| 31/05/03
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista - Tudo bem, presidente?
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Tudo bem, Luiz.
Jornalista - Presidente, o senhor está encerrando essa viagem de vários dias à
China. Que balanço o senhor faz dessa incursão do Brasil ao Oriente?
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - O balanço que eu faço é o
mais positivo que um governante pode fazer de uma viagem internacional. Quando nós saímos do Brasil, nós saímos convencidos de que, pelo interesse
dos empresários chineses e pelo interesse dos empresários brasileiros, essa viagem seria de total sucesso. E por que de total sucesso? Primeiro, porque há
interesse do governo chinês em transformar o Brasil num parceiro estratégico: segundo, porque é interesse nosso, do governo brasileiro, transformar a
China em um parceiro estratégico. Ora, havendo a vontade dos dois governos, fica mais fácil trabalhar com os empresários e convencê-los a fazer
parceria com empresários chineses. Nós não queremos apenas uma política de comércio de compra e venda. O que nós queremos, na verdade,
é uma política chamada de complementaridade, ou seja, o Brasil produz coisas que a China não produz, e China produz coisas que o Brasil não produz.
A China tem mais tecnologia em algumas coisas, o Brasil tem mais tecnologia em outras coisas. O que nós queremos é que as empresas chinesas e as empresas brasileiras
se juntem para que possamos produzir o que o Brasil precisa no Brasil, e que a China precisa, aqui na China, como está fazendo a Embraer, montando uma empresa para
produzir avião aqui em parceria com a China, como está fazendo a Companhia Vale do Rio Doce com a Baosteel, fazendo acordo para produzir e construir uma nova
siderúrgica no Brasil. É esse tipo de negócio que eu acredito que seja fundamental. Eu, Luiz, sou até suspeito, porque o otimismo que vi nos empresários
chineses e o otimismo que vi nesses quatro dias nos empresários brasileiros me levam a concluir que nós demos um passo extraordinário para que o Brasil
faça grandes e bons negócios com a China. Eu volto para o Brasil convencido de que essa foi a viagem mais exitosa que nós fizemos: existe um campo excepcional
para que os empresários brasileiros da indústria, do comércio, do agronegócio façam bons acordos com a China e que os chineses façam
bons acordos com brasileiros. Por isso, eu saio da China muito satisfeito, eu saio da China orgulhoso de ver que meu país, de ver que meu Brasil está dando
passos importantes para aumentar o seu crescimento econômico, para aumentar a sua capacidade produtiva e para melhorar ainda mais a nossa balança comercial.
Jornalista - O senhor citou a Embraer, a Vale do Rio Doce, a Baosteel. Que outros
setores, presidente, têm potencial de fazer grandes negócios? Ainda na China, vai ter também uma feira que é a Expo Brasil-China, mostrando mais
produtos brasileiros. O senhor está otimista quanto a esses negócios no futuro?
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Olha, eu estou otimista, porque comércio
exterior é exatamente isso, ou seja, nós não podemos ficar no Brasil esperando que as pessoas apareçam para nos descobrir. Nós é
que temos que viajar ao mundo e nos mostrarmos como somos e o que produzimos. Nós, por exemplo, só para você ter idéia, nós poderemos ter
várias parcerias na área de software. Da mesma forma que os chineses estão ajudando o Brasil no lançamento de satélites, nós podemos
ajudá-los na construção de aviões, como estamos fazendo aqui. Mas, no Brasil, quando a Petrobras monta o seu escritório aqui e faz uma
parceria com a Sinopec, que é a empresa de petróleo chinesa, na perspectiva de procurar petróleo em outras terras, em outros mares. É uma demonstração
de que nós estamos acreditando nessa parceria de verdade e achamos que poderemos fazer grandes negócios. O Brasil pode, sabe vender carne para a China. O Brasil
pode vender açúcar para a China, o Brasil pode vender café para a China, o Brasil pode vender etanol para a China, o Brasil pode vender máquinas,
pode vender carros, pode vender ônibus, ou seja, tem um monte de coisas que o Brasil pode adentrar ao mercado chinês. E eu senti nos empresários chineses
uma disposição extraordinária, de forma que eu penso que um dia vocês devem entrevistar os empresários que participaram dessa delegação
e você vai perceber o otimismo dos empresários.
Jornalista - Traduzindo para os nossos ouvintes: para o trabalhador brasileiro, presidente,
o que que essa viagem pode render diretamente a esse público específico?
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Essa viagem, certamente, vai render mais possibilidade
de parcerias empresariais, conseqüentemente, mais geração de empregos. Ela vai render mais exportação do Brasil, conseqüentemente, mais
produção dentro do Brasil, conseqüentemente, mais empregos e mais salários. Sabe, é para isso que nós estamos viajando, para dinamizar
a economia brasileira, para gerar empregos, para gerar riquezas, porque esse é o nosso objetivo, é fazer a economia brasileira crescer, gerarmos empregos e
distribuir renda. A economia brasileira ficou 20 anos estagnada, sabe. Nós estamos há apenas um ano e meio no governo, ainda não fizemos tudo que nós
queremos fazer, mas podem ficar certos de que nós vamos fazer muito mais do que a gente se comprometeu a fazer, porque há espaço para isso. Nós
temos disposição política, o povo brasileiro precisa disso e eu acho que o mundo hoje está vendo o Brasil com os olhos diferentes.
Jornalista - Obrigado, presidente, e até ao nosso próximo encontro.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Obrigado a você, Luiz.
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