Lula defende saúde bucal

 

 

18/10/04
Ao ar na Rádio Nacional

Jornalista – Presidente, o senhor lançou 64 centros de especialidades odontológicas. São as clinicas que fazem parte do Programa Brasil Sorridente. Nós falamos sobre isso no nosso programa, mas eu vejo que cada vez que voltamos ao assunto o senhor fica mais satisfeito. Por quê?

Presidente – Eu fui diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo muito tempo e briguei durante muito tempo com as empresas, por exemplo. As empresas automobilísticas faziam convênios com empresas de assistência médica e lá não estava previsto o tratamento dentário para as pessoas. E eu sempre achei um absurdo que a boca não fosse tratada como uma questão de saúde pública, porque todo o restante do corpo é, menos a boca, exatamente por onde entra grande parte das doenças que o ser humano tem.

Então, o nosso governo, através do Ministério da Saúde, resolveu fazer com que a política de saúde bucal fosse levada a sério, com base inclusive em pesquisas do Ministério da Saúde, que são estarrecedoras. Só para você ter uma idéia e nossos ouvintes também entenderem, no Brasil só 55% dos adolescentes têm todos os dentes, três em cada quatro idosos já não possuem nem um dente na boca. Como eu viajo muito pelo Brasil e viajo muito a periferia dos grandes centros urbanos, é lá que a gente constata efetivamente a situação da saúde bucal no Brasil, porque você está numa manifestação pública, você vê jovens de 17,18 e 19 anos já sem dentes na boca; e não tem nada pior do que uma menina de 18 anos, 19 anos, não poder mais sorrir, não poder conversar de forma mais aberta com seu namorado, ou com seus amigos, não poder rir. Ninguém vai sorrir se não tiver dente na boca, essa pessoa vai ficar com vergonha.

Jornalista – Presidente, qual é o foco principal deste programa, a prevenção ou o tratamento?

Presidente – Os dois. A prevenção, ela será feita pelas equipes de saúde bucal, que eram 4 mil, hoje são 8.800 e serão, até o final de 2006, 16 mil equipes, que quando visitarem a casa das pessoas vão fazer a prevenção, vão olhar os dentes das pessoas, vão ensinar as pessoas a escovar os dentes, e se as pessoas tiverem alguma coisa mais delicada para fazer, um tratamento mais especializado, aí sim vai ter um centro de saúde bucal, que a pessoa vai marcar por telefone, vai lá, vai fazer o tratamento que precisar fazer, desde tratamento de canal à correção dos dentes, sobretudo das crianças. Se precisar fazer prótese, vai fazer prótese de qualidade para evitar que as pessoas sejam manipuladas, como acontece em várias partes do Brasil em época de eleição.

Esses 400 centros, é importante explicar para nossos ouvintes, cada grupo de 500 mil habitantes vai ter um centro. Por exemplo, uma cidade como São Paulo, que tem 10 milhões de habitantes, vai ter um centro para cada 500 mil pessoas. Então, as pessoas vão poder marcar por telefone, não vão precisar sair de manhã e ficar esperando 4, 5 horas. É só marcar por telefone e no seu dia vai lá, vê o que tem que fazer no dente e vai tratar o dente com respeito, de forma adequada e com muita qualidade. É por isso que eu estou feliz, porque era um sonho que eu tinha, era um desejo que eu tinha, fazer com que a boca fosse tratada como uma questão de saúde pública.
Porque no Brasil, Luiz, acontece uma coisa: dor de dente é para pobre, porque o rico vai no dentista desde pequenininho, o pobre não pode ir porque não pode pagar.

Jornalista – Não tem convênio.

Presidente – Não. E uma obturação custa muito caro. Um tratamento bucal custa muito caro. Então, isso não está à disposição das pessoas pobres, das pessoas que ganham menos.

Jornalista – Presidente, a fluoretação nos municípios que possuem estações de tratamento de distribuição de água é uma obrigação, está na lei desde 1974. Por que essa determinação nunca foi cumprida à risca?

Presidente – porque, muitas vezes, no Brasil, tem lei que é feita e que as próprias autoridades que fizeram não fiscalizam, porque isso atinge diretamente as pessoas mais necessitadas. Eu vou dar um exemplo. Custa um real por pessoa, por ano, colocar flúor na água em todas as cidades que têm estação de tratamento de água. R$ 1 por ano por pessoa. Significa que é muito barato e isso vai evitar 60% das cáries que nós temos hoje. Nós também vamos distribuir kits para as crianças escovarem os dentes, vamos começar com 500 mil kits nas escolas, e também vamos entregar nas casas das pessoas com as equipes de saúde bucal. Voce vai perceber, daqui a alguns anos, que o povo brasileiro vai estar sorrindo melhor, o povo brasileiro vai estar mais saudável, porque a água vai ter flúor, porque ele vai ter acesso ao dentista, vai ter acesso ao tratamento adequado. Nós pretendemos fazer com que essa política seja uma política que atenda a totalidade das pessoas que precisam de dentista no Brasil. Nossas crianças têm que passar pelo dentista, nossos adolescentes têm que cuidar dos seus dentes e os nossos velhinhos têm que poder comer bem. E quem não tem dente não pode comer bem. Por isso que o Estado está cumprindo a sua parte.

Jornalista – Presidente, obrigado por essa entrevista. Até o nosso próximo encontro e que o povo brasileiro possa sorrir cada vez mais.

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