22/01/2008

Jornal do Brasil
Folha de São Paulo
O Estado de São Paulo
O Globo
Correio Braziliense
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JORNAL DO BRASIL

- Crise derruba bolsas

- O temor de uma crise econômica nos EUA derrubou as bolsas de valores do mundo, na maior queda registrada desde o ataque terrorista a Nova York, dia 11 de setembro de 2001. No Brasil, a Bovespa caiu 6,6%. A repercussão no mercado americano será conhecida hoje - ontem foi feriado nos EUA. Lula ironizou as medidas do presidente George Bush. Disse que nem os americanos ficaram satisfeitos. (págs. 1 e Economia, A17 e A18)

- Pouco antes da posse de Edison Lobão, ontem, como minsitro de Minas e Energia, seu partido, o PMDB, comemorou numa churrascaria de Brasília o acordo em torno das indicações para os principais cargos nas estatais da pasta. A lista foi entregue Ao presidente Lula. Os padrinhos mais fortes ficaram sendo o senador José Sarney (MA) e os deputados Jader Barbalho (PA) e Eduardo Cunha (RJ). (págs. 1 e A2)

- A Petrobras deu uma ajudinha no dia da posse do novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que tem a imagem chamuscada por denúncias contra seu filho. Forneceu dados para Lobão afirmar que "tem proporções gigantes e é relevante para o país" a jazida de gás no poço de Júpiter - abaixo da camada de sal no campo de Tupi, revelado em 2007, na Bacia de santos, A entrada em produção só é prevista para a próxima década. O JB havia revelado o início da perfuração do campo de Júpiter, e sua provável magnitude, em dezembro. (págs. 1 e Economia, A19)

- A Balança comercial apresentou saldo de apenas US$ 1 milhão na terceira semana de janeiro. Trata-se do menos índice desde 2003. No ano, o superávit comercial está em US$ 395 milhões, uma queda de 84,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo deve-se ao aumento das importações. (págs. 1 e A18).

- Até parece que o prefeito César Maia está em campanha pela adesão de todos os bairros ao boicote do IPTU. A reportagem do JB observou, numa ronda de duas horas pela cidade, pelo menos seis pontos, em Botafogo, Ipanema, Leblon, Estácio, Laranjeiras e Ilha do Governador, onde verdadeiras crateras no asfalto, decorrentes da falta de manutenção por parte da prefeitura impõem riscos à população. (págs. 1 e Cidade, A10 e A11)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Bolsas da Europa têm pior dia desde 11/9; Bovespa cai 6,6%

- Os mercados globais viveram ontem um dia de pânico. As principais Bolsas da Ásia, da Europa e das Américas desabaram por conta do pessimismo de que uma recessão nos Estados Unidos contamine todas as economias do planeta, preocupação que até o ano passado era atenuada pelo forte crescimento da China e de demais países emergentes.

Com o mercado americano fechado devido ao feriado de Martin Luther King, os investidores perderam ainda mais a referência dos negócios. Na dúvida, preferiram vender ontem ações, commodities, títulos e moedas de maior risco a apostar em uma melhora que pode não se confirmar nos próximos dias. Desde a sexta-feira, os mercados recuam por conta da decepção com o pacote de corte nos impostos nos EUA. A visão é que terá pouca força para evitar uma recessão no país.

Na Ásia, a Bolsa de Xangai caiu 5,14%, enquanto a de Hong Kong recuou 5,49%. Em Tóquio, a baixa foi de 3,86%, a maior em dois anos. Na Europa, as perdas foram as maiores em um único dia desde os atentados de 11 de Setembro: 7,16% em Frankfurt, 6,83% em Paris e 5,48% em Londres. Nas Américas, a Bovespa recuou 6,6% e voltou a 53.709 pontos, também uma das piores baixas desde o 11 de Setembro. No México, a baixa foi de 5,35%, e, em Buenos Aires, de 6,27%. Para hoje, é forte a expectativa em torno da abertura das Bolsas americanas. Se abrirem em forte baixa, podem alimentar uma nova rodada de venda de papéis nos mercados. (Página 1)

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil está "tranqüilo" em relação à crise, mas que poderá, "se for necessário, tomar as medidas que a situação exigir". Para ele, as turbulências foram provocadas por "frustração" em relação às medidas anunciadas na semana passada pelo presidente George W. Bush. "Nós vamos ficar tranqüilos, acompanhar, e vamos, se for necessário, tomar as medidas que a situação exigir. Mas posso dizer para vocês que há tranqüilidade, tanto do meu ministro da Fazenda quanto do presidente do Banco Central, estamos apenas acompanhando. O Brasil nunca teve a solidez que tem hoje", disse Lula antes de dar posse a Edison Lobão no Ministério de Minas e Energia. (Página 1)

- Vinicius Torres Freire - Bolsas caem sem motivo "essencial", devido a feriado nos EUA e à rebarba de notícias de sexta-feira em Wall Street. (Página 1)

- Especialistas recomendam calma a quem investe em ações. (Página 1)

- O ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou ontem a retirada da proibição de conexões e escalas em Congonhas a partir de 16 de março, quase seis meses depois de declarar que o aeroporto paulista jamais voltaria a ser um centro de distribuição de vôos ("hub"). "Congonhas não é e não voltará a ser, em hipótese alguma, ponto de distribuição", disse o ministro em 18 de agosto. Ontem, Jobim disse ainda que Congonhas voltará a atender fretamentos e charters em horários determinados do fim de semana, mas manterá o limite de 30 pousos e decolagens por hora (aviação comercial). (Página 1)

- O novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), 71, afirmou ontem, ao tomar posse, que não será tutelado pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). "Dizem que ela [Dilma] está tutelando o ministro. Ninguém tutela o ministro, a não ser o presidente da República", afirmou Lobão. "A ministra-chefe da Casa Civil coordena o governo e vai nos ajudar muito, mas nada de subordinação", afirmou. Pouco antes, na cerimônia de 18 minutos no Palácio do Planalto para oficializar a indicação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou que o país está livre do risco de um apagão e minimizou a falta de experiência técnica do novo subordinado dizendo que a chegada de Lobão ao cargo vai "desmontar uma série de preconceitos". (Página 1)

- A Petrobras anunciou ontem uma nova descoberta com "grande potencial" de produção de gás. Desta vez, o reservatório foi encontrado na bacia de Santos, ao lado do campo gigante de Tupi. O campo está situado a só 37 km do de Tupi, maior descoberta de óleo do país, com reservas estimadas de 5 bilhões a 8 bilhões de metros cúbicos. Segundo a Petrobras, o tamanho do reservatório do novo campo é similar ao de Tupi. "É um megacampo de gás que vai nos ajudar a, dentro de pouco tempo, ter uma independência absoluta no setor", disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. (Página 1)

- O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiu ontem uma fazenda de 129 hectares (mais de 180 campos de futebol) que era de propriedade do traficante colombiano Juan Carlos Abadía. Ela está localizada em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre, e foi leiloada à tarde. Cerca de 600 integrantes do movimento chegaram ao local às 5h para pressionar o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a entrar no leilão da Justiça Federal, comprar as terras e destiná-las ao MST. Com a prisão de Abadía, em agosto último, a área estava sob responsabilidade do Ministério da Justiça. A propriedade acabou arrematada por R$ 850 mil, metade do valor estimado pela Justiça Federal.(página 1)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Medo da recessão nos EUA se espalha e bolsas desabam

- A avaliação de que eventual recessão dos Estados Unidos será capaz de afetar toda a economia mundial produziu ontem pânico nos mercados financeiros, derrubando bolsas de valores na Ásia, na Europa e na América Latina. Nos EUA, o mercado não operou por causa do feriado de Martin Luther King. A Bolsa de Tóquio teve queda de 3,9%. A de Londres recuou 5,48%. A de Frankfurt perdeu 7,16%, na maior baixa desde os atentados ao Word Trade Center em setembro de 2001. A Bovespa também não resistiu e caiu 6,6%, acumulando perdas de 15,93% só nos primeiros dias de 2008. Os investidores não estão mais seguros de que, em termos globais, a crise americana será compensada pelo vigor de países emergentes, como China, Índia e Brasil. "A situação é séria", disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. "Todos os países estão sofrendo com a desaceleração dos EUA." (págs. 1 e B1 a B8)

- No pior dia desde 11 de setembro de 2001, houve queda nas principais bolsas da Ásia, da Europa e da América do Sul.

- ... Para o presidente Lula, quem não participou do "cassino norte-americano para ganhar dinheiro fácil" não deveria pagar a conta. Lula disse que estar de "olhos muito abertos" para o problema, mas acrescentou que os EUA precisam assumir a responsabilidade de terem o maior PIB e evitar que a crise se alastre. (págs. 1 e B7)

- O governo recuou ontem em decisões apresentadas como cruciais para evitar o caos aéreo e garantir a segurança dos passageiros. A partir do próximo dia 16 de março, escalas e conexões voltam a ser permitidas no Aeroporto de Congonhas. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, admitiu que as medidas não tiveram o efeito desejado porque os passageiros conseguiram contornar as restrições. Será mantido o limite de 34 pousos ou decolagens por hora. A terceira pista de Cumbica não será mais construída. (págs. 1, C1 e C3)

- Ronaldo Jenkins (Sindicato das empresas aéreas): "O governo percebeu que o remédio era forte demais."

- Nelson Jobim (Ministro da Defesa): "A segurança continua intocável."

- Depois de ser acusado de não entender do setor elétrico, o novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), assumiu ontem e disse que não será tutelado pela chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Ninguém tutela o ministro, a não ser o presidente da República", afirmou. Mas admitiu que vai ouvir Dilma, porque ela tem "muito conhecimento" da área. Dilma foi contra a nomeação de Lobão. (págs. 1 e A6)

- Atendendo a um pedido do Ministério Público, a Justiça Federal de Santa Catarina suspendeu o sistema de cotas raciais e sociais da Universidade Federal de Santa Catarina. Para o juiz que tomou a decisão, Gustavo Dias de Barcellos, o estabelecimento de critérios étnicos ou socioeconômicos para ingresso no ensino público superior deve depender de uma lei específica. (págs. 1 e A4)

- Cientistas brasileiros vão testar substância que parece capaz de impedir a contaminação pelo vírus da aids. Obtida a partir de algas marinhas, ela poderá servir de base para a produção de gel que seria usado pela mulher antes da relação sexual. (págs. 1 e A13)

- Rubens Barbosa: Há limites ao grau de ambição para a integração regional. (págs. 1 e A2)

O GLOBO

- Mercado financeiro treme

- Em pleno feriado americano de Martin Luther King, as bolsas de valores de todo o mundo estremeceram, ontem, num sinal de insatisfação com o plano de US$ 145 bilhões do presidente George W. Bush, anunciado na sexta-feira, para evitar a recessão nos EUA. Na Europa, as bolsas tiveram o pior desempenho desde o 11 de Setembro: Frankfurt caiu 7,16% e Londres, 5,48%. Na Ásia, Hong Kong teve queda de 5,5% e Xangai, de 5,14%. Na Índia, a baixa foi de 7,4%. No Brasil, houve queda de 6,6%, a maior desde fevereiro de 2007. A Bolsa de Valores de São Paulo perdeu R$ 62 bilhões de valor de mercado. O dólar subiu 2,52%, fechando a R$ 1,836. Por causa da crise americana, o mercado brasileiro já acredita que o Banco Central poderá reduzir novamente os juros somente em 2009. (págs. 1, 15 e 17, Miriam Leitão e editorial "Outro alerta")

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a América Latina e a África não podem pagar a conta da crise nos EUA. "Não é possível que pessoas que não têm casa nos EUA paguem pela irresponsabilidade de alguns." (págs. 1 e 17)

- O presidente Lula disse que o novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), montará um ministério que será "motivo de orgulho" e que não há risco de apagão. Lula disse não ter ficado chateado com a indicação de Lobão, diante das denúncias contra Edison Lobão Filho - suplente do pai no Senado. José Sarney não foi à posse. (págs. 1, 3 e 4 e editorial "Tarefa urgente")

- O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que está descartada a construção da 3ª pista no Aeroporto de Guarulhos, obra prevista no Programa de Aceleração do Crescimento. O governo recuou e autorizou a retomada dos vôos com conexões em Congonhas. (págs. 1 e 5)

- A Petrobras anunciou que descobriu uma grande jazida de gás natural em águas ultraprofundas, a mais de 5 mil metros, na Bacia de Santos. O poço pioneiro, chamado Júpiter, fica a quase 300km da costa, ao lado da área de Tupi, na chamada camada do pré-sal. (págs. 1 e 22)

- O prefeito Cesar Maia voltou ontem a ironizar o movimento de boicote ao pagamento do IPTU, comparando o número de participantes (300) da manifestação realizada no Leblon, no domingo, ao de outros eventos ocorridos no mesmo dia, como o jogo do Flamengo com o Boavista, no Maracanã (23.799 torcedores), e os ensaios no Sambódromo (80 mil foliões). Líderes comunitários já se organizam para fazer panfletagens e passeatas em outros pontos da cidade. O plano será discutido hoje, mas a idéia é visitar um bairro diferente a cada um ou dois dias, antes e depois do carnaval. (págs. 1, 9 e Cartas dos Leitores)

- Um novo ramal entre São Cristóvão e a Central permitirá que passageiros da Linha Dois do Metrô viajem da Pavuna a Botafogo, sem mudar de trem no Estácio. A obra fica pronta em 2010. (págs. 1 e 11)

GAZETA MERCANTIL

- Contágio da crise americana provoca derrocada das bolsas

- Rumores de perdas bilionárias de bancos da Europa e da China evidenciaram o contágio da crise dos Estados Unidos no mundo, levando as bolsas de valores internacionais ao pior dia desde os atentados de setembro de 2001. Mesmo sem a referência dos mercados de Wall Street, fechados por um feriado, os investidores não tiveram dúvidas: a ordem foi vender ações. A Bovespa caiu 6,6%, maior queda desde fevereiro de 2007. No ano a queda é de 15,9%. As empresas perderam R$ 345 bilhões em valor de mercado desde em 2008, segundo a Economatica. O estopim das vendas foi aceso com a divulgação de que instituições como Bank of China, WestLB e Société Générale devem divulgar perdas bilionárias com investimentos nos EUA. "O mito (de que a crise não atingiria os emergentes) foi derrubado", afirmou Alexandre Mathias, diretor de renda fixa do Unibanco Asset Management. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a instituição está pronta para agir preventivamente se for necessário. O executivo para América Latina no World Economic Forum, Emilio Lozoya, afirmou que o Brasil é um dos países que menos sofrerão o impacto da crise. Em Paris, o diretor-gerente do FMI, Dominique Straus-Kahn, qualificou de séria a desaceleração que se avizinha nos EUA. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendeu uma reforma das instituições do pós-II Guerra Mundial. (págs. 1, B1, B3 e A10)

- Em tempos de escassez de gás natural, a Petrobras anunciou ontem a descoberta de uma jazida em mais um poço marítimo abaixo da camada de sal da bacia de Santos, que pode apresentar o mesmo potencial do promissor campo de Tupi, também descoberto no ano passado na mesma região. A produção só deverá ocorrer na próxima década e constitui, de acordo com executivos do setor, mais um indício do potencial produtivo da província petrolífera descoberta no mar, entre os estados de Santa Catarina e do Espírito Santo. A jazida foi achada no poço batizado de Júpiter, que está localizado no bloco BMS-24 que a Petrobras opera, com 80% de participação, em parceria com a portuguesa Galp Energia (20%). A perfuração de Júpiter, iniciada no fim de dezembro, foi antecipada pela Gazeta Mercantil. A Petrobras interrompeu as perfurações no campo de Tupi (BMS-21) para transferir a sonda para os poços de Júpiter e Bem-te-vi (BMS-8), na bacia de Santos. (págs. 1 e A6)

- O governo mudou de idéia e Congonhas (SP) voltará a ser o principal centro de distribuição de vôos (hub) do País. O aeroporto perdeu esse status após o acidente da TAM, em julho passado. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) percebeu que quem estava de passagem por Congonhas tinha de buscar suas bagagens e fazer outro embarque, aumentando as filas. (págs. 1 e A7)

- Jobim não agiu, nada fez, mas vai ficar - Augusto Nunes | São Paulo - No final de julho passado, ao assumir o Ministério da Defesa, o paisano Nelson Jobim vestiu sobre o terno uma farda imaginária e caprichou no papel de Marechal dos Ares. "Acha ou saia, faça ou vá embora", trovejou no meio do discurso de posse. Os voluntários da pátria alistados na guerra ao apagão entenderam o recado: nas tropas de Jobim só haveria lugar para quem gosta de chumbo grosso, não perde o sono com tiroteios e prefere a morte à retirada. A luta seria feroz, avisou o comandante, sobretudo nas frentes de batalha em São Paulo.

Seis meses depois, o Exterminador do Apagão capitulou. Vencido pelo cerco das empresas aéreas, Jobim devolveu Congonhas ao império do descalabro. "Estamos flexibilizando as operações sem mexer nos níveis de capacidade do aeroporto", declamou. "A segurança continua intocável." Até o próximo desastre, crocitaram os urubus que, assustados com tragédias sucessivas, hoje voam à distância das pistas assassinas. Além de devolver a Congonhas os vôos com conexões e escalas, Jobim confiscou de Cumbica o direito de sonhar com a ampliação. "Vamos otimizar a capacidade do aeroporto, com a reconfiguração do pátio das aeronaves e do terminal", fantasiou o homem que, embora sem coragem para agir, sem disposição para fazer, nem pensa em ir embora.Ser ministro é muito bom. (página 1)

- O novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, avisou durante sua posse ontem, em Brasília, que vai trocar o presidente da Eletrobrás, Valter Cardeal, por um nome indicado pelo PMDB. A cerimônia de posse se transformou em um ato de desagravo do PMDB a Lobão, constantemente acusado de não ter competência técnica para exercer o cargo. (págs. 1 e A8)

- Entrou em vigor ontem uma liminar que limita em 8 horas a jornada de trabalho dos caminhoneiros. Pesquisa do Ministério Público do Trabalho mostrou que 15% dos motoristas usam entorpecentes para se manterem acordados. "Se houver de fato fiscalização e isso gerar multas, haverá aumento de custos para as empresas e do frete", diz Hélio Mathias, diretor da Ouro Verde Transportes. (págs. 1 e C4)

- A duas semanas do início da colheita de grãos no País, produtores agrícolas se deparam com estradas ruins e algumas até interditadas. Em Goiás, por exemplo, uma cratera com cerca de dez metros de profundidade na GO-050 isolou propriedades da região de Jataí, no sudoeste goiano, responsável por 15% da produção de grãos do estado. Por enquanto, os mais prejudicados foram os produtores de leite de Serranópolis, que, desde dezembro, acumulam perda de 45 mil litros do produto, que não chegaram a tempo nos laticínios de Jataí e foram descartados. "Agora será a vez dos produtores de grãos, que começam a colher suas safras dentro de 15 dias", afirma o presidente do Sindicato Rural de Jataí, Mozar Carvalho de Assis. Outras estradas de Goiás (GO-174 e as BR 452 e 483) são citadas no levantamento de 2007 da Confederação Nacional de Transporte entre as dez piores do País. Rodovias no Maranhão, Bahia, Mato Grosso do Sul e Tocantins também integram a lista. (págs. 1 e C3)

- O Brasil se tornou um dos pólos estratégicos para o crescimento da mineradora anglo-sul-africana Anglo American. A meta da companhia é ampliar sua produção mundial de minério de ferro dos atuais 30 milhões de toneladas por ano para 150 milhões de toneladas até 2017. Parte da expansão virá das operações no Brasil, onde a empresa pretende investir US$ 16 bilhões no período, disse a presidente da mineradora, Cynthia Carrol. De acordo com a executiva, a expectativa é alcançar uma produção de 26,5 milhões de toneladas aqui em 2010. Como ponto de partida de tal estratégia, a empresa deverá concluir nos próximos 60 dias a aquisição de parte dos ativos da MMX Mineração e Metálicos, que faz parte do grupo EBX, do empresário brasileiro Eike Batista, uma operação que deverá custar US$ 5,5 bilhão à Anglo American. (págs. 1 e A7)

- Há sinais de divergências no governo quanto à política industrial. Ontem, o presidente Lula disse que possivelmente haja desoneração. Dias atrás o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou o contrário. (págs. 1 e A6)

- O Tribunal Superior do Trabalho condenou a Coamo Agroindustrial Cooperativa a pagar R$ 20 mil a um ex-funcionário que, após entrar com processo contra a empresa, teve seu nome incluído em uma lista negra. (págs. 1 e A9)

- O número de fusões e aquisições no País subiu 91% em 2007, de 236 para 451, segundo levantamento da Thomson Financial. O volume somou US$ 46 bilhões. (págs. 1 e B2)

- Na virada do ano, a produção de orgânicos enfim foi regulamentada no Brasil e os negócios com esses produtos devem disparar, seguindo a tendência mundial. (págs. 1 e C3)

- Democratas e PSDB disputam uma queda-de-braço para conseguirem emplacar candidatos próprios à prefeitura paulistana. O PT assiste para decidir o que fazer. (págs. 1 e A8)

- Balança comercial - Superávit semanal é o pior desde 2002. (págs. 1 e A4)

CORREIO BRAZILIENSE

- Crise se alastra e apavora mercados

- Bolsas desabam nos principais centros financeiros e sofrem as maiores perdas desde os atentados às torres gêmeas em 2001. A frustração com o plano anti-recessão lançado por Bush para estancar a crise imobiliária nos EUA provocou uma onda global de nervosismo, especialmente no mercado chinês. No Brasil, a Bovespa registrou uma queda impressionante de 6,6%. O dólar subiu 2,52% e está cotado a R$ 1,83.

- Edison Lobão assumiu ontem o Ministério de Minas e Energia e agora luta para nomear aliados no lugar de petistas. Lula volta a negar risco de racionamento. (págs. 1, 2 e 3)

- Jobim recua e libera conexão em Congonhas - Seis meses após restringir vôos no aeroporto paulista, governo volta atrás e nega que medida provocará atrasos. Segunda pista em Cumbica é descartada. (págs. 1 e 10)

- Bebidas são proibidas nas estradas - medida vale a partir do dia 1º, sexta de carnaval. Se a norma for respeitada, estabelecimentos às margens das rodovias poderão ser fechados. (págs. 1 e 11)

- Com medo que ladrões se disfarcem de homens do Exército ou da Vigilância Ambiental, muitos moradores da Asa Sul e do Lago Norte impedem a entrada de equipes que combateriam o Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue e da febre amarela. Ontem, um homem morreu em Araguari (MG) com suspeita da doença. Para quem vai viajar no Carnaval, hoje é o último dia para se imunizar, pois a vacina só faz efeito após dez dias. (págs. 1, 21 e 22)

VALOR ECONÔMICO

- Forte correção de preços leva pânico aos mercados

- Em um dia de pânico, em que várias bolsas ao redor do mundo registraram quedas tão fortes como em setembro de 2001, os mercados fizeram uma forte correção de preços, assumindo que uma recessão nos Estados Unidos se afigura agora como o cenário mais provável. As bolsas americanas não funcionaram ontem, mas houve negócios com os índices futuros americanos, que acompanharam o movimento de queda livre que se observava em todo o mundo.

Os mercados europeus foram duramente castigados, deixando de lado o habitual comedimento. A Bolsa de Londres tombou 5,5%, a de Paris, 6,8% e a de Frankfurt, 7,2%. O Índice Bovespa fechou em queda de 6,6%, quase igual aos 6,63% de 27 de fevereiro do ano passado.

Os mercados derreteram ontem mundo afora por causa da consolidação de algumas impressões. Entre elas a de que nem o governo Bush, nem o Federal Reserve conseguirão evitar a recessão econômica nos EUA e a de que acabou o mito, inventando pelos bancos de investimentos, do "decoupling", segundo o qual o mundo não seria afetado por uma recessão nos EUA. Além disso, cresce a percepção de que a economia chinesa, antes inexpugnável, já dá os primeiros sinais de contágio e de que parece estar brotando um novo buraco negro de problemas financeiros nos EUA, agora nas seguradoras de performance.

Foram os investidores estrangeiros os grandes responsáveis pela forte retração dos preços na Bovespa recentemente. Há aplicadores internacionais de curto prazo reduzindo suas exposições a mercados emergentes para compensar o crescimento do risco dos EUA, explica Raymond Mui, vice-presidente sênior e gestor global de portfólio da Acadian Asset Management, que acompanha 6 mil companhias no mercado global e administra US$ 85 bilhões.

Se hoje a tensão dos mercados se dissipar e os preços das commodities se acomodarem, haverá alívio para os mercados emergentes, diz Julio Callegari, economista do JPMorgan no Brasil. "Ontem, mesmo com a tensão, algumas commodities agrícolas subiram e isso é positivo para o Brasil", afirma. Para Callegari, o mercado se convenceu de que a retração americana terá impacto forte na Europa e no Japão, causando grandes quedas nas bolsas. (págs. 1, C1, C2, D1, D2 e A9)

- O governo estuda a possibilidade de estender a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) às operações de câmbio nas importações de mercadorias. Para isso, teria de ser publicada uma Medida Provisória ou enviado um projeto de lei ao Congresso, informou ontem o secretário-adjunto da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto. Para ele, a decisão de cobrar IOF de 0,38% sobre operações de câmbio nas exportações, como parte do pacote para substituir a CPMF, não aumentou a carga tributária das empresas. Como essas operações pagavam CPMF, teria havido apenas substituição de tributos. (págs. 1 e A2)

- Seis meses após o pior acidente da aviação brasileira, o governo voltou atrás em boa parte das medidas para reduzir a utilização do aeroporto de Congonhas e ampliar a infra-estrutura aeroportuária no Estado de São Paulo. A idéia de uma terceira pista em Guarulhos foi definitivamente engavetada e os estudos para a construção de um novo aeroporto só serão concluídos em 2009. A estratégia agora é otimizar o uso de Guarulhos. Obras mais modestas deverão aumentar de 45 para 54 o número de pousos e decolagens por hora.

As medidas para impedir o uso de Congonhas como centro de distribuição de vôos também serão atenuadas a partir de 16 de março, quase começa o período de baixa temporada. Voltam as escalas e as conexões, e a proibição para vôos superiores a 1,5 mil quilômetros será substituída por um limite de peso para as aeronaves. (págs. 1 e A3)

- Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Rondônia, Alagoas e Amapá estão ameaçados de ficar sem verbas federais - à exceção do rateio constitucional de impostos - se até 30 de junho não colocarem os servidores dos três Poderes estaduais sob um regime único de previdência. O Estado que não unificar seus critérios de aposentadoria e pensões não terá acesso ao Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), fornecido pelo Ministério da Previdência.

Sem o CRP é impossível receber transferências voluntárias da União. A maioria dos governadores já enviou mensagem estabelecendo a unificação às respectivas Assembléias. Alagoas e Rio Grande do Sul são os Estados onde a exigência tem mais dificuldade de ser atendida. A União também pretende tornar homogêneos os critérios de benefícios dos servidores de seus Poderes. A maior resistência está entre representantes do Judiciário. Uma ação de inconstitucionalidade contra a gestão única já tramita no Supremo Tribunal Federal. (págs. 1 e A12)

- PT fica com a Eletrosul e PMDB assume Eletrobrás e Eletronorte. (págs. 1 e A7)

- Programas de eficiência energética poupam 3,7 gigawatts por ano (págs. 1 e Empresa & Comunidade)

- Previsões do mercado para a inflação de 2008 aproximam-se do centro da meta e analistas admitem a volta dos viés de alta para a taxa de juros. A estimativa para o IPCA subiu de 4,29% para 4,37% e, para a Selic, de 11,13% para 11,25% no fim do ano. (págs. 1, A6 e C2)

- Estudo da consultoria IDC mostra que o Brasil receberia investimentos de US$ 2,9 bilhões, com a criação de 26,9 mil empregos, caso tivesse sucesso em reduzir em dez pontos percentuais a pirataria no setor de software, que hoje abocanha 60% do mercado. (págs. 1 e B3)

- A receita com as exportações de suco de laranja atingiram o recorde de US$ 2,3 bilhões no ano passado, com alta de 53% sobre o resultado de 2006. Em volumes, os embarques somaram 1,391 milhões de toneladas, com aumento de 6,8%. (págs. 1 e B13)

- A ETH Bionergia, braço de agroenergia do grupo Odebrecht, negocia a compra da usina Eldorado, de Rio Brilhante (MS), e a Clean Energy Brazil comprou 33% da holding Unialco, com negócios no mesmo Estado. (págs. 1 e B14)

- Com US$ 400 bilhões - e US$ 4 bilhões investidos em ações no Brasil - , o Norway's Government Pension Fund, segundo maior fundo soberano do mundo, avalia oportunidades com a queda da Bovespa. (págs. 1 e C4)

- Em meio à turbulência do mercado financeiro, termina hoje o prazo de reservas na oferta secundária de ações da Copasa. No ano, os papéis caíram 23,52%. (págs. 1 e D2)

- Mesmo com a queda da bolsa no ano, que já acumula perda de 15,93%, os fundos de ações seguem com captação líquida R$ 934 milhão até o dia 17, com destaque para carteiras de Vale e Petrobras. (págs. 1 e D2)

- Delfim Netto: pelo menos metade do aumento da carga tributária se deve a equívocos passados de política econômica. (págs. 1 e A2)

Elena Landau: preço realista é solução de grande prazo para energia. (págs. 1 e A10)

ESTADO DE MINAS

- PMDB exige mais cargos

- A posse do senador Edison Lobão (PMDBMA), ontem, no Ministério das Minas e Energia não satisfez o PMDB, que quer agora avançar sobre as estatais do setor elétrico, disputando os cargos com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que tem grande influência sobre a área. O presidente do partido, deputado federal Michel Temer (SP), negou divergências entre Lobão e Dilma, mas, apesar do tom conciliador, afirmou que o novo ministro terá de abrir as portas para as nomeações. Peemedebistas ressaltaram que Lobão é da cota do senador José Sarney (AP) e que o partido como um todo não se sente representado apenas com ele. O recado é que outras alas da legenda pretendem apadrinhar diretores nas estatais do setor elétrico e na Petrobras. Edison Lobão confirmou que vai substituir o presidente da Eletrobrás, Valter Cardeal, por um nome a ser indicado pelo PMDB. Afirmou que tem carta branca para fazer alterações em sua equipe, mas que mudará somente onde for necessário. E acrescentou que aceitará indicações de outros partidos da base aliada para o preenchimento dos cargos. Além da disputa com Dilma, o PMDB deve acirrar a briga com o PT para compor os quadros das estatais. (págs. 1 e 4)

- Ainda numa reação de desaprovação do pacote anunciado por George W. Bush, para tentar barrar a recessão nos EUA, onde foi feriado ontem, as bolsas despencaram em todo o mundo. Na Europa, houve quedas superiores a 7%, e a Bovespa fechou em baixa de 6,6%. Foi o pior desempenho dos mercados desde os atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York. (págs. 1 e 18)

- A primeira morte por suspeita de febre amarela em Minas Gerais foi registrada ontem, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O trabalhador rural Leandro Gonçalves, de 24 anos, que estava internado com sintomas da doença, morreu no fim da manhã. Ele morava na cidade vizinha de Araguari e trabalhou numa fazenda em Caldas Novas, no interior de Goiás, por onde passaram todos oito mortos por febre amarela já confirmadas este ano. Quem for viajar para áreas de risco no carnaval, tem de se vacinar até hoje, já que são necessários 10 dias para a imunização. (págs. 1, 25 e 26)

- Congonhas retoma vôos com escalas. (págs. 1 e 7)

- Porto Alegre - MST invade propriedade tomada de traficante. (págs. 1 e 17)

OUTROS JORNAIS

JORNAL DO COMMERCIO

- Lula proíbe venda de bebidas nas BRs

- O presidente assinou, ontem, MP que suspende a comercialização de bebidas alcóolicas nas rodovias a partir de 1º de fevereiro. Quem desobedecer pagará multa de R$ 1,5 mil. Em caso de reincidência, o valor dobra e o estabelecimento será fechado por dois anos. (pág. 1)

- Medo de crise nos EUA derruba bolsas. (pág. 1)

- Polícia segue os passos do Barão do Pó. (pág. 1)

- PAC positivo. (pág. 1)

- Acidentes aéreos. (pág. 1)

- Feijão mais caro. (pág. 1)

ATENÇÃO

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