| 20/09/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista – Olá, amigos em
todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro e está começando
mais um Café com o Presidente, o programa de rádio
do presidente Lula. Tudo bem, presidente?
Presidente –
Tudo bem, Luiz.
Jornalista
– Presidente, o Senado
aprovou o projeto que o governo enviou sobre empréstimos
para aposentados. Como o senhor recebeu a aprovação
desta lei?
Presidente –
Eu recebi, eu diria, muito feliz porque era um desejo do governo.
Depois do sucesso que nós tivemos com o empréstimo
em folha para os trabalhadores brasileiros da ativa, que deixaram
de pagar em média 7,5% de juros por mês para
pagar 2% em média - um ganho excepcional para o trabalhador
- nós queríamos estender isso para o aposentado.
Porque você sabe que o aposentado, além de ganhar
pouco, às vezes ele precisa de R$ 300, R$ 400 e não
tem quem empreste para ele. Com essa lei que nós mandamos
para o Congresso Nacional - que foi aprovada primeiro na Câmara
e, na semana passada, no Senado - significa que o aposentado
brasileiro vai poder chegar num banco e pegar esse empréstimo
e vai pagar juros que começam em 1,75% e vão
até 2 e alguma coisa. Ou seja, é um juro muito
pequeno diante do que ele pagava antes. É um juro muito
pequeno diante do que o comércio cobra.
Vamos supor que um trabalhador precisa tomar
R$ 1 mil emprestados para comprar um eletrodoméstico
que, muitas vezes, se ele fosse na loja pagar prestação,
ele ia pagar 150% de juros no ano. Ele pode tomar o dinheiro
emprestado e vai comprar o aparelho que ele precisa comprar
à vista, ou para fazer uma viagem com a sua família,
ou para visitar um filho. O que é importante é
que ele não pode comprometer mais de 30% do seu salário.
Essa é uma cautela que o governo teve
porque muitas vezes na euforia é possível que
alguém queira fazer uma dívida e comprometer
100% do seu salário. Depois, chega o dia do pagamento
e ele não tem o que receber. Então, o governo
mandou para o Congresso e o Congresso aprovou que ele só
pode ter uma prestação de no máximo 30%
de seu salário. Eu acho que é um benefício
enorme porque coloca dinheiro em circulação,
tira o aposentado, como nós já tiramos o trabalhador
da ativa, da mão da agiotagem e ele vai poder tomar
empréstimo como cidadão, com contrato feito,
e pagar descontado em folha.
Jornalista
– O fato de livrar as
pessoas da agiotagem é muito importante, não
é presidente? O ministro Palocci, que visitou os nossos
estúdios agora há pouco, lembrava que 40 milhões
de pessoas limparam o nome desde o início do ano em
relação à dívida.
Presidente –
Essa foi uma coisa importante porque, logo que começou
o empréstimo para os trabalhadores da ativa, a informação
que eu recebi dos bancos era que o primeiro empréstimo
que o trabalhador fez nos bancos foi para pagar dívida
velha. Para que ele pudesse limpar o nome dele na praça
e para que ele pudesse outra vez virar um consumidor respeitado,
um consumidor 100% limpo na praça. Esse foi um sucesso
excepcional, eu estou aguardando a lei chegar ao meu gabinete
para sancioná-la e a partir de então os aposentados
vão ser um pouco mais cidadãos do que já
são hoje.
Jornalista
– O senhor participou
do lançamento do Seguro da Agricultura Familiar, o
antigo Proagro, e pediu que ele tivesse uma grande divulgação.
É tão importante assim esse seguro rural?
Presidente –É
importante porque muitas vezes nós fazemos uma lei
e, se nós não divulgarmos corretamente, as pessoas
não vão tomar o dinheiro emprestado que nós
colocarmos à disposição deles. Nós
já temos o maior empréstimo do Pronaf da história
do Brasil, R$ 7 bilhões para a safra 2004-2005. E agora
nós criamos o seguro para o agricultor da agricultura
familiar. Esse seguro significa que o trabalhador vai ter,
se tiver uma geada, se tiver uma seca muito grande ou se a
chuva for muito forte na época da colheita e ele perder
tudo, o seguro vai cobrir 100% do prejuízo que ele
teve. O que é importante e a grande novidade é
que, além de cobrir 100% do prejuízo que ele
teve, vai analisar com o trabalhador quanto é que ele
iria ganhar se tivesse feito sua colheita normalmente. Então,
ele vai receber 65% daquilo que era o lucro que ele ia ter
com a sua produção.
Jornalista
– Presidente, eu tenho
aqui um exemplo simplificado do Seguro de Agricultora Familiar.
Um agricultor financiou R$ 1 mil, aplicou tudo na sua lavoura
e espera uma receita líquida de outros R$ 1 mil com
a sua colheita. Vai pagar um seguro de 2% sobre R$ 1.650,
que é a soma do financiamento mais 65% desta expectativa
de receita. No total, portanto, ele paga um seguro de R$ 33.
Se por uma chuva ou geada, por exemplo, ele tiver uma perda
total de sua safra, ele tem seu financiamento de R$ 1 mil
totalmente quitado e ainda recebe os 65% da receita líquida
esperada, ou seja, R$ 650. Para maiores informações
sobre o Seguro da Agricultura Familiar procure o seu sindicato,
cooperativa, agente financeiro ou a Emater – Empresa
de Assistência Técnica de Extensão Rural.
Presidente –
Nós precisamos incentivar que o movimento sindical
divulgue, que o rádio e a televisão divulguem,
que as cooperativas divulguem para que os trabalhadores procurem
o dinheiro. Isso pode ajudar e muito. Nós não
podemos permitir que os pequenos agricultores brasileiros
sejam prejudicados com chuva ou com sol. O governo tem que
agir para ajudar essa gente a produzir e produzir alimento
de qualidade para que o povo brasileiro possa viver mais e
viver melhor.
Jornalista
– Obrigado, presidente,
e até o nosso próximo encontro.
Presidente –
Obrigado, Luiz, e mais uma
vez obrigado aos ouvintes do programa Café com o Presidente.
Jornalista
– Obrigado, presidente
Lula. O nosso programa fica por aqui. O Café com o
Presidente volta daqui a 15 dias. Um abraço para você
e até lá.
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