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04/04/05
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista
– Olá amigos em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara
Monteiro. Estamos iniciando mais uma edição
do programa Café com o Presidente. Hoje com o Brasil
em luto oficial de sete dias, pela morte do papa João
Paulo II.
Jornalista
– Como vai
presidente?
Presidente – Tudo bem,
Luiz.
Jornalista
– Presidente,
a morte do Papa provocou uma grande comoção
mundial, que supera todas as fronteiras da fé católica.
O senhor conviveu com o Papa em alguns momentos. Na sua opinião,
como é que João Paulo II será lembrado?
Presidente – Eu acredito
que o papa João Paulo II será lembrado pela
humanidade como um homem que dedicou grande parte da sua vida
para enfrentar as injustiças do mundo. Foi assim na
sua juventude, foi assim quando se tornou padre, quando se
tornou bispo. Foi a luta contra o nazismo, foi a conquista
da liberdade democrática na Polônia.
E quando assumiu o controle
da Igreja Católica, o Papa dedicou praticamente todo
o tempo que esteve à frente da Igreja Católica
na luta pela paz, na luta pela justiça social, na luta
contra a miséria, na luta contra a fome, contra a pobreza;
visitou mais de cem países. Eu penso que é essa
imagem que ele vai deixar, a imagem da esperança, a
imagem de um homem que lutou cada minuto da sua vida para
que as coisas pudessem acontecer de forma a melhorar a vida
das pessoas.
Jornalista
– O senhor
teve um encontro com o Papa na ocasião em que veio
no Brasil em 1980, o senhor fazia parte da oposição.
Como é que foi aquele encontro, presidente?
Presidente – O papa teve
um encontro com os operários brasileiros no Morumbi.
E depois do encontro com os operários, nós fomos
à casa em que o Papa estava hospedado, para ter um
encontro com o Papa. E lá tinha o pessoal do exército
brasileiro na época, que fazia a segurança do
Papa. Criou uma confusão tremenda; chovia muito e Marisa,
eu e o meu filho, Marcos, na rua esperando que houvesse a
decisão de deixar entrar, e Frei Beto tentando ajudar
de um lado, Dom Paulo tentava ajudar de outro, e nós
ficamos esperando quase três horas até chegarmos
a ter o encontro com o Papa.
Foi um encontro importante
porque eu estava cassado no sindicato. Não era comum
uma autoridade como o Papa receber alguém que estivesse
sendo perseguido pelo regime militar. E eu acho que é
por isso que criaram a confusão toda para que eu não
pudesse entrar, porque eu estava cassado do sindicato.
Mas o Papa ao me receber, ele
deu, com sua visão de estadista, porque essas coisas
não acontecem toda hora e com todas as pessoas. Depois
ele me recebeu em 1989, eu fui à Roma. E ele tem uma
coisa muito especial com o Brasil, porque não apenas
na hora que eu encontrei com ele em Roma, mas muitos bispos
brasileiros que iam a Roma conversar com ele, voltavam nos
dizendo, sabe, que ele perguntava do Brasil muito, que ele
queria saber das coisas.
No ano passado, quando fui
a ONU, na reunião com chefes de estados discutir a
questão da fome, ele mandou a segunda pessoa mais importante
da Igreja participar do evento. De forma que a imagem que
ele construiu é uma imagem altamente positiva para
a sociedade, ou seja, eu acho que vai continuar a alimentar
milhões e milhões e milhões de seres
humanos que vêem no Papa um exemplo de dedicação,
perseverança e de vontade de fazer as coisas melhores.
Jornalista
– Você está ouvindo o programa
Café com o Presidente. O programa de rádio do
Presidente Lula.
Está confirmada a sua
ida a Roma presidente para as cerimônias de despedida
do Papa? O senhor vai representar o povo brasileiro?
Presidente – Eu vou a
Roma, eu pretendo viajar com Marisa. Eu penso que é
importante a gente convidar o presidente da Câmara,
convidar o presidente do Senado, convidar o presidente do
Supremo Tribunal Federal, convidar os cardeais da CNBB, que
deverão todos ir para Roma, sabe, que devem viajar
juntos, nós vamos viajar todos juntos, ao enterro do
Papa.
Jornalista
– Agora, presidente,
o povo brasileiro sofreu uma outra dor na última semana,
que foi a chacina de 30 pessoas na região da Baixada
Fluminense, no Rio de Janeiro. O que está sendo feito,
presidente?
Presidente – Olha, o
que eu estou fazendo é determinando ao meu ministro
da Justiça, e conseqüentemente à Polícia
Federal e a todo o aparelho de inteligência da polícia
brasileira, que não descanse um segundo, um minuto,
para que a gente coloque os autores desse crime abominável
na cadeia.
Isso é o mínimo
que o Estado pode oferecer para essas pessoas que estão
sofrendo tanto, porque eu imagino um sofrimento de um pai
que perde um filho, de uma pessoa que perde um parente ou
um amigo, nós não podemos deixar isso passar,
não pode cair no esquecimento, não pode demorar
muito, nós temos que sermos tão precisos quanto
fomos no caso da irmã Dorothy, ou seja, colocar o que
a gente tiver de potencial de ação da nossa
polícia para que a gente possa prender essas pessoas.
Jornalista
– Obrigado
presidente, até o nosso próximo programa.
Presidente – Obrigado
a você, Luiz.
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