| 26/07/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista
- Repórter: Tudo bem presidente?
Presidente
- Tudo bem, Luiz.
Jornalista
- Presidente, nesta sexta feira, o senhor resolveu
enfim o problema de aposentados e pensionistas que já
durava mais de dez anos. Mais de um milhão e oitocentos
mil beneficiados receberão reajustes de 39% e vai
ser corrigido um erro que vem desde o Plano Real. Como foi
conciliar o cumprimento de um ato da justiça com
o equilíbrio das contas públicas?
Presidente
- Primeiro, eu gostaria de cumprimentar os ouvintes
do Programa Café com o Presidente. Segundo, eu gostaria
de cumprimentar os aposentados, as aposentadas, os pensionistas
brasileiros e as pensionistas. E dizer que o que nós
fizemos, quando fizemos um acordo com os aposentados para
repor os prejuízos que eles tiveram desde 1994, quando
o governo criou a URV, os aposentados se sentiram prejudicados
e começaram a entrar na Justiça. O governo
poderia ter feito um acordo naquele momento, que não
é só pagar o atrasado, é pagar o fluxo
mensal no salário do trabalhador. E nós fizemos
esta correção. Depois de 10 anos de espera,
nós fizemos justiça àquilo que os aposentados
brasileiros esperavam do governo. Fizemos um acordo.Lógico
que nós não podíamos dar todo o dinheiro
de uma vez, porque eram 12 bilhões e 300 milhões
de reais, nós fizemos um acordo para parcelarmos
a dívida passada com o compromisso de que vamos pagar
no salário mensal daqui pra frente o reajuste de
que os trabalhadores tiveram direito. Isso vai dar em alguns
casos até 39% para alguns aposentados. E houve compreensão
de todos os aposentados brasileiros, sabendo que é
um dinheiro extra que nós temos que arrumar e, portanto,
nós não podemos criar um rombo no nosso orçamento
que não permita que a gente cumpra outras obrigações
que nós temos com o Brasil, neste momento em que
o Brasil esta crescendo, gerando empregos e recupera, eu
diria, o otimismo na sociedade brasileira de que as coisas
estão indo muito bem.
Jornalista
- Presidente, vamos falar agora do nível
do desemprego, que esta caindo. O índice do IBGE
que chegou a bater 13,1% já caiu para 11,7%, a renda
média do trabalhador subindo, o ministério
do Trabalho mudando a criação de empregos
formais com carteira assinada este ano com 1 milhão
e 800 mil. O que o senhor pode comentar sobre estes dados?
Presidente
- Eu não quero fazer previsão. Eu
quero trabalhar em cima das coisas concretas que já
aconteceram. Do dia 1º de janeiro ao dia 1º de
julho, nós tivemos um saldo positivo de novas admissões
de 1 milhão 34 mil trabalhadores de carteira profissional
assinada. Isso não conta empregada domestica, isso
não conta funcionalismo público, só
conta aqueles que são contratados pela CLT e também
não conta o crescimento que está acontecendo
na economia informal. Porque que isso aí é
importante? Porque junto com o crescimento da oferta de
emprego veio o crescimento da renda do trabalhador, e gerando
mais empregos e mais renda, o que acontece? Aumenta o consumo.
Aumentando o consumo no comércio vai aumentar a produção
na indústria, aumentou a produção na
indústria e aumentou o consumo no comércio,
vai gerar mais empregos e a economia brasileira, então,
começa a mostrar de forma muito positiva, que nós
já conquistamos o crescimento no ano de 2004. E isso
não foi à toa não, isso é com
muito dinheiro para investimento, com muito dinheiro para
agricultura familiar através do Pronaf, ou seja,
nós que crescemos 83% na safra 2003-2004, agora colocamos
R$ 7 bilhões à disposição dos
pequenos agricultores e se precisar de mais, vai ter mais,
porque eu disse pra eles que não faltará dinheiro,
é só procurar para fazer contrato, que nós
vamos fazer o contrato e estamos trabalhando de forma, eu
diria, muito eficaz para facilitar a organização
de cooperativas de produção e de crédito
no Brasil. Lógico que eu sei que ainda tem pessoas
desempregadas, muitas pessoas desempregadas, mas também
as pessoas compreendem que não é possível
arrumar todos os empregos do dia para noite. O que nós
queremos garantir ao povo brasileiro é que a economia
vai crescer de forma sólida, sustentável e,
se Deus quiser, e se depender do meu esforço pessoal
nós vamos crescer durante muitos anos seguidos. Nós
vamos crescer por que o Brasil precisa disto. E agora o
que nós temos que fazer? Nós não temos
que parar e ficar achando que já está tudo
resolvido, não, nós temos que trabalhar mais,
com mais seriedade, passar mais otimismo, convocar os empresários
brasileiros a contribuírem mais, a fazerem mais investimentos;
a pedir para os trabalhadores brasileiros mais fé,
ser mais otimista, porque é assim que a gente constrói
uma nação. Com otimismo, com força,
com fé, com garra. Como eu confio no Brasil e como
eu acredito que este país precisa recuperar o tempo
perdido, o tempo em que a elite brasileira, os governantes
brasileiros se achavam inferiores ao mundo desenvolvido,
nós agora temos que nos recuperar e mostrar que o
Brasil não deve nada a ninguém. Esse país
é muito grande, tem uma classe trabalhadora excepcional,
eu só tenho que acreditar que o Brasil encontrou
o seu caminho, que o Brasil precisa só dar uma chance
a si mesmo e nós estamos dando. Portanto, não
tem volta, não tem lugar para pessimismo, não
tem lugar para choramingar. Nós temos que acreditar
que através do nosso trabalho, nossa força,
este país vai crescer de forma definitiva, vai distribuir
renda e fazer com que a vida das pessoas melhore.
Jornalista
- Obrigado, presidente, até o nosso próximo
encontro.
Presidente
- Obrigada a você, Luiz. |