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Presidente
Lula: Bom
dia, Luiz.
Luiz
Fara Monteiro: Presidente, o senhor vai visitar hoje
alguns trechos de duplicação da BR-101 Nordeste.
O senhor vai a Natal, João Pessoa e Recife. Essa obra
era esperada há anos e não tem nada a ver com
a operação de emergência iniciada na semana
passada, não é presidente?
Presidente
Lula: Essa obra é uma promessa feita para o
Nordeste há muitos e muitos anos. É uma obra extremamente
importante porque é um corredor turístico para
o turista que quer percorrer o Nordeste. Ele vai ter uma rodovia
duplicada, moderna, que ele vai poder viajar com muita tranqüilidade.
Nós, na verdade, queríamos dar início nessa
obra em março de 2005. Foi feita uma licitação,
várias empresas ganharam, as que perderam entraram com
recursos, ganharam liminares, e nós decidimos começar
a obra dando um trecho dessa obra para que o Exército
brasileiro fizesse com seu batalhão de engenharia.
Luiz
Fara Monteiro: Por que o Exército, presidente?
Presidente
Lula: Veja, porque não podemos ficar esperando
a briga entre as empresas. A obra toda tem 336 quilômetros
de extensão, nós estamos dando para o Exército
fazer 142 quilômetros. Essa obra vai custar R$ 1,5 bilhão
e a parte do Exército vai ficar em R$ 520 milhões.
E ele vai fazer um trecho importante da obra na Paraíba,
um trecho importante em Pernambuco, um trecho importante da
obra no Rio Grande do Norte, enquanto nós vamos resolvendo
o problema dos outros trechos das empresas que estão
em disputa judicial. Se não resolver, nós vamos
dar tudo para o Exército porque o que queremos é
garantir que as pessoas tenham facilidade para transitar no
nosso país.
Luiz
Fara Monteiro: Essa semana também o senhor
inaugura uma ponte no Acre, qual a importância dessa obra?
Presidente
Lula: Essa ponte é extremamente importante
porque ela faz uma ligação entre o Brasil e o
Peru. É uma ponte que vai permitir o trânsito de
comércio com facilidade entre Brasil e Peru, vai permitir
o trânsito de pessoas. E é uma obra que vai ser
importante na medida em que está sendo construída
a Interoceânica, uma estrada que vai ligar o Norte do
Brasil com o Oceano Pacífico. Isso vai gerar desenvolvimento
extraordinário em toda a região e nós estamos
fazendo essa ponte porque é uma necessidade. Aliás,
é a segunda ponte que nós fazemos, uma Bolívia/Brasil
e essa Brasil/Peru, que são as primeiras pontes ligando
o norte do Brasil a essa região da América do
Sul. Portanto, vou inaugurar essa ponte como um passo muito
importante na integração da América do
Sul.
Luiz
Fara Monteiro: Presidente, e as obras de emergência
que começaram na semana passada para recuperar as estradas
em piores condições. Eu queria saber como está
o andamento do projeto e com o senhor vê algumas acusações
dizendo que essa obra é eleitoreira?
Presidente
Lula: Luiz, primeiro queria aproveitar a oportunidade
para dizer aos nossos ouvintes e a todo o povo brasileiro algumas
coisas que precisam ser ditas. O Brasil tem 58 mil quilômetros
de estradas federais. Durante muitos e muitos anos os motoristas
brasileiros são provas do descaso que se fez com a manutenção
dessas estradas. Quando tomamos posse pegamos praticamente 37
mil quilômetros totalmente deteriorados. Não tivemos
dinheiro no ano de 2003, muito pouco, nós tivemos apenas
R$ 2,5 bilhões em 2004 e somente em 2005 é que
nós tivemos R$ 6 bilhões empenhados. Eu vou dar
um exemplo porque tem muita gente dizendo que nós não
utilizamos o dinheiro da Cide [<i>Contribuição
de Intervenção do Domínio Econômico</i>].
Luiz
Fara Monteiro: Só lembrando aos nossos ouvintes,
presidente, que a Cide é um imposto cobrado sobre os
combustíveis para a manutenção das estradas.
Presidente
Lula: Luiz, a Cide, em 2005, arrecadou R$ 7,7 bilhões.
Desses, 29% foram passados para os estados, ficaram com a União
R$ 5,4 bilhões, e nós empenhamos nos transportes
R$ 6 bilhões em 2005 e tem no orçamento agora
mais R$ 6 bilhões para 2006. Portanto, somente agora
é que nós temos os recursos para fazer aquilo
que deveria ter sido feito há 10, 15 anos ou no meu primeiro
ano de governo. Como não tivemos o dinheiro e era preciso
juntar dinheiro para fazer, agora estamos fazendo aquilo que
é obrigação do governo. É importante
lembrar à população ainda o seguinte: nós
temos 26 mil quilômetros de estradas deteriorados agora,
porque quase 10 mil já foram consertados. Desses, 19
mil quilômetros já estão licitados e contratados
para fazer restauração. Estamos trabalhando nisso
desde junho, muitas das obras foram contratadas no mês
de outubro, então, desses 19 mil que já estão
licitados e contratados, faltam praticamente 7,4 mil quilômetros
que não têm licitação.
É
importante lembrar que desses 7,4 mil quilômetros que
estamos contratando, 5 mil quilômetros são de estradas
que foram estadualizadas ainda no governo anterior e que foi
passado R$ 1,8 bilhão para os estados fazerem 14 mil
quilômetros de estradas. Acontece que, mesmo passando
a Cide para alguns estados, eles não fizeram as estradas
que tinham sido contratadas pela Medida Provisória 82
feita ainda no governo passado.
Luiz
Fara Monteiro: Esse é o <i>Café
com o Presidente</i>. Você está ouvindo o
presidente Lula explicar por que houve dificuldade de manutenção
de estradas que foram transferidas em 2002 da área federal
para os estados. E como resolver isso presidente?
Presidente
Lula: Veja, nós estamos resolvendo porque não
podemos permitir que essa briga judicial, essa briga de compreensão
de quem é a responsabilidade entre o governo federal
e o governo estadual possa prejudicar o povo. Ou seja, então
nós assumimos a responsabilidade de fazer essas estradas.
Estamos fazendo a restauração de 19 mil quilômetros
e estamos fazendo uma operação tapa-buraco naquela
parte que está mais deteriorada das estradas. Ou seja,
você tem uma estrada que precisa ser consertada, mas que
ainda dá para transitar, e nessa mesma estrada tem lugares
que tem tanto buraco que não dá mais para um carro
transitar porque pode quebrar a ponta de eixo de um caminhão,
pode estourar o pneu de um caminhão, o que vai ficar
muito mais caro para o motorista.
E
o que estamos fazendo? Estamos tentando pegar aquelas coisas
emergenciais e estamos fazendo um tapa-buraco. Sabemos que é
questão emergencial. É como se um cidadão
tomasse um tiro, fosse ferido, qual é a primeira atitude
que o médico toma quando o cidadão está
perdendo muito sangue? É estancar o sangue, depois leva
ele para a cirurgia para fazer o tratamento adequado. Nós
estamos fazendo esse estancamento inicial para depois fazer
a cirurgia definitiva que é a restauração,
por isso eu estou convencido de que alguns que estão
fazendo críticas – tenho acompanhado pela imprensa,
tenho visto pelo rádio, pela televisão –
e o povo compreende, ou seja, se nós não fizéssemos
eles estariam criticando que nós não tínhamos
feito, nós estamos fazendo, eles estão criticando
que nós estamos fazendo. Entre não fazer e ser
criticado e fazer e ser criticado, eu prefiro fazer. Veja outra
coisa, nós estamos fazendo e alguns estão dizendo
que são obras eleitoreiras, mas se nós não
fizéssemos continuariam sendo eleitoreiras para eles.
Porque aí todos eles já estariam fotografando,
filmando, para colocar em seus programas de televisão.
Ora, entre a briga partidária e o povo, eu vou ficar
com o povo.
Sabemos
que o povo tem razão de reclamar, porque quando o cidadão
sai com o caminhão, com uma carga, ele quer chegar inteiro,
ele não quer chegar atrasado, ele não quer estourar
pneu, ele não quer quebrar mola, eixo de caminhão.
Com o carro a mesma coisa, o cidadão sai com sua família
para passear, ele que chegar inteiro com a família, ele
não quer ter acidente. Mas, além dessas emergências,
é importante lembrar que depois de muitos e muitos anos,
depois de muitas promessas, nós estamos fazendo com muita
rapidez a BR-101 Sul, ligando Palhoça a Osório,
que vai completar a ligação com a BR-116, garantindo
que as cargas do Mercosul possam transitar com mais facilidade
e, sobretudo, os passageiros, os turistas brasileiros que vão
para a Argentina e o Uruguai. Os uruguaios e argentinos que
vêm para o Brasil vão poder transitar com muito
mais facilidade. Além disso, terminamos a BR-381, que
liga Minas Gerais a São Paulo, que estava há 13
anos para ser concluída. Concluímos a BR-116,
faltando só a Serra do Cafezal que vai ser licitada agora
para a empresa que vai administrar a estrada. Então,
nós estamos fazendo, Luiz, aquilo que é necessário
e vital fazer nesse momento.
Luiz
Fara Monteiro: O senhor acredita que vai chegar ao
fim desse mandato com as estradas em mínimas condições
para os motoristas, presidente?
Presidente
Lula: Nós vamos chegar com as estradas em melhores
condições. Certamente não vamos chegar
no ideal, porque são 26 mil quilômetros de estradas
que estamos cuidando agora, que estão em situação
de precariedade. Desses, 19 mil já estão contratados,
portanto, quero dizer aos caminhoneiros do Brasil, quero dizer
aos motoristas que percorrem as estradas brasileiras: estejam
certos de que se nós não fizemos antes foi porque
não pudemos fazer antes. E estamos fazendo agora porque
agora temos dinheiro para fazer. Vou repetir os números:
em 2005 empenhamos R$ 6 bilhões e vamos outra vez empenhar
R$ 6 bilhões em 2006. Se nós continuarmos colocando
essa quantidade de dinheiro certamente, em poucos anos, teremos
as estradas brasileiras todas consertadas e muitas estradas
novas.
Luiz
Fara Monteiro: Obrigado presidente e até a
segunda-feira que vem.
Presidente
Lula: Obrigado a você Luiz.
Luiz
Fara Monteiro: O Café com o Presidente
fica por aqui, um abraço a você que nos acompanhou
e até a próxima semana. Acesse o Café
na internet, o endereço é www.radiobras.gov.br
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