Pneus gigantes poderão ter maior
durabilidade
Brasília, 03 (Agência Brasil - ABr) - O Laboratório de Fenômenos de
Superfície (LFS), do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica (Poli),
da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a indústria de pneus Pirelli, vem
desenvolvendo um estudo onde analisa as irregularidades no desgaste de pneus gigantes,
utilizados em ônibus e caminhões.
Os pneus desses veículos estão sujeitos a desigualdades no desgaste
que comprometem a sua vida útil, tais como "barrigas" e desgaste concentrado na
parte lateral, mesmo em condições normais de uso, com calibragem, alinhamento e
balanceamento corretos. Já os pneus de automóveis não sofrem este tipo de fenômeno e,
quando utilizados em condições normais, tendem a se desgastar de maneira homogênea.
A Pirelli fez um convênio com o LFS, no fim do ano passado, no qual
estão investidos cerca de US$ 100 mil este ano, em pesquisas teóricas, de laboratório e
testes de campo. Atualmente, são feitos vários estudos para identificar quais fatores
afetam a peça e como eles influenciam no desgaste. São análises químicas da borracha
antes e após o uso do pneu, avaliação dos diversos tipos de desgaste irregular,
modelamento matemático e estudo das forças atuantes nos pneus dianteiros, onde o
problema do desgaste irregular é mais evidente.
Parte das pesquisas são desenvolvidas na Poli-mecânica, no LFS, onde
os professores Amilton Sinatora, Deniol Tanaka, e Linilson Padovese trabalham em conjunto
com engenheiros da multinacional. O LFS é considerado um centro de excelência pelo
Programa de Apoio à Núcleos de Excelência (Pronex), Ministério da Ciência e
Tecnologia.
Uma outra parte se realiza no próprio centro de pesquisas da Pirelli,
em Santo André (SP). Os testes de campo são feitos numa pista da empresa, em Sumaré, no
interior paulista, e em algumas rodovias específicas, de acordo com seu estado de
conservação e grau de abrasividade do asfalto, fatores que influenciam diretamente no
desgaste do pneu. Para se ter uma idéia dessa classificação, a rodovia Régis
Bittencourt, que liga São Paulo ao Paraná, é considerada de alta abrasividade, enquanto
a Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, é de média abrasividade e a Castelo
Branco, de ligação entre a capital e o interior, é listada como pouco abrasiva.
Com isso, o LFS e a Pirelli pretendem determinar quais são as causas
dos desgaste desuniformes e buscar uma solução para minimizar ou sanar o problema,
promovendo uma evolução tecnológica neste campo de pesquisa.
O desgaste irregular dos pneus gigantes é um fenômeno que ocorre não
só com os produtos da Pirelli, mas com os de todas as outras marcas encontradas no
mercado nacional, segundo os técnicos. Preliminarmente, eles atribuem o fato as
condições técnicas das ruas e rodovias brasileiras, à qualidade do asfalto usado na
pavimentação, a má conservação das pistas, as condições ambientais adversas como
fortes chuva e altas temperaturas, entre outros fatores.
Os professores do LFS esperam que os resultados da pesquisa possam aumentar em muito a
durabilidade de pneus gigantes, hoje estimada em 100 mil quilômetros na primeira vida, e
mais 80 mil na segunda vida (após a recauchutagem), dependendo das condições de uso.
Esse acréscimo implicará em menos trocas, reduzindo o custo de manutenção de ônibus e
caminhões. (AUN/USP)