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27/12/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista
–
Jornalista - Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Luiz
Fara Monteiro, e começa agora mais uma edição
do “Café com o Presidente”, o programa
de rádio do presidente Lula. Tudo bem, presidente?
Presidente - Tudo bem, Luiz.
Jornalista –
Presidente, geralmente, nessa época do ano, as pessoas
desejam feliz Ano Novo. Nós sabemos que 2005 pode ser
um ano bem melhor. E 2004, pode-se dizer que foi um feliz
ano velho?
Presidente - Eu acho que foi. É importante
apenas lembrar aos nossos queridos ouvintes, nossas queridas
ouvintes, para os meus cumprimentos em 2003 em que eu falava
do aperto que tivemos em 2003, da necessidade de arrumar a
casa para que a gente pudesse colher um 2004 muito mais feliz.
E nós estamos terminando o ano, Luiz, numa situação,
eu diria boa, muito boa para o Brasil. Lógico que ainda
falta fazer muito, e vamos fazer mais. É por isso que
eu estou muito mais otimista para 2005. Se em 2004 nós
conseguimos dar o salto extraordinário que nós
demos na geração de emprego, no tratamento dos
problemas sociais, no crescimento da nossa economia, na diminuição
da nossa dívida interna, nós poderemos fazer
muito mais em 2005.
É por isso que eu estou otimista, certo que 2005 será
um ano de crescimento econômico, de geração
de empregos e de distribuição de renda no Brasil.
Então, as coisas estão acontecendo do jeito
que eu imaginava que deveriam acontecer. Seja no crescimento
do turismo, seja no crescimento da agricultura, seja no crescimento
da indústria, no crescimento da geração
de empregos. O salário mínimo de 2005 vai ser
bem melhor. Então, eu acho que as coisas estão
andando, e é por isso que eu posso dizer aos nossos
ouvintes: aguardem, que 2005 será muito melhor.
Jornalista –
A área social é um ponto que chama muito a atenção
no seu governo, presidente. Que avanços o senhor destaca
no ano de 2004?
Presidente - Eu poderia mostrar, por exemplo,
a questão do Estatuto do Idoso. Que era um projeto
que estava engavetado há mais de 12 anos e que nós
conseguimos aprovar no Congresso Nacional e já está
funcionando. A nossa política para agricultura familiar
tem sido um sucesso, tem aumentado a produção,
tem garantido que mais pessoas fiquem no campo, tem modernizado,
porque não é apenas a terra, mas é a
assistência técnica e o financiamento.
A reforma na Previdência Social, que vai trazer benefícios
no curto prazo, a questão do Bolsa Família,
que nós vamos atingir 6,5 milhões de famílias
agora, nesse finalzinho de dezembro e, se Deus quiser, vamos
chegar a 8,7 millhões de famílias em 2005.
Então, nesse campo também, eu acho que nós
estamos avançando. Na questão da saúde,
o nosso programa da Saúde Bucal tem sido um sucesso
extraordinário. Ou seja, pela primeira vez, o Estado
oferece ao povo a possibilidade de fazer um tratamento odontológico
de qualidade.
Jornalista –
O Brasil Sorridente, não é?
Presidente - As farmácias populares
têm sido um sucesso, e nós pretendemos continuar
fazendo no próximo ano. E o Prouni, que é uma
coisa importante. Ou seja, nós temos mais de 100 mil
vagas colocadas à disposição do governo.
Nós anunciamos neste final de ano o projeto do Biodiesel,
que é o grande projeto deste país, porque nós
vamos mudar a matriz energética do Brasil... Portanto,
nós estamos no caminho certo.
Eu digo sempre o seguinte: o que a gente não pode ter
é muita pressa. Eu, quando falo de jogador de futebol,
você vê a diferença de um craque e de um
jogador comum. O jogador comum, sabe? De vez em quando ele
está diante do goleiro, ele chuta de qualquer jeito,
e a bola vai pra fora. Um jogador que é bom de bola,
ele pensa, sabe? Ele normalmente encobre o goleiro. Ele não
chuta com força. Ele coloca a bola. Nós não
podemos fazer nada precipitado.
Eu tenho a convicção de que nós temos
que fazer as coisas com muita tranqüilidade, fazer as
coisas no tempo que têm que ser feitas, porque nós
não podemos errar. Um erro pode significar um retrocesso
de dois anos, três anos, quatro anos e eu não
estou a fim de errar.
Portanto, eu quero dizer ao povo brasileiro: eu não
quero nem que você seja mais otimista do que eu. Se
for igual a mim, já está ótimo. Porque
eu, cada vez mais, me considero o mais otimista dos brasileiros.
Eu estou cada vez mais acreditando nisso e quero que vocês,
junto comigo, acreditem. Porque, homens e mulheres do nosso
país, inclusive as nossas crianças, precisam
acreditar que o que têm pela frente são dias
melhores. Por isso, eu quero desejar um feliz ano novo e pedir
que Deus continue abençoando todas as famílias
brasileiras.
Eu digo sempre o seguinte, Luiz, Deus foi muito generoso comigo,
e eu agradeço todo santo dia. Porque, um menino nascido
em Garanhuns, de uma família pobre, chegar aonde eu
cheguei, passando pelo que eu passei, só pode ter a
mão de Deus. E, no governo, se eu não tiver
a mão de Deus, eu não consigo fazer as coisas
que eu acredito, e por isso eu acho que Deus tem sido muito
generoso. E eu sou agradecido.
Toda noite eu agradeço a Deus pela força, pelo
otimismo. E é isso que eu quero fazer com o povo brasileiro.
Estejam certos do seguinte: eu posso não fazer tudo
o que eu quero, mas eu farei tudo o que é possível
a um homem que gosta do seu povo fazer. E eu não esqueço
a minha origem, e não esqueço que, quando eu
deixar de ser presidente, eu voltarei para o meu berço
natal, lá dos metalúrgicos do ABC, para continuar
vivendo a minha vida. E eu só posso fazer isso se eu
for honesto no exercício do mandato que eu tenho. O
povo confiou em mim, eu confio no povo, então nós
não temos por que errar.
Jornalista –
Obrigado, presidente. Boas festas para o senhor e até
o nosso próximo encontro.
Presidente - Obrigado a você, Luiz.
Jornalista –
Um abraço para você que está nos ouvindo,
um ótimo ano novo e até o nosso próximo
“Café com o Presidente”.
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