, que, apesar da chuva, foram à Esplanada dos Ministérios. Nos dois discursos que fez, Lula atacou as elites e prometeu crescimento com distribuição de renda. No momento mais contundente de seu pronunciamento à população, o presidente classificou como terrorismo os ataques do Rio e prometeu "mão forte" do Estado na questão da segurança pública. (pág. 1 e Tema do Dia, págs.2 A 12) - Luiz Inácio da Silva - "Posso olhar nos olhos de cada um dos brasileiros e brasileiras e dizer que mantive, mantenho e manterei meu compromisso de cuidar, primeiro, dos que mais precisam (...). Nosso governo nunca foi, nem é populista, este governo foi, é e será popular." (pág. 1) - Foram três discursos, que duraram ao todo 45 minutos. Na Câmara Legislativa, o governador José Roberto Arruda assinou o livro de posse e cobrou compromisso ético dos parlamentares. No Palácio do Buriti, já empossado, recebeu a faixa de Maria de Lurdes Abadia, e defendeu a educação como principal objetivo de seu mandato. Por último, apesar de a chuva ter frustrado a festa popular, o governador subiu ao palco montado na Praça do Buriti, empossou secretários e dirigiu-se a um público de 5 mil pessoas formado por eleitores e colaboradores de campanha: "Estou prestando contas com a minha história", disse. (pág. 1 e Tema do Dia, págs. 16 A 19) - José Roberto Arruda - "A política pública mais eficaz é a que coloca a educação em primeiro lugar. Por isso, no nosso governo a educação de qualidade será o centro das atenções." (pág. 1) VALOR ECONÔMICO - Foco de Lula é distribuição da renda - O presidente Lula que tomou posse ontem para o segundo mandato é bem diferente daquele que assumiu em janeiro de 2003. O primeiro iniciou o governo em meio a grave crise econômica que o tornou refém de uma política econômica herdada de seu antecessor e com a qual nunca havia concordado. O novo Lula não é refém de ninguém, não tem ministros intocáveis e já decidiu que a prioridade de seu segundo mandato será a distribuição de renda e não propriamente a aceleração do crescimento da economia. Por causa dessa opção, o presidente parou de falar em crescimento de 5% ao ano, meta que ele não mencionou ontem em nenhum de seus discursos. Apenas anunciou que vai lançar um pacote de medidas que denominou de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em contrapartida, assumiu o compromisso de tornar a política social "estrutural" e "peça chave do desenvolvimento". No parlatório do Palácio do Planalto, em discurso aos populares - um público estimado em 10 mil pessoas, ante as 150 mil de 2003 - Lula foi além: "Não se enganem, mesmo sendo presidente de todos, eu cuidarei primeiro dos mais necessitados". O presidente prometeu expandir o crédito para 50% do PIB até 2010 e aumentar dez vezes o investimento nas áreas carentes de educação, destinando 60% desses recursos à melhoria de salários e formação de professores - as únicas metas quantitativas de seu discurso no Congresso. Em breve menção à corrupção, disse que o país "precisa avançar" em padrões éticos. (págs. 1 e A2 a A8) - Só depois do dia 15, quando volta de férias, o presidente Lula anunciará seu Programa de Aceleração do crescimento (PAC), inspirado no plano de metas de JK, e a constituição da nova equipe de ministros par ao segundo mandato. - Na área econômica, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, deve ser o próximo a pedir demissão, seguindo o exemplo de Carlos Kawall, até então secretário do Tesouro Nacional. Ontem, no discurso de posse no Congresso, Lula sublinhou os verbos que vão marcar seu governo: "Acelerar, crescer e incluir vão reger o Brasil nesses próximos quatro anos". - Embora Lula tenha garantido que governará com responsabilidade fiscal, uma questão ainda não está clara. O PAC deverá incorporar projetos pilotos de investimentos (PPIs) drigidos à infra-estrutura, podendo chegar a até 0,5% do PIB a partir deste ano. A intenção do governo é abater os gastos com os PPIs do superávit primário, cuja meta é de 4,25% do PIB. A intensidade do programa fiscal a partir de agora, portanto, é uma questão que divide a equipe econômica. Há os que advogam que, a despeito dos investimentos em infra-estrutura, o governo se mantenha firme na meta de 4,25% e há os que alegam que já é possível reduzir esse esforço. Kawall e Appy eram vistos, desde a demissão de Palocci, como os fiadores da responsabilidade fiscal. (págs. 1 e A5) - Novos governos estaduais anunciaram ontem medidas para reduzir gastos e redimensionar dívidas. O ex-secretário do Tesouro, Joaquim Levy, iniciou um "choque de gestão" no Rio com 11 decretos para a contenção de despesas com celulares e viagens, a proposta de corte de 30% dos cargos comissionados e uma auditoria na folha de pagamento, que é a maior despesa do estado, de R$ 14 bilhões anuais. A Comissão de Programação Orçamentária e Financeira, criada agora, vai analisar todas as ações que tenham impacto fiscal e estabelecer uma política orçamentária. O primeiro ato do novo governador do Ceará, Cid Ferreira Gomes (PSB), foi suspender até o dia 30 de janeiro todos os contratos, convênios e licitações do Estado para fazer uma auditoria nas contas estaduais. José Serra (PSDB) assumiu o comando do Estado de São Paulo delineando uma plataforma para a oposição ao governo federal. Ao receber o cargo, criticou a política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serra disse que não existe espaço no presente para o "poderoso Estado Nacional Desenvolvimentista do passado", mas que isto não significa que ele deva ser substituído pelo "Estado da pasmaceira". Para ele, o baixo crescimento da economia decorre da "fragilidade da política macroeconômica, hostil à produção e aos investimentos". (págs. 1, A9 a A14) - Precisão no controle da aftosa - A pedido do Ministério da Agricultura e do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa, as indústrias veterinárias desenvolvem versão purificada da vacina contra aftosa, para evitar falsos resultados positivos em testes. (págs. 1 e B7) - Dívida agrícolas - Na sexta-feira, os ruralistas consegui rolar R$ 500 milhões dívidas renegociadas de 2005/06. O vencimento, adiado em quatro meses, beneficiou cem mil produtores. (págs. 1 e B8) OUTROS JORNAIS JORNAL DO COMMERCIO (PE) - Eduardo propõe diálogo - Ao tomar posse o governador Eduardo Campos pediu união da sociedade pelo desenvolvimento. Seu mote é "paz, amor e trabalho". (pág. 1) - Lula promete acelerar, crescer e incluir. (pág. 1) - No discurso de posse do segundo mandato, presidente diz que vai desatar nós do País e lançar pacote para a economia, mas evita falar na meta de 5%. (págs. 1, 3 a 14) - Novo governador do Rio vai pedir envio de forças federais. (págs. 1 e 19) cia? - Vinte e quatro horas depois dos 16 ataques de traficantes, que causaram a morte de 18 pessoas, a polícia do Rio, em vez de reforçar a presença ostensiva em toda a cidade, sumiu das ruas. Os postos fixos foram abandonados, para que os PMs não se tornassem alvos fáceis dos criminosos, mas também não se via mais policiais circulando de carro pela cidade. O comando da PM afirma que o policiamento foi reforçado. Admite, no entanto, que este trabalho é mais visível à noite. (pág. 1 e Cidade, págs. A9 a A13) - A Anac proibiu o cancelamento de vôos pelas empresas aéreas e o ministro da Defesa, Waldir Pires, prometeu punições rigorosas às infratoras. Mesmo assim, ontem, 24 horas depois, 30 vôos foram cancelados - dez dos quais no Rio. (pág. 1 e País, pág. A3) - Mais da metade dos R$ 385 milhões destinados à segurança no Pan segue à espera de liberação. O atraso no repasse da verba federal põe em risco a vigilância dos locais de competição e de pontos estratégicos como a Auto-Estrada Lagoa-Barra e a Linha Vermelha. (pág. 1 e Esportes, pág. A25) - A governadora Rosinha Matheus anunciou ontem que deixará em caixa, para Sérgio Cabral, dinheiro suficiente para pagar os salários dos funcionários públicos em janeiro. Ela afirmou que entrega o Estado com as contas saneadas. (pág. 1 e País, pág. A4)

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