| 21/02/05
Ao ar na Rádio
Nacional
Jornalista
– Olá amigos em todo
o Brasil. Começa agora mais
uma edição do programa
Café com o Presidente,
programa de rádio do presidente
Lula. Eu sou Luiz Fara Monteiro.
Tudo bem, presidente?
Presidente
– Tudo bem, Luiz.
Jornalista
– Presidente, o senhor está
cuidando pessoalmente da ação
do governo no estado do Pará.
Conflitos fundiários têm
gerado ações violentas,
como as mortes nos últimos
dias da missionária Dorothy
Stang, do agricultor Adalberto Xavier
Leal, do líder comunitário
Cláudio Matogrosso e do sindicalista
Daniel Soares da Costa Filho.
Presidente
– É abominável
que as pessoas ainda achem que um
revólver 38 seja a solução
para um conflito, por mais grave
que ele seja. Então, nós
não descansaremos enquanto
não prendermos os assassinos.
E mais do que isso: prender os mandantes
para que a gente mostre, claramente,
que no nosso governo não
tem impunidade, que a Amazônia
é nossa e que vamos tomar
conta do nosso território
com soberania, sem vacilação.
Jornalista
– Presidente, essa violência
é uma reação
à preservação
da floresta, com a criação
de reservas e assentamentos?
Presidente
– Quando estamos criando áreas
de preservação ambiental,
quando estamos criando parques,
quando estamos legalizando propriedades
para fazer a reforma agrária,
quando estamos aumentando os contratos
do Pronaf (Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar).
Para se ter uma idéia, em
2002, tínhamos 5 mil contratos
feitos com o Pronaf. Isso significa
que 5 mil famílias tinham
contratado empréstimos. Em
2004, são 54 mil contratos
do Pronaf. Dez vezes mais. Nós
saímos de uma bagatela de
R$ 45 milhões, que é
muito pouco, para um montante de
R$ 307 milhões no ano de
2004.
Então,
essas coisas têm incomodado
alguns reacionários, alguns
conservadores da área madeireira.
Porque os bons madeireiros estão
trabalhando de acordo com o governo,
estão fazendo parcerias com
a ministra Marina. Ora, da mesma
forma que a gente dá, enquanto
Estado, concessão para explorar
o gás, para explorar a água,
para explorar o petróleo,
temos que ter autoridade para dar
concessão às madeireiras
a derrubar uma árvore. Uma
árvore que às vezes
demorou 400 anos para se formar.
O cidadão não pode
chegar lá e cortar, achando
que não tem nenhuma responsabilidade
com as futuras gerações.
A floresta é um bem da humanidade,
é um bem do Brasil e é
uma riqueza. Agora, mais do que
em outro momento, com a aprovação
do protocolo de Quioto. Então,
nós não vamos arredar
o pé. Vamos ser firmes, vamos
manter o controle.
A
ministra Marina tem total controle
da situação. Nós
não estamos fazendo nada
que não seja discutido democraticamente.
Foram feitas dezenas de reuniões
durante dois anos e as pessoas de
bem estão compreendendo e
querem trabalhar. E esses, que se
precipitaram e mataram pessoas,
terão que ser punidos. O
lugar que está reservado
a esses cidadãos, tanto aos
assassinos quanto aos mandantes,
chama-se cadeia.
Jornalista
– Presidente, eu gostaria
que o senhor explicasse esse projeto
enviado ao Congresso que regula
a exploração da floresta.
Presidente
– Nós enviamos ao Congresso
Nacional um projeto de lei que estava
sendo discutido há quase
dois anos no governo. É um
projeto complexo e, por isso, discutimos
muito com a sociedade. Foi enviado
um projeto de lei de gestão
de florestas públicas. O
projeto, na verdade, pretende regulamentar
o uso sustentável de florestas
públicas brasileiras e vai
criar o Serviço Florestal
Brasileiro e o Fundo Nacional de
Desenvolvimento de Florestas - que
vai, inclusive, ajudar no desenvolvimento
da indústria madeireira,
com um fundo próprio que
estamos criando. O projeto de lei
é a maior demonstração
de que a gente não quer proibir.
A gente quer apenas regulamentar.
A gente quer apenas fazer a coisa
de forma mais civilizada.
Também
mandei uma Medida Provisória
preventiva para evitar que, enquanto
a lei é aprovada, as pessoas
desmatem. Esse projeto de lei é
uma revolução na proteção
da Amazônia e acho que o Brasil
e a sociedade brasileira estão
aceitando muito bem. Nós
estamos mostrando o seguinte: atingimos
a maioridade na política
ambiental. Atingimos a maioridade
no controle da nossa Amazônia
e no controle das nossas florestas.
Acho que esse projeto de lei é
a cara da própria companheira
Marina. Eu digo sempre: feliz o
país que pode ter uma ministra
da magnitude, com o compromisso
e a origem da companheira Marina.
Portanto, nós estamos dando
ao Brasil o que o Brasil precisa
e merece.
Jornalista
– Você está ouvindo
o Café com o Presidente.
Presidente, vamos falar de política?
A Câmara dos Deputados tem
agora como presidente o deputado
Severino Cavalcanti do PP e o seu
partido, o Partido dos Trabalhadores,
está fora da Mesa Diretora.
Como o governo recebe essa nova
Câmara?
Presidente
– Olha, de vez em quando se
vende como se o mundo tivesse acabado.
Estava acompanhando a votação
na Câmara e vi o noticiário
como se o mundo tivesse acabado.
Não. O que aconteceu na Câmara?
Aconteceu um movimento que resultou
na eleição de um companheiro
do PP, que é o Severino.
E eu não vejo nenhum problema.
Não vejo nenhum problema
de trabalhar com o Severino, como
trabalhamos com o João Paulo.
Como trabalharemos com outros no
futuro. Tenho que governar o país,
independentemente de quem seja o
presidente da Câmara, de quem
seja o primeiro-secretário,
o tesoureiro. Tenho que governar
o país. Os projetos que enviaremos
à Câmara são
de interesse do Brasil e não
serão projetos de interesse
pessoal do presidente da República.
Jornalista
– Obrigado, presidente, e
até o nosso próximo
programa.
Presidente
– Obrigado a você e
aos nossos ouvintes.
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