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31/01/2008
JORNAL DO BRASIL - Expurgo na PM - Na posse do novo comandante da PM, coronel Gilson Pitta Lopes, a crise interna e a renúncia de 47 oficiais, 17 deles à frente de batalhões, forçaram a suspensão da tradicional formatura no QG. Para o governador Sérgio Cabral, o desafio forneceu a oportunidade para iniciar um expurgo, abrindo caminho para um conceito de segurança pública baseado em planejamento, redução de confrontos e aperfeiçoamento da tropa. Enquanto a PM discutia, 200 agentes da Polícia Civil ocuparam o Jacarezinho e a Mangueira. Na ação, nove suspeitos morreram, cinco ficaram feridos, 31 motos e quatro carros foram recuperados, armas, drogas e 650 engradados de cerveja falsificada apreendidos. (pág. 1 e Cidade, págs. A10 e A11) - Depois de anunciar medidas emergenciais contra o aumento do desmatamento na Amazônia - que causou desgaste internacional ao governo - o presidente Lula atacou os autores do estudo pelo "alarde" e defendeu produtores de soja e criadores de gado, apontados pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, como os responsáveis pela ampliação dos cortes. (pág. 1 e País, pág. A3) - A União Européia suspendeu ontem todas as importações de carne brasileira, decisão considerada "injustificável" pelo governo. O bloco importou, no ano passado, US$ 1,73 bilhão em carne. Os europeus questionam o número de fazendas que podem exportar e o sistema de vigilância sanitária na área de rastreamento do gado. (pág. 1 e Economia, pág. A18) - Entram em vigor dia 13 de fevereiro novas regras de telefonia celular, a exemplo do desbloqueio do aparelho, que facilita a troca de operadora. As mudanças, que beneficiam especialmente os que usam o sistema pré-pago, ampliam o prazo de crédito de ligações de 90 para 180 dias e tornam gratuitas as chamadas para serviços de emergência. O usuário, se desejar, poderá pedir suspensão temporária do serviço por um ano. As alterações visam a reduzir o número de reclamações do setor - mais de 360 mil queixas registradas no ano passado, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações. (pág. 1 e Economia, pág. A20) - Um ano depois de terem arrastado até a morte o menino João Hélio, de 6 anos, os quatro assassinos foram condenados a penas que, juntas, passam de 167 anos de prisão. Mas a juíza Marcela Assad Caram, da 1ª Vara Criminal, derrubou a acusação de formação de quadrilha, apesar do registro de crimes cometidos pelo grupo. (pág. 1 e Cidade, pág. A12) - Calor, baixa de imunidade pelo esforço exagerado, consumo de álcool, maior número de parceiros. O carnaval é a época ideal para a proliferação das doenças sexualmente transmissíveis (DST) entre os jovens. Apesar das campanhas, ainda falta informação sobre os perigos das relações desprotegidas. (pág. 1, Vida, Saúde & Ciência, pág. A24) FOLHA DE SÃO PAULO - Coronéis da PM afrontam governo do Rio - Um dia após o governador Sérgio Cabral (PMDB) ter demitido a cúpula da Polícia Militar do Rio de Janeiro, um grupo de oficiais da PM reagiu e pediu exoneração de cargos de comando, ampliando a crise interna da instituição no Estado. Segundo o Grupo dos Barbonos -referência ao antigo nome da rua Evaristo da Veiga, onde fica o quartel-general da PM- 45 oficiais da PM de diversas patentes entregaram ontem cartas pedindo para deixar as chefias que ocupam. Querem a saída do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e a volta do coronel Ubiratan Ângelo ao comando da corporação. Em reunião no final da noite de ontem, em uma sala com cerca de 300 pessoas (entre oficiais, parlamentares e familiares de PMs), a Associação dos Militares Oficiais Estaduais do Rio, que congrega os líderes do movimento, amenizou o tom contra Beltrame, em carta a ser enviada ao governador. Enquanto na reunião de anteontem a saída de Beltrame era "exigida" no texto, na de ontem era "recomendada". A carta abre a possibilidade ainda de que, caso o secretário não seja demitido, fique fora das discussões sobre reajuste dos PMs. Os líderes do movimento dizem que no grupo há pelo menos 14 coronéis (posto máximo da hierarquia da PM) e 13 tenentes-coronéis que comandam batalhões. No total, a PM tem em seus quadros 2.631 oficiais, e cerca de 70 coronéis e mais de cem postos de chefia. (Página 1) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou ontem que considerou exagerado o "alarde" feito em torno dos números sobre o aumento do desmatamento na Amazônia. Ao fim de um almoço no Itamaraty, ele se referiu à divulgação dos dados na semana passada como um "tumorzinho" que, antes do diagnóstico, foi tratado como câncer. Também criticou a postura das ONGs e disse que não dá para culpar "soja, feijão, gado ou sem-terra" pelo desmatamento sem antes investigar o que aconteceu. "O que aconteceu, na minha opinião, eu não sou comunicador, posso estar errado... você vai no médico detectar porque você está com um tumorzinho aqui e, ao invés de fazer biópsia e saber como vai tratar, você já saiu dizendo que estava com câncer", afirmou. Segundo Lula, como em 2006 o desmatamento tinha diminuído muito e em 2007 cresceu, "se alardeou que estava crescendo". Na entrevista, o presidente contou que na semana passada, em reunião no Planalto, questionou o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) se os dados divulgados significavam que o Brasil chegaria ao final do ano com um desmatamento maior. "E ele falou: "Não". E eu falei: "Então por que vocês falaram'? Na verdade, eles queriam alertar de que a gente não pode se descuidar de controlar a Amazônia", concluiu Lula, insistindo que os dados divulgados tratam de um corte trimestral e que, segundo ele, até o final do ano podem ser revertidos. (Página 1) - A exemplo do que ocorreu nos últimos anos, o aperto fiscal feito pelo setor público em 2007 superou a meta fixada pelo governo. O conjunto formado por União, Estados, municípios e estatais economizou R$ 101,606 bilhões para pagar os juros de suas dívidas, uma folga de mais de R$ 10 bilhões em relação à meta para 2007. Inicialmente, a meta fiscal previa que o setor público deveria acumular um superávit primário de R$ 95,89 bilhões em 2007, mas desse valor podia ser descontado o dinheiro investido pelo governo federal em projetos considerados prioritários incluídos no chamado PPI (Programa Piloto de Investimento). Dos R$ 11,3 bilhões previstos pelo PPI, foram efetivamente gastos R$ 5,1 bilhões. Isso significa que o ajuste fiscal poderia ter sido de R$ 90,79 bilhões e, ainda assim, a meta seria considerada cumprida. A "sobra" de R$ 10,8 bilhões está próxima, por exemplo, dos R$ 10,4 bilhões previstos na proposta de Orçamento deste ano para o Bolsa Família. - A União Européia interrompe amanhã a importação de carne bovina brasileira por problemas técnicos e de fiscalização. Não há embargo formal, o que abre caminho para a negociação diplomática. Ontem houve apenas toca de críticas. Nota do Ministério da Agricultura classifica de "arbitrária, desnecessária, desproporcional e injustificada" a decisão da UE. O ministério não admite falhas, embora tenha mudado procedimentos sem informar os europeus com antecedência. A missão brasileira na Comissão Européia, em Bruxelas, foi informada da suspensão na noite de terça-feira e alertou Brasília imediatamente, segundo apurou a Folha. Os titulares das Pastas, Celso Amorim e Reinhold Stephanes, participavam da reunião da Camex (Câmara de Comércio Exterior). Ambos concederam entrevistas ao final da reunião e não mencionaram o caso. (Página 1) - O Palácio do Planalto avalia que a melhor solução para o caso da ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), que fez uso irregular de cartões corporativos, é a sua saída do governo. Assessores do presidente Lula já até enviaram recados à ministra de que ela deveria colocar o cargo à disposição. Segundo a Folha apurou, Lula deve tomar uma decisão sobre o destino da ministra hoje. Ele não quer prolongar a situação e deseja evitar mais desgastes para o governo. Ontem, Matilde foi convocada a dar explicações para um grupo de cinco ministros no Planalto. A reunião, realizada por determinação do presidente, ocorreu na Casa Civil. Questionada sobre sua situação depois da reunião, a assessoria da ministra divulgou a seguinte nota ontem à noite: "A ministra Matilde Ribeiro colocou-se à disposição para prestar informações aos órgãos competentes, apurar e corrigir possíveis falhas no uso do cartão de pagamentos do governo federal. E dará continuidade ao trabalho iniciado em 2003, quando da criação da Seppir". (Página 1) - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), pré-candidato à reeleição, dobrou os gastos com publicidade entre 2006 e o ano passado, com despesas empenhadas (gastos autorizados) de R$ 66,9 milhões, valor 117% superior ao do período anterior. Foi o maior salto entre todas as secretarias de Kassab, que ontem divulgou o balanço provisório de 2007. Em verbas liquidadas (pagamentos já liberados), o valor chega a R$ 58,5 milhões, quase o mesmo aumento percentual (121%), em relação a 2006. Kassab era vice de José Serra (PSDB) e agora, com apoio do governador, pretende disputar as eleições de outubro. - Depois de cortar os juros em 0,75 ponto percentual na semana passada, numa reunião extraordinária, o comitê de política monetária do Fed (Federal Reserve, banco central americano) voltou a agir ontem no seu encontro regular, ao reduzir a taxa básica em mais 0,5 ponto, para 3% ao ano -o menor nível desde maio de 2005. O ESTADO DE SÃO PAULO - União Européia suspende compras de carne do Brasil - A União Européia (UE) suspendeu ontem por tempo indeterminado a compra de carne bovina brasileira. O motivo foi a lista preparada pelo governo do Brasil de 2,6 mil fazendas supostamente aptas a atender às condições sanitárias exigidas pela UE. Após inspeções, veterinários europeus haviam concluído que apenas 3% das fazendas brasileiras estão nessas condições - cerca de 300. Entre as exigências está a necessidade de comprovação de que o gado esteja há mais de 90 dias em um Estado livre de febre aftosa. Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo já estão fora da lista por causa da aftosa detectada há dois anos. Uma nova missão da UE será enviada ao País. O governo alega que todas as 2,6 mil fazendas cumprem as exigências e que não poderia eliminar a maior parte delas da lista. Relatório da Organização Mundial da Saúde Animal prestes a ser publicado deve agravar a situação dos exportadores, por apontar alto risco de aftosa no Brasil. (págs. 1, B1 e B4 a B7) - O presidente Lula disse que houve "alarde" na divulgação dos números sobre desmatamento na Amazônia, informando que estão "sob investigação" os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo monitoramento. Enquanto Lula falava em Brasília, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmava em Sinop (MT) que os dados apontando aumento na devastação estão corretos. (págs. 1 e A16) - O sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) é limitado, afirma Ubirajara Moura de Freitas, gerente da fundação que processa as imagens de satélite. Para Freitas, isso explica o erro nos números originalmente divulgados para o período de junho a setembro. O Deter serve para orientar ações rápidas de fisc50 alização, diz o especialista. Dados mais precisos, porém, são obtidos por outro sistema, o Prodes, cujo processamento é bem mais lento. (págs. 1 e A16) - Equipe do Estado testemunhou um flagrante de desmatamento ilegal em Querência, a 600 km de Cuiabá, no entorno do Parque Indígena do Xingu. Ao chegar de surpresa à área de reserva do Pingo D'Água, um assentamento do Incra, fiscais da Secretaria Estadual do Meio Ambiente encontraram troncos de jatobá e angelim derrubados com motosserras. Os homens que operavam uma serraria improvisada conseguiram fugir, embrenhando-se na floresta. Um agente ambiental ouviu três tiros. De acordo com os fiscais, os madeireiros começam seu trabalho criminoso fazendo o corte seletivo de espécies nobres de árvores, ação que os sistemas de monitoramento não conseguem captar. Só quando a área é desmatada e queimada os satélites registram a devastação. (págs. 1 e A17) - A arrecadação recorde garantiu superávit de R$ 101,6 bilhões nas contas do setor público em 2007. O saldo equivale a 3,98% do PIB e supera a meta, de 3,8%. Por esse critério, o melhor resultado foi o de 2005: 4,35%. Na comparação com 2006, os gastos de custeio subiram 11,6%, descontada a inflação. (págs. 1 e B8) - Os ministros do Tribunal de Contas da União decidiram ontem esmiuçar a contabilidade do governo para saber se as despesas com cartões corporativos cresceram, se os saques em espécie aumentaram e se eles estão sendo usados para compras pessoais irregulares de altos funcionários do Executivo. (págs. 1 e A4) - Um dia depois de demitir o comandante da Polícia Militar do Rio, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) enfrentou um motim na corporação. Quarenta e sete coronéis e tenentes-coronéis da PM entregaram seus cargos e pelo menos quatro batalhões não colocaram soldados nas ruas. "Uma minoria quer balbúrdia, mas não vai conseguir", disse Cabral, que prometeu substituir os rebelados. (págs. 1, C1 e C3) - Notas e Informações - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, deixou-se convencer de que o Brasil só deve comprar armamento se houver transferência de tecnologia. Essa condição inviabiliza negócios. (págs. 1 e A3) - João Grandino Rodas: Falta um ensino fundamental público e gratuito digno. (págs. 1 e A2) O GLOBO - Coronéis mantêm o desafio com renúncia coletiva na PM - A mudança no comando geral da PM não conseguiu contornar a crise na corporação. Um dia após a queda do seu comandante-geral, 45 coronéis e tenentes-coronéis desafiaram o governo do estado e entregaram seus cargos, de um total de 90 postos de comando. O governo do estado garantiu que o policiamento no carnaval não será prejudicado, mas pela manhã policiais de quatro batalhões ameaçaram cruzar os braços. O governador Sérgio Cabral negou que haja crise na PM e disse que "não é meia dúzia de membros que vai atrapalhar". Diante da persistência do clima de insubordinação, a posse do novo comandante, coronel Gilson Pitta, foi antecipada e pela primeira vez ocorreu a portas fechadas. Pitta não quis adiantar as mudanças que fará. (págs. 1, 14 a 16 e editorial "Hora de avançar") - O presidente Lula desautorizou ontem as declarações da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sobre as causas do aumento do desmatamento na Amazônia, e deixou claro que não considera alarmantes os dados do Inpe. Mas após sobrevoar áreas devastadas em Mato Grosso, Marina negou que tenha feito alarde exagerado e manteve suas acusações a produtores de soja e pecuaristas. (págs. 1 e 3) - Sem apresentar as provas prometidas, o empresário Edison Lobão Filho (DEM-MA), filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), e acusado de usar laranjas em uma de suas empresas, a Bemar Distribuidora de Bebidas, investigada por sonegação fiscal, tomou posse ontem como senador. À rápida solenidade compareceram apenas o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB), e o correligionário maranhense Epitácio Cafeteira (PTB). (págs. 1 e 9) - Apontada como causa da queda de homicídios, a campanha do desarmamento recolheu 464 mil armas em 2004 e 2005, quando as mortes começaram a cair. Está pronta a medida que relançará a campanha, com verba de R$ 40 milhões. (págs. 1 e 8) - Déficit público é o menor da História. (págs. 1 e 28) - As descobertas de reservas gigantes de petróleo e gás pela Petrobrás deverão garantir ao Estado do Rio e seis de seus municípios um total de US$ 2 bilhões por ano em royalties. A ANP confirma que os campos nas áreas de Tupi e Júpiter ficam em águas fluminenses. (págs. 1 e 23) - A União Européia suspendeu importações de carne bovina brasileira exigindo normas de qualidade mais rígidas. O governo ofereceu 2.700 propriedades credenciadas, mas a UE rejeitou-as. As perdas chegam a US$ 90 milhões por mês. (págs. 1 e 25) - A oito dias de completar um ano do martírio do menino João Hélio, a Justiça condenou ontem seus quatro assassinos maiores de idade por latrocínio (roubo seguido de morte). Somadas, as penas totalizam 167 anos e três meses. (págs. 1 e 18) GAZETA MERCANTIL - Ganhos históricos em 2007 premiam acionista de banco - O forte crescimento do crédito em 2007 antevê mais uma safra de lucros extraordinários para os bancos brasileiros. O Bradesco abriu na segunda-feira a temporada de balanços, com lucro líquido de R$ 8 bilhões em 2007, o maior resultado de um banco no País nos últimos 20 anos, segundo a Economática. Projeções da Austin Rating para os quatro maiores bancos de capital aberto - além do Bradesco, foram considerados Banco do Brasil, Itaú e Unibanco - indicam ganho conjunto de R$ 25,3 bilhões, que, se confirmado, representará uma alta de 28,7% em relação a 2006. O Itaú, que divulgará o balanço no dia 12, deve fechar 2007 com lucro líquido de R$ 8,3 bilhões, segundo estimativa da Austin. Para o Banco do Brasil, cujo resultado sairá dia 26, a Austin projeta ganho de R$ 5,3 bilhões e, para o Unibanco, que publicará as demonstrações financeiras dia 14, R$ 3,7 bilhões. "O crédito cresceu bastante, os spreads tiveram uma pequena queda, mas continuam elevados e a inadimplência ficou controlada, possibilitando os ganhos extraordinários", afirma o sócio da Austin Erivelto Rodrigues. Lucros recordes significam dividendos altos para os detentores de ações dos bancos. O Bradesco reservou R$ 2,8 bilhões para remunerar seus acionistas, cerca de 35% de seu lucro. Levando em conta o pago pelo Bradesco e as projeções de lucros da Austin, juntos, Bradesco, Itaú, BB e Unibanco devem distribuir mais de R$ 10 bilhões de lucro para os acionistas. (págs. 1, B1 E B2) - A ameaça que há tempos vem rondando a produção de carnes do Brasil se confirmou e, a partir de amanhã, estão suspensas as exportações de carne in natura do País para a União Européia (UE). As ações dos maiores frigoríficos do Brasil caíram desde o início desta semana, acumulando recuo de até 9,3% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Depois de anunciar, no último dia 28, que suas receitas não cairiam com a suspensão, o grupo JBS Friboi foi ontem à Bovespa reiterar a previsão de obter maior ganho com suas unidades em países que não enfrentam, neste momento, restrições da UE, como Argentina, Estados Unidos e Austrália. Assim, o maior frigorífico do mundo conseguiu ontem conter a queda de seus papéis, que durante o pregão quase chegou a 3%, e que fecharam o dia com recuo de 0,84%. Na semana, a retração é de 8%. Os papéis do Minerva recuaram 9,31% na semana e 0,13% no dia e os do Marfrig, 6,27% desde segunda-feira e 0,13% ontem. "O Brasil terá dificuldade para realocar toda a carne que ia para a UE, que representa 25% das nossas exportações. Será um exercício para usar a capilaridade que detém no mercado internacional. Outra estratégia será produzir mais carne industrializada, que não sofre com restrições da UE", afirma o diretor da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (Abiec), Antônio Camardelli. Além do Friboi, o Marfrig também divulgou nota em que diz que iniciou obras para duplicar a produção de carne industrializada, que não sofre restrições de importação da UE. (Págs. 1 e C3) - O incremento das exportações brasileiras está gerando novas oportunidades de trabalho para executivos na área de comércio exterior. Embora a maioria dos postos esteja ligada à área operacional (como logística e aduaneira), as funções que mais deverão se expandir nos próximos anos incluem as de negociador (trader) e gerente de importação e exportação. Neste segmento, os salários iniciais passam de R$ 2,3 mil e os diretores ganham mais de R$ 15 mil mensais. "Em um horizonte bastante curto, eles vão fazer a diferença", afirma o professor José Manuel Meireles, da pós-graduação em Gestão de Comércio Exterior do Centro Universitário Senac. "Eles poderão otimizar as exportações brasileiras pela própria empresa produtora, não precisando mais de intermediários." Para atuar na área, o profissional precisa dominar idiomas (no mínimo inglês e espanhol) e ter capacidade de adaptação cultural e características como empatia, habilidade para planejar e comprometimento. (págs. 1 e C7) - Superávit primário em 2007 ficou em 3,98%. (págs. 1 e A4) - MP da CSLL veda créditos de PIS/Cofins, diz Gribl. (págs. 1 e A8) - O nível de atividade na indústria cresceu 6,1% em 2007, puxado por máquinas e equipamentos, segundo a Fiesp. A taxa anual de desemprego caiu para 14,8% na região metropolitana de São Paulo. (págs. 1 e A5) - Às vésperas de ser comprada pela Oi, a Brasil Telecom fechou 2007 com lucro de R$ 671 milhões, avanço de 42% sobre 2006. E promete tecnologia 3G para abril. (págs. 1 e C6) - A GE deve anunciar hoje que investirá em produção de locomotivas no País. (págs. 1 e C1) - A Vale quer investir cerca de US$ 6 bilhões numa geradora de energia, uma unidade de alumina e num porto na Colômbia, afirmou o presidente do país, Alvaro Uribe. (págs. 1 e C2) CORREIO BRAZILIENSE - Polícia do DF indicia 50 agentes e delegados - A Corregedoria da Polícia Civil do Distrito Federal conduz uma operação para punir e expulsar da corporação delegados e agentes envolvidos em atividades criminosas. Mais de 50 policiais estão indiciados e podem ser presos por participação em diversos crimes - de extorsão a tráfico de drogas. Em reação ao trabalho da Corregedoria, iniciado há seis meses, os suspeitos tramaram um plano para matar dois delegados que integram a equipe de investigações. "Uma pequena parcela de maus policiais não vai estragar nossa imagem", afirma Miguel Lucena, da Divisão de Comunicação. (págs. 1 e 47) - Oficiais se rebelam contra afastamento do comandante da corporação e soldados se aquartelam em quatro batalhões. Assassinos de João Hélio, arrastado por 7km preso ao cinto de segurança, pegaram 167 anos de cadeia. (págs. 1, 12 e 13) O Ministério da Saúde registrou ontem mais uma morte suspeita por febre amarela do Distrito Federal. A vítima é um morador de área rural, que morreu na segunda-feira. Secretaria local desconhece o caso. (págs. 1 e 52) - União Européia alega que Ministério da Agricultura não é confiável na elaboração da lista das fazendas exportadoras. Prejuízo anual pode chegar a US$ 1,4 bilhão. (págs. 1 e 19) - O Tribunal de Contas da União fará auditorias nos saques em dinheiro realizados por integrantes do Executivo com cartões corporativos. Somente em 2007, foram retirados R$ 45 milhões em espécie. Governo deve impor um limite de saques para os 13,6 mil servidores que usam o benefício. (pág. 1 e Tema do Dia, págs. 2 a 4) - De olho na pista - As oito rodovias nas saídas do DF estão com problemas de conservação. BR-070 é um exemplo. (págs. 1, 50 e 51) VALOR ECONÔMICO - Apesar da crise, crédito externo continua farto - Apesar da crise nos Estados Unidos, o crédito bancário continua farto para as empresas brasileiras de primeira linha. A melhor sinalização disso é o empréstimo de US$ 50 bilhões para a Vale caso ela decida pela compra da mineradora anglo-suíça Xstrata. O total está disponível a prazos que chegam a cinco anos e juros tão baixos quanto 0,25 ponto percentual sobre a Libor, taxa interbancária de Londres, para o primeiro ano. E a Libor não pára de cair, acompanhando os juros básicos americanos, que foram reduzidos ontem em 0,5 ponto percentual, para 3% ao ano. BNP Paribas, Calyon, Citigroup, Credit Suisse, HSBC, Lehman Brothers, Royal Bank of Scotland e Santander são os líderes. O prazo médio seria de três anos e o prêmio médio sobre a Libor, de 0,75 ponto percentual. Mas as condições do empréstimo variam de acordo com o que acontecer com a classificação de risco de crédito da Vale durante a vida da operação. Hoje, a empresa é grau de investimento e não pretende sair dessa categoria. No máximo, a Vale pagaria prêmio de 1,25 ponto sobre a Libor para o maior prazo. A Votorantim também está para fechar operação de US$ 1,3 bilhão, sob a liderança do WestLB, BBVA, Citi e Société Générale, para rolar empréstimos a aquisições feitos no passado. A oferta de crédito, segundo apurou o Valor, já superou a demanda da empresa. Há ainda no mercado rumores sobre empréstimo-ponte de US$ 500 milhões para a compra dos ativos da Esso no Brasil. Mesmo durante os piores momentos da crise nos Estados Unidos e Europa, quando o mercado de eurobônus fechou, os empréstimos externos ao país continuaram a acontecer. Tanto que, no ano passado, bancos, empresas e governo federal conseguiram US$ 35,9 bilhões no mercado internacional, segundo o Valor Data. É o segundo maior valor em um ano, só ultrapassado pelos US$ 48 bilhões de 2006. Mas os números daquele ano foram distorcidos por uma só grande operação, de US$ 18 bilhões, também da Vale, para a compra da canadense Inco. Excluída essa operação, os números de 2007 foram maiores. E este ano promete: os bancos têm observado um janeiro com movimento acima do usual. A República deve continuar a ter pouca participação - em 2007, captou apenas US$ 2,9 bilhões. (págs. 1 e C1) - O governo pretende enviar ao Congresso projeto de lei para perdoar dívidas de entidades filantrópicas. Ao mesmo tempo, deverá baixar medidas que tornarão mais rigorosa a concessão de benefícios fiscais a essas entidades. O ministro da Previdência, Luiz Marinho, disse ao Valor que, com o perdão, vai crescer a arrecadação da Previdência, porque muitas entidades, principalmente hospitais e universidades, têm planos de abrir capital e, portanto, precisam deixar de ser filantrópicas. No ano passado, renúncias fiscais de R$ 4,4 bilhões beneficiaram entidades filantrópicas em todo o país. Marinho afirmou que pretende reduzir essa sangria. "Nada contra a filantropia. Quero separar a pilantropia". (págs. 1 e A3) - Os 2.800 detentos de Itamaracá serão transferidos em dois anos das paisagens paradisíacas da ilha para uma cadeia diferente, administrada por uma empresa privada. O governo pernambucano decidiu construir a nova prisão a 70 km do Recife, por meio de uma parceria publico-privada, e quer transformá-la em modelo. A empresa terá de investir cerca de R$ 240 milhões na penitenciária - para 3.126 detentos - e geri-la por 30 anos. Em troca, o Estado pagará uma mensalidade por preso. Minas Gerais seguiu no mesmo caminho e colocou em consulta pública uma PPP para 3 mil detentos. Diante dos recursos escassos e do déficit de mais de 150 mil vagas para presos, as parcerias devem avançar em outros Estados. Tomando por base as mensalidades que Pernambuco e Minas usaram em seus estudos (R$ 2,4 mil e R$ 2,1 mil) e o número total de presos, de 360 mil, o negócio movimentaria cerca de R$ 9,5 bilhões por ano, se todas fossem "privatizadas". Já há cinco empresas candidatas a disputar esse mercado, oriundas da área de segurança privada e que hoje participam de um sistema intermediário, a co-gestão, que existe em 16 presídios com 7.346 detentos. (págs. 1 e A22) - A quantidade de mercadorias exportadas pelo Brasil cresceu 5,5% no ano passado, acompanhando, dessa forma, o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto. No mesmo período, o volume importado subiu quatro vezes mais - 22% -, segundo dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). "O problema é a falta de dinamismo das exportações. É preocupante, porque a deterioração do saldo comercial será rápida com esse diferencial", diz Fernando Ribeiro, economista da Funcex. (págs. 1 e A4) - Caminham rapidamente as negociações para a fusão entre a Oi e a Brasil Telecom (BrT), mas processos judiciais do passado - especialmente entre a BrT e seus acionistas e o Opportunity - ainda são o principal ponto em aberto para que a operação seja concluída. A administradora de recursos de Daniel Dantas é acusada de quebra de dever fiduciário pelo Citigroup, acionista da BrT, em Nova York. Na Justiça brasileira correm ações dos fundos de pensão e da própria BrT contra o Opportunity e ex-diretores da operadora. Juridicamente, desfazer os litígios não é fácil. A BrT, quando o Opportunity foi destituído de sua gestão, pediu ressarcimento de pelo menos R$ 521 milhões. A questão agora é como abrir mão da disputa sem caracterizar a medida como lesiva aos interesses dos minoritários. Outro ponto sensível é o processo movido pelo Citigroup contra o Opportunity na Justiça de Nova York, onde o banco americano cobra da administradora de recursos indenização de cerca de US$ 300 milhões. Apesar disso, o anúncio do negócio poderá ser feito amanhã. (págs. 1 e A2) - A dívida líquida do setor público somou R$ 1,150 trilhão no fim de 2007, equivalente a 42,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Um ano antes, o endividamento líquido total era de R$ 1,967 trilhão, equivalente a 44,7% do PIB. (págs. 1 e A10) - O governo brasileiro cedeu e as fazendas autorizadas a exportar carne bovina para a Europa ficarão restritas a apenas 300 propriedades, que serão escolhidas pela própria União Européia após 15 de fevereiro. (págs. 1 e B12) - Novagerar põe em funcionamento central térmica de 6MW com gás de lixão, diz Adriana. (págs. 1 e B5) - A taxa de desemprego média em 2007 na região metropolitana de São Paulo recuou pelo quarto ano consecutivo, para 14,8%, a menor desde 1996. Em dezembro, o índice ficou em 13,5%, também o menor resultado desde janeiro de 1996. (págs. 1 e A9) - Apesar do crescimento do mercado de automóveis de 27,8% em 2007, as vendas de pneus aumentaram apenas 10%, diz Eugênio Deliberato, prejudicadas pela concorrência chinesa e pela importação de usados. (págs. 1 e B6) - O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou que a Vale pretende investir US$ 5,9 bilhões no país, em uma fundição de alumínio, hidrelétrica e porto. A Vale confirmou estudos para uma usina de energia. (págs. 1 e B1) - Cláudio Haddad: balanço energético está longe da situação desesperadora de sete anos atrás, mas preocupa. (págs. 1 e A2) - Fernando Cardim de Carvalho: não faz sentido punir a sociedade com recessão para castigar especuladores. (págs. 1 e A20) ESTADO DE MINAS - Chuva ameaça 200 áreas em BH - O temporal de ontem de manhã, depois de mais de 10 dias de chuvas persistentes, causou estragos e acendeu o sinal de alerta na Região Metropolitana de BH. Pelo menos 16 árvores caíram, houve acidentes, desabamentos e alagamentos, e cerca de 7 mil consumidores ficaram sem energia elétrica. Não houve vítimas, mas na capital há 200 áreas em risco de deslizamento de encostas e de inundação, segundo a Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel). Os trabalhos de prevenção serão intensificados e a equipe que estará de plantão durante o carnaval receberá reforço. Segundo a meteorologia, da tarde de terça-feira até a manhã de ontem, choveu 148 milímetros, metade da média de todo o mês de janeiro. E a previsão é de que as pancadas continuem nos próximos dias e durante todo o feriadão. Por isso, as polícias rodoviárias Federal e Estadual reforçam o alerta de prudência para quem for viajar. Operações especiais começam amanhã nas estradas, com o aumento do efetivo, blitzes, radares e bafômetros. De 400 mil a 500 mil veículos devem deixar a capital. (págs. 1 e 19 a 21) - O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, ontem, auditoria geral nas despesas pagas com cartões corporativos por autoridades federais, para investigar se houve irregularidades. A decisão foi tomada depois de denúncias do uso dos cartões em free shop, choperia, joalheira e até tapiocaria, envolvendo os ministros Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), Altemir Gregolim (Pesca) e Orlando Silva (Esporte). (págs. 1, 3, 4 e editorial 'Os cartões corporativos', na página 8) - Superávit primário é o mais elevado em 16 anos. (págs. 1 e 13) - A União Européia (UE) suspendeu por tempo indeterminado a importação de carne bovina in natura do Brasil. A lista de 2.810 fazendas auditadas, 1.237 delas em Minas, enviada pelo país, não foi aceita. A UE indicará apenas 300 para inspeção no fim de fevereiro. Autoridades e pecuaristas brasileiros vêem razões políticas no embargo, para atender interesses de produtores irlandeses e ingleses. (págs. 1 e 15) - Os sinais de recessão nos EUA ficaram mais claros, com a divulgação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,6%, no quarto trimestre do ano passado, metade do esperado pelo mercado. Para tentar impulsionar a economia, o Banco Central americano cortou os juros básicos em 0,5 ponto percentual, para 3% ao ano. A medida repercutiu bem na Bovespa, que fechou em alta de 1,28%. (págs. 1 e 12) - DESEMPREGO - Belo Horizonte tem a menor taxa em 11 anos. (págs. 1 e 14) - Quatro acusados da morte do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, arrastado por sete quilômetros, preso ao cinto de segurança, durante o roubo do carro de sua mãe, em fevereiro do ano passado, foram condenados, ontem, pela Justiça do Rio. As penas variaram de 39 a 45 anos de cadeia. Seis pessoas morreram e cinco ficaram feridas em operações policiais nas favelas do Jacarezinho e da Mangueira. Segundo a polícia, todos os mortos eram traficantes. (págs. 1 e 11) OUTROS JORNAIS JORNAL DO COMMERCIO - Jogo do bicho está suspenso no estado - Dando seqüência à Operação Game Over, que apreendeu caça-níqueis, PF interdita sede da Aval para assegurar proibição do jogo do bicho. Mesmo assim, ocorrera duas extrações. Cerca de 50 mil empregos diretos estão ameaçados. (Página 1) - Oferta da pílula do dia seguinte é liberada pela Justiça. E o MPPE move ação para táxi entrar em Olinda. (Página 1)

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