Estudo
avalia impacto da produção de
couro vegetal no Acre
Brasília,
11 (Agência Brasil - ABr) - Testemunha
do projeto para produção de
couro vegetal no Acre, o agrônomo Luís
Meneses Filho, do Parque Zoobotânico
da Universidade Federal daquele estado, entrega
em novembro a conclusão do estudo do
impacto ambiental da atividade desenvolvida
na Reserva Extrativista do Alto Juruá,
nas Áreas Indígenas Kaxinawa
do Rio Jordão e Yawanawa do Rio Gregório
e na Floresta Nacional do Mapiá.
Presente
no 3 Congresso de Ecologia do Brasil, que
termina hoje, em Brasília, o pesquisador
falou dos estudos que vem sendo realizados
em torno da produção do couro
vegetal. Meneses ainda não sabe o impacto
ambiental que o processo da defumação
provoca. Ele ressalta, no entanto, que a atividade
seringueira não compromete a biodiversidade.
O problema se prende à quantidade de
lenha utilizada na vulcanização
do material.
Para
realização do estudo, Meneses
está analisando as espécies
utilizadas na defumação da borracha
e a relação do consumo de lenha
com o total da produção dos
sacos de couro vegetal. Meneses detectou 16
espécies, das quais as mais usadas
são maparajuba, amarelão, mulateiro
e jacaranã. No estudo das característica
ecológicas das plantas, o pesquisador
se baseou em dois inventários florestais
realizados da Universidade Federal do Acre.
Além
desses fatores, o agrônomo salientou
que é preciso avaliar também
o que chamou de esforço de extração.
Ou seja, a relação da extração
em si com o transporte da matéria-prima
até a linha de produção.
Dependendo do impacto provocado pela atividade,
o estudo mostrará a necessidade de
um programa de manejo para a lenha e apontará
como executá-lo. Esse estudo será
posterior e, para isso, o Parque Zoobotânico
tenta captar recursos junto às Agências
de fomento à pesquisa.
Segundo
o agrônomo, o couro vegetal é
tradicionalmente produzido pelos seringueiros
da Amazônia. No entanto, o processo
de produção passou por modificações,
que tornaram a composição do
produto estável e próprio para
o consumo. "Há muitos anos os seringueiros
confeccionam sapatos e sacolas para carregar
seus pertences mata a dentro. Sempre foi o
único material impermeável ideal
para as épocas de chuva", observou
Luís Meneses.
Há
cerca de cinco anos, a Fundação
Ford começou a investir nessa tradição
dos seringais, em conjunto com a Fundação
Pró-Indio, uma organização
não- governamental (ONG) do Acre. Hoje,
a entidade, que também é uma
ONG patrocina o projeto que envolve 170 famílias
das reservas indígenas e também
da Associação dos Moradores
da Reserva Extrativista Chico Mendes.
Foram
necessários quatro anos de pesquisas
para que o couro vegetal não ficasse
mais úmido ao longo do tempo. "Começou
a registrar, por exemplo, casos de mochilas
e bonés que ficavam molhados e melavam",
disse o pesquisador. Os estudos resultaram
na solução para o problema:
a vulcanização da pele da borracha,
ou simplesmente, o couro vegetal.
A
empresa Couro Vegetal da Amazônia, com
sede no Rio de Janeiro, industrializa a matéria-prima
produzida pelos seringueiros e a transforma
em artigos práticos, usados no dia-a-dia
das grandes cidades. São agendas com
capas de couro vegetal, bonés, mochilas,
bolsas e até mesmo roupa. A grife tem
o nome de Treetap, onde tap no inglês
significa tiras, como aquelas marcadas nas
seringueiras quando é extraída
a borracha, e tree é arvore. (Lana
Cristina)