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24/01/05
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista
–
Olá, amigos em todo Brasil. Eu sou Luiz Farah Monteiro
e esta é mais uma edição do programa
<i>Café com o Presidente</i>, programa
de rádio do presidente Lula. Gravando o programa nos
jardins da Residência Oficial do Torto. Presidente,
a proximidade com tantas plantas e animais silvestres ajuda
a descontrair um pouco o fim de semana do senhor, né?
Presidente – O Torto tem de interessante
esta mata natural e aqui você tem passarinhos, ema,
mutum. Tem até um veadinha chamada Safira que o Ibama
trouxe para cá. E a Marisa gosta disso. Ela vai cuidando
dos bichinhos.Um dia destes assistimos até o parto
de um macaquinho que teve dois filhotes aí.
Jornalista –
Presidente,
o senhor falou em mata, a gente lembra da floresta Amazônica.
Duzentos estudantes partiram para implementar a volta do Projeto
Rondon. O que significa o retorno deste projeto e como funciona
o projeto Rondon?
Presidente – O projeto Rondon é
um projeto de integração do chamado “Brasil
desenvolvido” com o “Brasil não-desenvolvido”.
Ele leva estudantes de outros centros urbanos para conviverem
com as comunidades locais. Vão alfabetizar, vão
fazer pesquisas sobre saúde, mas também ajudar
a cuidar da saúde.
Jornalista –
Quem
vai aprender mais nesta história, presidente?
Presidente – No fundo no fundo vai
ser a grande aula que os estudantes vão ter. Porque
normalmente os estudantes são gente de classe média,
gente que vive em centros urbanos. E de repente vão
conviver com índios ou com pessoas que nunca foram
à cidade grande, pessoas que não tem muitas
informações sobre como cuidar da saúde.
Vão aprender muito mais do que ensinar na minha opinião.
De forma
que estou muito satisfeito. Era um sonho que eu tinha que
é uma forma de fazer com que a palavra solidariedade
volte a ser utilizada pelo povo brasileiro. Porque é
um grande gesto de solidariedade, um grande gesto de boa vontade
um grupo de jovens sair de sua comodidade e se dirigir para
uma cidade do interior para conviver com a temperatura adversa,
com um calor imenso que estava em Tabatinga.
E
esses estudantes todos felizes, alegres, ou seja, como se
eles tivessem também realizando um sonho. Alegria era
tanta que eu imaginava que ele estava pensando: – “Finalmente
eu vou ser solidário a alguém. Vou poder estender
os meus conhecimentos a alguém que não teve
a mesma chance que eu”.
Jornalista –
Presidente,
na última sexta-feira o senhor fez uma visita a um
acampamento de sem terra em Eunápolis na Bahia. E lá
o senhor disse o seguinte: eu tenho certeza que a gente volta
para o lugar de onde veio. O que o senhor quis dizer com isso?
Presidente – Esta frase na verdade
é o seguinte. Eu tenho nítido na minha cabeça
que eu, quando terminar o meu mandato, eu vou voltar para
São Bernardo. Vou ficar a 600 metros do Sindicato dos
Metalúrgicos, onde tudo começou na minha vida.
Vou ter convivência com os sem-terra, vou ter convivência
com os movimentos sociais que são a base da minha formação
política, que são a minha origem.
Quando
eu disse isso é porque eu quero que eles saibam que,
embora eu esteja presidente, eu tenho a mesma visão
que eu tinha antes de ser presidente sobre o mundo real. Quando
eu chego a um acampamento dos sem-terra, que eu vejo centenas
de pessoas pobres, que estão há dois anos debaixo
de um barraco de lona preta, e essas pessoas continuam com
o mesmo discurso de esperança que tinham a dez anos
atrás, sou obrigado a reconhecer que o presidente da
República precisa receber todo o mundo e governar para
todos. Não pode esquecer quem é mais companheiro
e quem é menos companheiro.
Jornalista –
O
senhor lembrou aos sem-terra a importância do diálogo,
né, presidente?
Presidente – É porque eu acredito
que, quando a gente fala de reforma agrária, a gente
não tem que pensar apenas no assentamento. Mas o problema
é que você já tem milhares, milhares e
milhares de pequenos proprietários que já tem
a terra e que precisam ter assistência técnica,
precisa ter financiamento para o custeio, precisa ter garantia
de preço e isso que nós estamos fazendo com
uma intensidade muito grande.
E eu faço
questão de lembrar estas coisas, porque também
todo mundo sabe que nós estamos subordinados a uma
Constituição. A leis que o presidente da República
tem que cumprir, que os sem-terra tem que cumprir, que o empresário
tem que cumprir, que todos nós temos que cumprir. Mas
eu acho que as pessoas têm a compreensão que
o processo político é um processo lento, as
mudanças não são com a rapidez que a
gente deseja.
Mas
o que é importante é que a gente esteja com
a consciência tranqüila de que as coisas vão
acontecendo. O Brasil voltou a crescer de forma muito robusta,
porque a indústria de São Paulo, por exemplo,
cresceu o ano passado como não crescia há 18
anos neste país. Então, nós agora temos
mais fôlego e mais força para cuidar de outros
problemas sociais que são muito importantes. Um deles
é a reforma agrária.
Jornalista –
Presidente,
obrigado mais uma vez e até o nosso próximo
encontro.
Presidente – Obrigado a você,
Luis. E obrigado mais uma vez aos ouvintes e vamos continuar
andando pelo Brasil. Esse é o ano que nós vamos
inaugurar muitas obras pelo Brasil e eu estou convencido que
este ano será infinitamente melhor do que 2004, do
que 2003 e, se Deus quiser, 2006 ainda será melhor
que 2005, 2004, 2003.
E
eu espero que daí para frente, 2007, 2008 2020, 2030,
o Brasil continue crescendo porque este povo não vai
perder a oportunidade que o Brasil está tendo.
Jornalista –
E
ao som dos pássaros da Residência Oficial do
Torto a gente encerra a edição do <i>Café
com o Presidente</i> que volta daqui a 15 dias. Acesse
o nosso programa também pela internet: www.radiobras.gov.br.
Um abraço para você e até o nosso próximo
encontro.
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