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07/03/05
Ao ar na Rádio Nacional
Luiz
Fara Monteiro
- Olá amigos em todo o Brasil.
Eu sou Luiz Fara Monteiro,
e começo agora o programa
de rádio do Presidente
Lula, o Café com o Presidente.
Tudo bem, presidente?
Presidente
Lula – Tudo bem, Luiz.
Luiz
Fara Monteiro – Presidente,
amanhã, dia 08 de março,
é o Dia Internacional da
Mulher. Pela quantidade de comemorações
programadas em todo o país,
a data vai marcar conquistas importantes.
Presidente
Lula - Eu acredito que as mulheres
brasileiras tiveram nesses últimos
anos grandes conquistas na evolução
dos seus direitos na sociedade brasileira.
Eu penso que nós avançamos
muito, sobretudo, depois que nós
fortalecemos a nossa Secretaria
Especial de Políticas para
as Mulheres com a companheira Nilcéia
Freire, que é uma guerreira,
que é uma médica,
ex-reitora da Universidade Federal
do Rio de Janeiro e que tem coordenado
o trabalho das mulheres no Brasil.
E
o governo vem tentando fazer aquilo
que é prioritário,
aquilo que é necessário.
Por exemplo, nas políticas
sociais do governo, nós priorizamos
as mulheres. A começar, por
exemplo, com o Bolsa Família,
em que nós priorizamos dar
o cartão para a mulher porque
nós achamos que a mulher
age com mais responsabilidade diante
da família. A mulher, ela
tem tanta responsabilidade com a
sua família, que se ela tiver
um centavo e tiver dez coisas para
fazer, ela vai escolher a coisa
que melhor atenda os interesses
dos seus filhos para cuidar. Por
isso que para nós é
sagrado fazer com que a mulher seja
a peça prioritária
na família e que ela possa
receber do governo o dinheiro para
fazer os benefícios para
a sua família.
Luiz
Fara Monteiro - E na área
rural, seguindo esse mesmo raciocínio,
uma coisa totalmente nova é
o crédito para a mulher.
Para situar o ouvinte da cidade,
até o ano passado o Programa
Agricultura Familiar, o Pronaf,
emprestava dinheiro praticamente
só para homens.
Presidente
Lula - Durante todos esses anos,
o Pronaf era um dinheiro que o governo
autorizava no seu orçamento,
que o Banco do Brasil pudesse aplicar
e os outros bancos, também,
dinheiro para ajudar a agricultura
familiar. O que acontecia? O dinheiro
ia, o homem fazia o seu projeto,
ia ao banco e tomava o seu empréstimo,
e a mulher, muitas vezes, que era
parceira dele e gostaria de ter
o seu projeto, não tinha
acesso ao dinheiro.
Nós
sabíamos que tinha muita
mulher que não tinha sequer
documentação para
ter acesso ao empréstimo
bancário. O governo tratou
de se organizar junto com a Contag
e junto com entidades da sociedade
civil, para começar a legalizar
a vida da mulher do ponto de vista
da documentação para
que ela possa ir pegar o seu dinheiro
no banco.
E
isso está avançando
muito. Só para se ter uma
idéia do que aconteceu de
2003 para 2004, na primeira safra
do nosso governo, tivemos R$ 568
milhões emprestados para
as mulheres. Em 2004-2005, a previsão
já é R$ 1,2 bilhão,
o que significa muito dinheiro em
relação ao que era
antes, mas possivelmente não
seja tudo que a mulher pode ter
acesso para poder pegar esse dinheiro,
dinamizar a agricultura familiar,
e gerar os postos de trabalhos que
nós precisamos no Brasil.
Luiz
Fara Monteiro - Presidente,
em suas entrevistas, em seus discursos,
o senhor cita muito a sua mãe,
Dona Lindu, e também a sua
esposa, Dona Marisa. Qual o significado
que essas mulheres têm na
sua vida?
Presidente
Lula - Têm todo o significado.
Para mim, são os alicerces
do que eu sou hoje. A minha mãe,
pela guerreira que é. Uma
mulher analfabeta, com oito filhos,
sai de Pernambuco em um pau de arara,
vem para São Paulo. Chegamos
em São Paulo, tivemos a primeira
grande surpresa, todos nós,
mas ela deve ter tido muito mais.
Ela descobre que o meu pai já
estava casado com uma outra mulher,
e que já tinha três
ou quatro filhos com essa mulher.
Em
nenhum momento a minha mãe
perdeu a esperança. Ela conseguiu
viver nessa situação.
Meu pai com duas mulheres durante
praticamente um ano, e depois a
minha mãe tomou a decisão
de se separar do meu pai. Não
foram poucas as vezes em que nós
não tínhamos em casa
o que comer, nem no almoço,
nem na janta. Não foram poucas
as vezes em que a gente ficava sentado
na cozinha, todo mundo em uns bancos
grandes que tinha, porque não
tinha cadeira, olhando um fogão
que não tinha nada para colocar
no fogão.
Mesmo
nesses momentos, eu não via
a minha mãe reclamar da vida.
Eu via a minha mãe acreditar
que no dia seguinte seria melhor.
Nós éramos oito irmãos,
ela criou todos. Todos nós
aprendemos uma profissão,
e todos nós casamos, tivemos
filhos, e ninguém virou bandido,
ninguém foi para a rua.
E
a Marisa porque, em todos os momentos,
a Marisa eu sou muito grato pelo
comportamento guerreiro da companheira
Marisa. Ao mesmo tempo que ajudava
a construir o PT, a construir a
CUT (Central Única dos Trabalhadores),
ainda ajudava a cuidar da família,
ainda tinha tempo de viajar comigo.
As
mulheres têm essa importância
para mim porque eu tenho dois espelhos
muito fortes na minha vida. Eu quero
aproveitar o Dia Internacional das
Mulheres para dizer para as mulheres
uma coisa que eu disse a vida inteira.
Ou seja, de que a liberdade que
as mulheres precisam, a igualdade
que as mulheres precisam, a respeitabilidade
que as mulheres precisam dentro
de casa e na sociedade, será
uma conquista das mulheres na hora
que elas se organizarem, se fazerem
respeitar, e exigir que isso seja
colocado na legislação,
que isso seja um direito.
E
eu continuo achando que todas as
políticas que o governo tiver
que fazer, a mulher tem que estar
incluída, tem que estar participando,
porque nós teremos muito,
muito mais chance de acertar nas
nossas políticas sociais.
Luiz
Fara Monteiro - Nós encerramos
esse programa com um abraço
carinhoso e especial nas mulheres.
Presidente, obrigado pela entrevista.
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