| 04/10/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista – Tudo bem presidente?
Presidente
– Tudo bem Luiz.
Jornalista
– Presidente, na semana passada, o senhor enviou
ao Congresso uma lei complementar que simplifica a vida do
chamado empresário individual, que tem aquela pequena
empresa, com faturamento médio de R$ 36 mil por ano.
No seu pronunciamento, o senhor disse que é mais barato
para esses microempresários correr da polícia,
do que cumprir todas as exigências que são feitas
para ele. Por quê?
Presidente
– Porque no Brasil, muitas vezes, nós
somos exigentes demais na política de tributação,
na política para legalizar uma empresa, o que incentiva
as pessoas a ficarem na informalidade. Esse projeto de lei
que nós mandamos ao Congresso Nacional, ele visa dar
legalidade às empresas familiares, aos vendedores ambulantes
que estão trabalhando na informalidade, que não
contribuem com a previdência, que não têm
nenhum compromisso com seguridade social. Nós queremos
legalizar essa gente. Nós queremos que essas pessoas
tenham toda facilidade do mundo para abrir uma empresa e que
essa pessoa também na hora de fechar, tenha facilidade
de fechar, que não seja um martírio. Fazendo
isso, nós vamos permitir que essa pessoa pague uma
quantia de imposto muito pequena. Ele vai pagar 1,5% sobre
o faturamento. E isso vai permitir que ele tenha vontade de
se legalizar e nós imaginamos que isso envolve milhões
e milhões de pequenos empreendedores que estão
espalhados pelo Brasil afora. Então, nós partimos
do pressuposto de que, se o imposto for justo, todos terão
prazer em pagar, principalmente se eles perceberem que esse
imposto está voltando para o povo brasileiro em forma
de benefício. E esses são benefícios
concretos. Nós criamos um outro instrumento na Previdência
Social em que uma dona de casa, por exemplo, que quiser pagar
a Previdência Social, ela pode pagar. Ela vai pagar
11%, vai ter todos os benefícios da previdência
e ela vai ter aposentadoria por idade, não pode ter
aposentadoria por tempo de serviço. Essa é uma
novidade extraordinária para que a gente possa, se
o Congresso Nacional aprovar, incluir a dona de casa num projeto
de seguridade social paralelo ao do marido dela.
Jornalista
– Presidente, medidas como esta fazem parte
de um pacote de outras desonerações tributárias,
ou seja, o governo abrindo mão de algum tipo de arrecadação
para incentivar o crescimento sustentado e a geração
de empregos. Que balanço o senhor faz dessas medidas?
Presidente
– Este ano, nós já enviamos ao
Congresso Nacional entre medidas provisórias e projeto
de lei, sabe, várias medidas. Todas elas objetivando
desonerar o custo para que as pessoas possam fazer investimento,
para que possamos gerar empregos e distribuir renda. Olha,
eu acho importante que o nosso ouvinte tenha conhecimento
dos nossos desejos, da nossa vontade e dos objetivos do governo
com essas medidas. Na questão do estímulo ao
investimento: o objetivo dessas medidas é permitir
que o país cresça mais rápido e de forma
sustentada, estimulando a geração de empregos,
o aumento da renda e dos salários dos trabalhadores.
O estímulo à poupança de longo prazo:
qual é o nosso objetivo? O objetivo é estimular
a poupança de longo prazo e, com isso, permitir que
os setores produtivos se financiem e façam investimentos
adequados, o que melhora as contas externas do país
e ajuda a controlar os índices de inflação.
As medidas que nós tomamos na área social, quais
são os objetivos delas? O objetivo fundamentalmente
é baixar os preços dos produtos ao consumidor
e estimular a geração de empregos formais nas
pequenas empresas do país. Então, com esses
três objetivos nós fizemos essas medidas e achamos
que isso vai ser um sucesso no próximo ano. Eu estou
convencido que nós teremos daqui pra frente um Brasil
formal, um Brasil legalizado em que as estatísticas
podem ser feitas com maior seriedade e que o resultado disso
certamente será crescimento da economia, crescimento
do emprego e crescimento da massa salarial.
Jornalista
– Alguns chamaram essas medidas de pacote de
bondades. É pacote de bondades ou um pacote de obrigação
do governo para incentivar a produção?
Presidente
– Não é nenhum pacote de bondade,
nenhum pacote de obrigação. É um pacote
de justiça, é um pacote de justiça. Veja,
é importante lembrar que essas medidas foram todas
articuladas com vários segmentos da sociedade. Então,
essas medidas nossas foram acordadas com vários setores
empresariais, foram acordadas com vários setores sindicais
para que a lei não seja uma vontade do ministro da
Fazenda, uma vontade do presidente da República. Ela
tem que ser uma vontade expressa pelo povo que sabe que vai
ser o beneficiário dela. É assim que nós
estamos governando, e é assim que essas leis foram
feitas e é assim que o Brasil está dando certo.
Jornalista
– Bom, para o nosso amigo ouvinte ter mais
informações sobre esse conjunto de medidas,
ele pode acessar o site do Ministério da Fazenda na
internet: www.fazenda.gov.br. Obrigado presidente e até
o nosso próximo encontro.
Presidente
– Obrigado Luiz, e obrigado ouvintes do programa
Café com o Presidente.
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