| 09/08/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista
- Olá amigos em todo o Brasil. Está
começando mais uma edição do Café
com o Presidente, o programa de rádio do presidente
Lula. Tudo bem, presidente?
Presidente - Tudo bem, Luiz.
Jornalista - Presidente Lula, as grandes
redes de supermercados estão anunciando a queda do
preço do feijão, do arroz e da farinha de
mandioca por conta da isenção da Cofins e
do PIS sobre esses produtos. Os supermercados conseguiram
com os seus fornecedores repassar a redução
do preço para o consumidor. É essa colaboração
dos empresários com o governo que o senhor vem dizendo
ser fundamental para o crescimento do Brasil, presidente?
Presidente - Eu acredito que o que aconteceu
é um exemplo muito forte de como um pouco de conversa,
de como o estabelecimento de parcerias pode ajudar o nosso
país a crescer e a gerar empregos. Quando eu editei
a Medida Provisória que reduz o preço do feijão,
do arroz e da farinha de mandioca, eu tinha consciência
de que, pelo fato de ser uma Medida Provisória e
ser transformada em lei, seria cumprida pelos empresários.
Mas o que é agradável é saber que os
empresários tomaram a iniciativa não só
de prontamente reduzir os preços desses produtos
para os consumidores, mas inclusive de fazerem propagandas
mostrando que eles vão repassar para o consumidor
a redução dos preços em função
da redução da Cofins e do PIS. Isso demonstra
o quê? Isso demonstra que há no Brasil hoje
mais do que uma legislação que obriga a pessoa
reduzir os preços, mas existe uma compreensão
do governo, dos empresários e da sociedade de que,
com um pouco de solidariedade, com um pouco de sensatez
de todos nós, o Brasil pode andar muito mais rápido,
o Brasil pode dar passos muito mais largos, para que a gente
atinja a plenitude do desenvolvimento, que é o desejo
de todos nós.
Por isso, eu estou satisfeito com o comportamento de todos
os donos de supermercados, das cadeias de supermercados,
pelo empenho, eu diria, pela pressa com que eles agiram
para que o consumidor fosse o grande beneficiado. Você
sabe que isso é resultado de uma discussão
que começamos a fazer ainda em março de 2003,
quando juntamos os governadores para discutirmos a Reforma
Tributária. Agora nós estamos aperfeiçoando
e eu diria que outras coisas vão acontecer. Porque
o governo não quer ser o dono da verdade, o governo
não quer saber tudo. O governo quer ter ouvidos grandes
para ouvir a sociedade e na medida em que a sociedade vai
apresentando as boas idéias nós vamos tentando
colocá-las em prática, transformando em lei
e eu acho que isso vai beneficiar todo mundo.
Jornalista - O senhor falou nessa semana
sobre uma nova relação do governo com o empresariado.
Parece que já está acontecendo através
dessas medidas que nós falamos no início do
programa e o importante é que chegue ao consumidor
final, exatamente?
Presidente - Olha, o que nós estamos
colocando em prática é uma coisa em que eu
acredito. Eu aprendi na minha vida política a negociar,
a vida inteira. Eu fiz isso no movimento sindical e faço
isso no governo. Nós fizemos mais ou menos noventa
dias atrás, uma reunião com a CNI e todas
as 27 Federações das Indústrias do
país. Eles apresentaram um conjunto de propostas,
nós analisamos as propostas e na última sexta-feira,
em Belo Horizonte, nós tivemos o prazer de fazermos
a segunda reunião com a CNI e mais 27 presidentes
de Federações e poder discutir com eles o
atendimento de algumas coisas que eram um pleito de empresários
para que a gente pudesse reduzir alguns impostos, facilitar
para que as empresas tivessem mais capital de giro, mais
dinheiro para investimento, mais geração de
empregos, mais geração de salários,
conseqüentemente mais geração de rendas.
Esse é o mundo que nós buscamos construir.
Jornalista - Concretamente, o que foi tomado
de providência, presidente, nesse sentido?
Presidente - Nós anunciamos a criação
de um regime tributário especial para estimular os
investimentos nos portos, ou seja, todas as máquinas
e equipamentos para modernizar os portos ficaram isentos
de impostos. Nós anunciamos a redução
de IPI sobre máquinas e equipamentos para a indústria;
nós anunciamos modificações no Imposto
de Renda para aplicações; nós anunciamos
isenção tributária para o setor imobiliário,
e nós anunciamos redução da alíquota
do IOF para seguro de vida que está há muito
tempo parado e que não crescia, então nós
resolvemos tomar uma atitude para ver se estimulamos o setor.
Jornalista - Presidente, o que o governo
espera obter com esse pacote de medidas?
Presidente - Que os empresários,
tendo um pouco mais de recursos, possam investir mais nas
suas próprias empresas, possam comprar novos equipamentos,
possam contratar novos trabalhadores, possam produzir mais,
ganhar mais, gerar mais empregos, gerar mais riquezas. É
para isso que nós fizemos as medidas que fizemos
e eu estou convencido de que isso vai acontecer. Isso vai
acontecer não hoje, não amanhã. Isso
vai acontecer daqui um determinado tempo até as empresas
começarem a colher os frutos dessas medidas que nós
anunciamos.
Jornalista - Obrigado presidente por essa
conversa e até nosso próximo encontro.
Presidente - Obrigado a você Luiz.
Jornalista - O Café com o Presidente
volta na próxima edição. Um abraço
para você, obrigado pela sua companhia e até
lá.
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