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13/12/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista
–
Olá, amigos em todo Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro
e começo agora mais um Café com o Presidente,
programa de rádio do presidente Lula. Tudo bem, presidente?
Presidente
- Tudo bem Luiz.
Jornalista
– Presidente, o governo criou um programa para
o biodiesel, um novo combustível que pode ser obtido
a partir do óleo de várias plantas, desde a
soja, o girassol até o dendê, e que vai ser acrescentado
ao diesel na proporção de 2%. Qual a importância
do biodiesel para o Brasil?
Presidente
- Você esqueceu uma planta importante para
uma região muito importante, que é a minha região,
o Nordeste brasileiro, sobretudo o semi-árido nordestino.
Jornalista
–É uma das vantagens, presidente, cabem
muitos produtos...
Presidente
- Que é a mamona...
Jornalista
– A mamona.
Presidente
- Primeiro, eu quero cumprimentar nossos ouvintes,
dizer que hoje nós temos uma novidade aqui. Nós
temos a ministra Dilma Roussef, que foi a coordenadora do
grupo interministerial, que foi a coordenadora de um grupo
de mais de 60 pessoas envolvendo vários ministérios,
várias entidades empresariais, de trabalhadores, que
concluíram esse projeto, fizeram a medida provisória,
mandamos ao Congresso Nacional, foi aprovado e nós
hoje podemos sorrir e dizer que o Brasil sai na frente na
construção de um outro combustível menos
poluente, mais gerador de empregos e de tecnologia que o Brasil
domina, que é o biodiesel.
Para uns,
será da mamona, para outros, será da soja, para
outros, será da palma, para outros, será do
algodão, para outros, será do girassol. Ou seja,
é um combustível que, eu não tenho dúvida
nenhuma, dentro de pouco tempo, será uma fonte de riqueza
muito grande para o Brasil, não só porque nós
poderemos exportar o biodiesel para os países mais
desenvolvidos para que coloque um pouco, uma mistura no óleo
diesel.
Eu ainda
sonho que nós vamos ter logo, logo carro funcionando
a (bio)diesel e não a gasolina, porque ele é
menos poluente e muito mais gerador de empregos, muito mais
gerador de empregos. E o programa tem como objetivo, primeiro,
resolver parte do empobrecimento das regiões mais pobres
do Brasil, o semi-árido nordestino, uma parte do Norte
do país e regiões como o Vale do Jequitinhonha,
em Minas Gerais, que a gente quer ajudar a desenvolver.
Mas, também,
não é importante eu ficar falando muito disso,
porque a nossa ministra Dilma é que vai falar do programa
biodiesel. Dilma, você que, nesses últimos 12
meses, trabalhou dia e noite para que nós pudéssemos
aprovar esse projeto, diga aos ouvintes do programa Café
com Presidente o que significa o biodiesel para o Brasil.
Ministra
- Primeiro, bom dia, presidente, bom dia, Luiz, eu
queria dar um bom dia para todos os ouvintes. O programa Biodiesel
é um programa que combina algumas coisas estratégicas.
Primeiro, ele substitui o diesel de origem do petróleo
por um óleo vegetal. Esse óleo vegetal, por
sua vez, é produzido pela agricultura familiar. Gera
emprego e renda, ao invés de a gente transferir para
os outros países do mundo.
Porque
nós importamos diesel, presidente, e nós importaremos.
Agora em 2005, iríamos importar 4 bilhões de
litros. Com esse programa, nós vamos poupar, vamos
utilizar 800 milhões de litros de origem vegetal. Esses
800 milhões de litros vão ficar aqui no Brasil,
vão gerar emprego e renda nas regiões mais pobres
do Brasil, no Nordeste, na região do semi-árido,
no Norte, nas regiões do semi-árido nos outros
cantos do Brasil.
E ao mesmo
tempo, em todo o Brasil, vai possibilitar que a agricultura
familiar tenha um produto em que ela possa se manter, se desenvolver,
gerar para aquela família que vive dela o sustento
e, mais do que o sustento, o recurso para ter uma vida com
qualidade, para ter uma vida melhor.
Eu acredito
que uma outra característica desse programa é
que o Brasil sempre esteve na liderança quando se tratou
de combustível verde. Nós somos o país
que dominou a tecnologia do álcool. Hoje, no Brasil,
não existe nenhum carro que utilize menos de 25% de
álcool, e nós chegaremos a ter muito mais do
que isso na mistura que a gasolina, porque hoje temos um carro
que pode misturar os dois.
Com o biodiesel,
vai ser a mesma coisa. Nós somos capazes, e já
demonstramos isso, de ter um domínio absoluto dessa
tecnologia, de levá-la a um uso geral. Como disse o
presidente, vai chegar uma hora em que todos os caminhões,
todos os tratores, todos os sistemas de transporte e também
os veículos de passeio, os carros vão ser alimentados
por diesel produzido não nos postos de petróleo,
mas produzido em outra variante de poço, que é
uma plantação, de onde nós vamos tirar
o óleo. Essa plantação é como
se fosse um poço de petróleo.
Presidente
- Mais importante ainda, Luiz, e é importante,
a ministra pode nos explicar. Em um primeiro momento, em um
curtíssimo prazo, nós vamos poder gerar possibilidade
de ganhar no mínimo uma renda de R$ 3 mil por ano,
para 250 mil famílias que hoje trabalham na agricultura
familiar. Só para você ter idéia da dimensão
do programa, nós vamos precisar, logo, logo, dar emprego
para mais de dois mil engenheiros agrônomos para ajudar
as pessoas a plantarem, a melhorar a qualidade da mamona,
melhorar a qualidade da palma.
Eu penso
que, num curto prazo, o biodiesel terá o mesmo efeito
gerador de riqueza que teve o Proalcool, que teve a cana de
açúcar no Brasil. Porque é um combustível
que o mundo inteiro está querendo, porque agora vai
entrar em vigor o Protocolo de Kyoto, que obriga todos os
países a diminuírem a emissão de gases,
sobretudo do carro, e o biodiesel é muito menos poluente.
Então,
nós vamos ter um instrumento não apenas para
utilizar dentro do Brasil, gerar emprego, gerar riqueza e
distribuição de renda, como vamos ter um combustível
para exportação. Ou seja, eu fico imaginando
se a Alemanha, se o Japão, se a Itália, se a
Inglaterra, os Estados Unidos resolverem colocar biodiesel
nos motores dos seus tratores, dos seus caminhões,
dos seus ônibus, da sua termoelética, e de repente
o Brasil é o país que vai produzir biodiesel
de plantas que são próprias do Brasil, que tem
uma produção enorme e que a gente pode vender
para eles e fazer muito mais divisas para o Brasil.
Eu, Dilma,
estou convencido de que o biodiesel pode significar para regiões
mais pobres do Brasil aquilo que o álcool significou
para uma região como a região de Ribeirão
Preto. Ou seja, desenvolver o Nordeste brasileiro é
importante, porque o Nordeste é região esquecida
do país, sobretudo o semi-árido. E é
exatamente nessa região que nós queremos dar
dimensão da produção do biodiesel.
Jornalista
- Agora, presidente, só lembrando aqui um
dado: o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) tem linhas de crédito que prevêem o
financiamento de até 80% para todas as fases de produção
do biodiesel e, caso a empresa tenha o selo do combustível
social, o financiamento sobe para 90%.
Presidente
- Mais do que isso, acho que a Dilma pode explicar
para os nossos ouvintes o que significam as mudanças
que nós fizemos na política tributária
para o biodiesel e a política de financiamento. É
realmente um programa para ajudar a parte mais pobre da população
agrícola brasileira.
Ministra
- O que é a característica principal
no nosso programa é também a isenção
de imposto. Para o agricultor familiar no Norte e Nordeste,
que produz com mamona ou produz com dendê, 100%. Ele
estará 100% isento de imposto, ele não vai pagar
imposto, e isso vai permitir que ele tenha uma competitividade
maior, ou seja, que ele consiga colocar o seu produto com
muito mais garantia.
Para a
agricultura familiar no Brasil inteiro, e aí sem diferenciar
produto, vai ser uma isenção de 68%, ou seja,
ele não pagará 68% dos impostos - PIS-Cofins.
Para a grande produção no Norte e Nordeste,
aí numa clara sinalização da importância
do desenvolvimento dessas regiões que são as
mais pobres do Brasil, a isenção será
de 32% de todos os tributos PIS-Cofins.
Acontece
uma outra coisa muito importante: é que, no que se
refere ao Imposto de Produtos Industrializados, haverá
isenção para toda a produção de
biodiesel. Então, você terá de fato um
programa com sustentação para poder entrar no
mercado. São 2% que nós vamos misturar no diesel
no primeiro momento. Num segundo momento, nós chegaremos
a 5% e eu espero que logo, logo, nós chegaremos a 10,
a 20, até que o biodiesel tenha uma presença
não só muito grande aqui no Brasil, como lá
fora.
Presidente
- Eu tenho tido divergência com a Dilma, porque
acho que ela é pessimista. Eu penso que logo, logo
nós teremos no Brasil, na medida em que a gente tenha
capacidade de produção para atender um mercado,
porque, quando a gente produz um combustível, nós
temos que ter responsabilidade, porque não pode faltar
combustível no mercado. Quando o cidadão for
no posto de gasolina tem que ter o biodiesel, senão
o programa não vai para a frente.
E eu sonho
que logo, logo, a gente vai ter a indústria automobilística
brasileira produzindo carro a biodiesel. Por que não
produzimos carro a diesel hoje, e a Europa produz, os Estados
Unidos produzem? Porque o diesel é caro e nós
importamos. Grande parte do petróleo que nós
importamos é por conta do diesel.
Mas, na
medida em que a gente tem um combustível próprio,
na medida em que a gente tem a capacidade de produzir biodiesel
para atender a uma frota de carros produzida pela indústria
automobilística brasileira, nós vamos marcar
um gol de placa, ou seja, daqueles gols que se marca de século
em século, porque nós vamos ser um país
em que a gente vai ter combustível totalmente renovável,
combustível verde, o etanol e o biodiesel, que é
uma novidade no mundo.
E, nessa
área, Dilma, a verdade é que ninguém
pode competir com o Brasil. Nessa área, nós
somos mais nós. E aí, nós temos que falar
com muito orgulho. Olhando esse programa, a gente tem falar:
nós somos brasileiros e não desistimos nunca.
Eu acho que esse século é o século do
Brasil, e nós temos a graça de Deus de termos
começado a governar o Brasil no começo do século.
Outros virão e farão, quem sabe, mais e melhor
do que nós.
Jornalista
- Ministra, quando é que os nossos ouvintes,
o cidadão e, sobretudo, o pequeno agricultor vão
começar a sentir a implantação desse
programa na realidade, efetivamente?
Ministra
- Olha, ele já está sentindo. Lá
no Norte, em fevereiro, já estará sendo produzido
o biodiesel através da Agropalma, que congrega um conjunto
de pequenos agricultores da agricultura familiar. No Norte,
também já está. Aliás, eu acredito
também que em outros estados do Brasil, na medida que
o programa foi lançado, há já uma mobilização
da agricultura familiar, visando à produção
de oleaginosas para produzir biodiesel.
Jornalista
- Você está ouvindo Café com
Presidente. Nós recebemos hoje a presença também
da ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef. Tem um dado
aqui, ministra e presidente, ainda no segundo trimestre do
ano que vem, começa a produção de biodiesel
de soja em Cuiabá (MT) e de biodiesel de soja e girassol
em Rolândia (PR).
Ministra
-É verdade. Essas produções
começam nessa data. Eu acredito que o presidente tem
toda a razão. É possível que, a curto
prazo, a gente tenha carros que consumam diesel desde que
levem esse selo de certificação social. Aí,
de fato, o mercado não tem limite.
Jornalista
- Presidente, tem vários ministérios
envolvidos nesse programa: Agricultura, Ciência e Tecnologia,
Minas e Energia. Esse envolvimento de vários ministérios
traduz a importância desse programa do biodiesel?
Presidente
- Traduz. Traduz a importância, porque, na
primeira conversa que eu tive com a ministra Dilma, logo nós
fizemos uma reunião com o Ministério da Agricultura,
com o Ministério do Desenvolvimento Agrário,
com o Ministério da Ciência e Tecnologia, e nós
percebemos que todos estavam querendo discutir a questão
do biodiesel.
Então,
é um programa resultado de uma grande ação
de governo, envolvendo vários ministros, envolvendo
várias instituições de pesquisa no Brasil,
e eu tenho, Luiz, para mim, que esse programa tem para o Brasil
e tem para o Nordeste brasileiro a importância que teve
a política do presidente Roosevelt quando ele resolveu
desenvolver o Vale do Tennessee, nos Estados Unidos, que era
uma região muito pobre e que ele tomou uma decisão
de governo de que era preciso desenvolver aquela região.
Portanto,
eu quero te dizer: nós estamos tomando uma decisão
de governo para desenvolver as regiões mais empobrecidas
do Brasil. E eu não tenho dúvida nenhuma que
daqui a alguns anos nós estaremos vivendo momentos
de muita alegria, porque o Nordeste brasileiro vai definitivamente
deixar de ser a parte pobre do Brasil.
Jornalista
- Bom, você ouviu o Café com o Presidente.
Hoje, uma edição especial, o presidente Lula
recebendo a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, falando
sobre o combustível biodiesel, novo projeto de combustível
para o Brasil. Presidente Lula, muito obrigado pela participação.
Ministra Dilma Roussef, agradecemos também a sua presença.
Presidente
- Obrigado a você, Luiz.
Ministra
- Eu queria agradecer aos ouvintes a atenção
com que nos escutaram e desejar a eles um bom biodiesel.
Jornalista – Está certo. Obrigado,
presidente, obrigada, ministra e, dada a grande repercussão
do nosso último programa, quando nós falamos
sobre o ProUni, o Programa Universidade para Todos, vai aqui
um recado a você que quer fazer uma universidade particular
e não tem recursos. As inscrições para
o Prouni continuam abertas. Você tem que entrar na internet,
o endereço é www.mec.gov.br,
com seu número de inscrição do Enem,
o Exame Nacional do Ensino Médio, e também o
número do CPF. Não perca: www.mec.gov.br.
As inscrições vão só até
o dia 17 de dezembro. Acesse logo e faça a sua inscrição.
Um abraço para você, e até a próxima
edição do Café com o Presidente.
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