| 21/04/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista: Alô amigos, em todo o Brasil. Eu sou Luís Fara Monteiro e está começando mais uma edição do “Café
com o Presidente”, o programa de rádio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tudo bem, Presidente?
Presidente: Tudo bem, Luís.
Jornalista: Presidente, que tratamento especial o governo quer oferecer para os nossos idosos?
Presidente: Veja, não é porque eu tenho 58 anos de idade, que estou chegando perto da terceira idade, que eu quero cuidar da terceira
idade com carinho. É porque eu acho que todos nós, seres humanos, precisamos compreender que tem dois momentos na nossa passagem pela terra que precisamos de
mais cuidado: quando somos crianças, que temos os nossos pais que nos pegam no colo, nossas mães que nos amamentam, que passam noites acordados para tomar conta
da gente e quando a gente fica velho, que fica mais frágil, até para a doença.
Então, o que nós estamos fazendo? Nós, primeiro, aprovamos o estatuto do idoso, que era uma reivindicação histórica
dos aposentados brasileiros para transformar as pessoas da terceira idade em pessoas tratadas com dignidade e respeito.
Segundo, nós, no ano passado, fizemos uma coisa extraordinária. Nós conseguimos um recorde quando fizemos a campanha da vacina
para combater a gripe. Nós conseguimos atender 82% das pessoas de terceira idade no Brasil e a média mundial é de 70%. Nós chegamos a 82%. Por
isso eu queria fazer um apelo a um neto, a um filho. A um neto, que dê ao seu avô o mesmo carinho que ele lhe dá enquanto avô. A mesma preocupação
que o avô tem ao cuidar da doença de um neto, o neto deve ter ao cuidar da doença do avô. Então, por favor, incentivem o seu avô a
ir tomar a vacina, incentivem a sua avó a ir tomar a vacina. Com a mesma rigidez que eles lhes cobram as coisas, cobrem deles. Levem eles. Eu sei que você não
vai poder pegar ele no colo como ele lhe pegou quando você era criança, mas pegue na mão e leve. Porque você estará permitindo que seu avô
e que sua avó viva um pouco mais e fique livre de determinadas doenças causadas pelo vírus da gripe.
Estamos começando uma campanha nacional e se os filhos e os netos tiverem pelos pais e pelos avós o mesmo carinho que os avós tiveram
por eles, certamente nós atingiremos a nossa meta e os nossos velhinhos serão tratados com muito mais respeito.
Jornalista: Presidente, o senhor falou da saúde do idoso, agora como é que fica a saúde financeira do idoso brasileiro?
Presidente: Olha, nós temos um problema sério no Brasil que é o baixo poder aquisitivo da sociedade brasileira. E nós temos
um déficit crônico na Previdência Social que muitas vezes não permite que as pessoas tenham um salário que seria ideal para sobreviverem.
Nós estamos preparando as bases para que a gente possa cumprir com os nossos compromissos e dobrar o poder aquisitivo do salário mínimo no Brasil. Agora
enquanto essas coisas não acontecem, nós vamos criar mecanismos para facilitar a vida do aposentado.
Hoje, se um aposentado quiser fazer um empréstimo num banco, ele não pode. Ou porque não tem crédito ou porque a taxa de
juros que o banco cobra é tão alta que ele não pode pagar. Então, o ministro da Previdência está preparando um pacote e eu devo anunciar
isto nos próximos dias, em que a gente vai, através do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e dos bancos particulares, criar uma política
de financiamento de empréstimos para aposentados a juros muito baixos. Isso para que o aposentado possa, se quiser, fazer uma viagem. Ele irá poder tomar seus
mil reais emprestados, seus mil e quinhentos reais emprestado, para pagar em 24 meses, em 12 meses ou em 6 meses, a um juro muito pequeno que ele possa pagar. E nós
vamos fazer de tal forma que a prestação que ele tenha que pagar não possa nunca ultrapassar 30% do seu salário. Porque o empréstimo não
é para sufocá-lo é para ajudá-lo.
Mais ainda. Nós vamos criar as condições para que a Previdência Social possa tornar públicas para o brasileiro, todo
santo mês, informações sobre a taxa de juros que estaremos cobrando dos aposentados. Nós já fizemos isso para a iniciativa privada. O movimento
sindical já fez acordo com o sistema financeiro para tomar empréstimo e descontar na folha de pagamento. Isso não é a salvação de
ninguém, mas certamente ajuda.
Eu digo sempre o seguinte: eu, quando vejo a minha sogra ir na Caixa Econômica levar a aliancinha dela, levar o colar dela, para penhorar, para
ter um dinheirinho para fazer uma coisa extra, isso não vai precisar ser mais feito. Isso vai acabar porque ela pode ir ao banco em que recebe e pegar um dinheirinho
emprestado em suaves prestações. E vai poder fazer o seu passeio e poder cuidar da sua saúde.
Além do empréstimo, nós vamos fazer uma outra coisa que vai começar a ser lançada a partir do próximo mês,
que é a farmácia popular. Nós vamos garantir para as pessoas que tomam remédio todo dia, todo ano, que são remédios para o coração,
que são remédios para a diabetes, que essas pessoas vão ter remédios muito mais barato tanto na rede privada quanto nas farmácias populares
que nós vamos construir neste país. Nós inauguraremos as primeiras em maio e pretendemos até o final do ano chegar a um número razoável
pra facilitar a vida das pessoas mais idosas no Brasil.
Ou seja, significa que nós estamos tratando dos nossos velhinhos como um dia nós tratamos dos nossos filhos, com o maior carinho e com
o maior respeito.
Jornalista: Obrigado, presidente.
Presidente: Obrigado a você, Luís.
Jornalista: E o nosso programa fica por aqui. Acesse o “Café com o Presidente” na Internet
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