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01/11/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista – Bom dia, presidente.
Presidente – Bom dia, Luiz.
Jornalista – Presidente, num dos últimos
programas, nós ficamos de atualizar os dados do Bolsa
Família. O senhor tem novidades a respeito desse novo
programa?
Presidente – Olha, a grande novidade
do Bolsa Família é que nós atingimos
agora 5 milhões e 300 mil famílias, por 5 mil
e 500 municípios. E o Bolsa Família vai continuar
crescendo, porque nós queremos chegar em dezembro do
ano de 2005 com 8 milhões e 700 mil famílias.
E queremos chegar em 2006 completando a totalidade das famílias,
que, segundo o IBGE, estão abaixo da linha da pobreza.
Esse programa é um programa que tem tido um sucesso
extraordinário, porque tem permitido que pessoas que
não tinham sequer condições de acesso
às calorias e às proteínas necessárias
possam, agora, comer no mínimo três vezes ao
dia.
Jornalista – Presidente Lula, o dinheiro
do Bolsa Família, e dos programas que ele vem substituindo,
significa em média 33% dos repasses federais para os
municípios. Qual é o impacto desse dinheiro
nas comunidades?
Presidente – Tem muita gente, Luiz,
que muitas vezes disse que o governo está gastando
muito com o Bolsa Família. Na verdade, nós estamos
gastando pouco, ou seja, nós gastamos mais financiando
outras coisas, incentivando outras coisas, e no Brasil sempre
se cuidou pouco dos pobres. E nós achamos que é
um dinheiro bem aplicado. Por quê? Porque, ao chegar
na casa, ao chegar na mão da mãe, ela vai ao
supermercado, vai fazer despesa, vai fazer a economia do município
pequeno funcionar. Muitas vezes, a agricultura familiar daquela
região volta a produzir, e você vai criando um
comércio, a movimentação financeira naquela
cidade. O melhor exemplo que eu posso dar é o de Guaribas,
a primeira cidade em que nós lançamos o programa
Fome Zero. É só ir lá para ver a diferença
de como era e de como é hoje.
Jornalista – Você ouve o Café
com o Presidente. Nós estamos falando sobre o Bolsa
Família. Presidente Lula, a participação
dos municípios, portanto, é muito importante.
É lá que tudo começa.
Presidente – Nós estamos falando
de quase seis mil municípios, estamos falando de milhões
de famílias. Portanto, os prefeitos tomam posse dia
1° de janeiro e vão ter que ajudar o governo federal
no cadastramento, no acompanhamento, se as crianças
estão indo pra escola, se a mãe está
levando as crianças pra tomar a vacina, ou seja, é
um processo que tem que envolver a sociedade brasileira para
que a gente possa fazer o plano atingir a sua plenitude e
atingir os seus objetivos. Se na prefeitura se faz o cadastramento,
nós vamos ter que criar um conselho gestor para fazer
acompanhamento. Nós sabemos que, no Brasil, tem gente
que gosta de tirar proveito das coisas que iriam beneficiar
um pobre. Nós já sabemos, e eu, inclusive, quero
aproveitar o programa para agradecer as reportagens que mostraram
que tem desvios, que tem gente que não está
recebendo, que falta acompanhamento, porque isso não
pode ser visto como uma crítica. Isso tem que ser visto
como uma ajuda ao governo, porque o governo de Brasília
não tem a totalidade do controle das coisas que acontecem
em oito milhões e meio de quilômetros quadrados.
Se a imprensa nos ajuda fazendo denúncia, mostrando
erros, sabe, para nós é importante. É
importante. Com base nessas reportagens, a gente monta um
esquema melhor de fiscalização, a gente cobra
do prefeito, a gente cria o conselho gestor, a Controladoria-Geral
da União pode ajudar a fiscalizar, o Ministério
Público pode ajudar a fiscalizar. Desvios podem acontecer
sempre. E, quando acontecerem, quem deve ser punido? Não
é o pobre que deve ser punido. Não é
o pobre, com a suspensão do programa. Quem deve ser
punido é quem cometeu a ilegalidade de cadastrar uma
pessoa que não merecia ser cadastrada. Então,
eu estou hoje certo de que o programa está atingindo
seus objetivos. Nós estamos transformando a questão
do Fome Zero numa campanha mundial - a mais importante campanha
para combater a fome no mundo. E isso está ligado a
outras coisas. Porque, qual é o meu desejo? Qual é
o meu sonho? O meu sonho é que um dia todos os brasileiros
possam viver às custas do seu trabalho. Não
precisem receber ajuda do governo. Têm que receber do
governo boa educação, boa saúde, boas
estradas. Agora, enquanto a gente não consegue fazer
com que todas as pessoas tenham acesso a isso, nós
temos que compreender que tem gente está passando fome.
Tem gente que não tem efetivamente as calorias e as
proteínas para comer todo santo dia. E nós temos
que garantir, torcendo e trabalhando para que a economia cresça,
para que geremos empregos, para que, seja através da
agricultura, do comércio e do turismo, a gente gere
os empregos necessários para que as pessoas não
precisem mais do Bolsa Família. Agora, que nós
vamos fazer uma política preferencialmente para ajudar
os pobres, nós vamos fazer. Não é apenas
o Bolsa Família. Bolsa Família é um programa
que está dentro do programa Fome Zero. A reforma agrária
está dentro do programa Fome Zero. O seguro agrícola
está dentro do programa Fome Zero. A demarcação
das terras indígenas, das terras dos quilombolas, está
dentro do programa Fome Zero. Tudo isso está pensado
num programa de combater a miséria no Brasil, de combater
a fome. E isso está acontecendo. E eu estou satisfeito.
Sei que ainda falta muito para fazer, mas estou convencido
de que vamos fazer. Se não tudo, vamos fazer mais do
historicamente foi feito no nosso Brasil.
Jornalista – Obrigado, presidente Lula,
e até o nosso próximo programa.
Presidente – Obrigado a você,
Luiz, e obrigado mais uma vez aos nossos ouvintes.
Jornalista – O Café com o Presidente
volta daqui a quinze dias e nós aguardamos você.
Um abraço e até lá.
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