Técnica italiana recupera lataria de carro amassada sem danificar a pintura

Brasília, 05 (Agência Brasil - ABr) - Sem uso de massa plástica ou tinta, com baixo custo e em pouco tempo, uma técnica trazida da Itália possibilita o conserto de pequenos amassados em carros. Inédita em Brasília, ela é feita à domicílio por Cosimo Pezzarossa, um italiano que está somente há quatro meses no Brasil.

A aplicação da técnica exige o uso de uma variedade de ferramentas em aço temperado, de diversos tamanhos e uma cunha em acrílico. Não é preciso desmontar nada, nem retirar o forro; a eliminação do amassado é feita na parte interna do veículo. Mas, esclarece Cosimo, o método não repara a pintura danificada, portanto, não serve para grandes amassados. Nesse caso, se o cliente quiser, pode ser feito um pré-preparo para que o lanterneiro cuide da pintura. "Meu objetivo é preservar a pintura original para que o carro não desvalorize".

Os dias chuvosos prejudicam seu trabalho, que só pode ser feito com muita luz e em locais fechados. Segundo Cosimo, as vantagens da técnica são a rapidez, a economia proporcionada e a preservação da pintura original que permanece intacta".

Como o atendimento é feito à domicílio, o cliente não fica sem o veículo durante muito tempo, ao contrário do que acontece normalmente quando o carro é lavado às oficinas de lanternagem. Além disso, o cliente pode acompanhar o serviço pessoalmente em sua casa.

O preço do serviço não é alto, variando entre R$ 30,00 e R$ 150, dependendo do local danificado. Algumas partes são mais difíceis de reparar e levam mais tempo. "Como não pago aluguel e só uso as ferramentas, posso oferecer um preço mais acessível", diz Cosimo.

O fato de preservar a pintura original diferencia o serviço de Cosimo dos demais lanterneiros, "eu não trabalho com tinta, tento ao máximo preservar a cobertura original, por isso só conserto amassados pequenos". Ele ainda explica que esse trabalho só pode ser feito por uma pessoa paciente e tranqüila. "É artesanal É como a maquilagem de um carro, somente as pessoas que cuidam, dão valor".

Na Itália, Cosimo trabalhava como gerente de uma fábrica de cerveja. Antes de chegar ao Brasil ele realizou uma pesquisa de mercado para avaliar qual seria a atividade mais rentável. A opção por esse serviço foi bastante pensada. "Brasília precisava de um profissional do ramo, aqui ninguém anda a pé, a cidade tem muitos carros". Após a escolha, Cosimo fez um curso de oito horas diárias durante seis meses. Com um ano de experiência, ele veio para o Brasil e hoje já tem serviços agendados até o final deste mês.

Antigamente essa técnica era usada somente nas montadoras de carros. Após a montagem do veículo, uma pessoa verificava as condições do veículo. Mais tarde, tornou-se mais lucrativo para esses profissionais trabalhar por conta própria, pois devido a qualidade do serviço eles conseguiam uma remuneração maior. Assim, a atividade se popularizou passando também a ser aplicada em carros usados.

Para o técnico, os carros mais difíceis de desamassar são os populares como o Corsa, o Fiesta e o Pálio. "Eles são mais fáceis de trincar a tinta. Os carros mais caros como o Santana e o Ômega têm a lataria mais forte. Já as marcas japonesas são boas, têm espessura e elasticidade", explica o técnico.

Ele ainda recomenda atenção das pessoas na hora de comprar carros. "É preciso avaliar a lataria, pois existem diversos carros batidos à venda, é só observar as diferenças na cor. No local da batida a pintura é mais brilhante e a parte mais velha fica mais clara. A lataria é muito importante, é a primeira coisa que se vê e quando está danificada, desvaloriza muito o carro na hora da venda".

Cosimo não pretende criar concorrência com os lanterneiros. "As técnicas são complementares, eu elimino pequenos amassados que o lanterneiro não pode fazer sem o uso de massa. O lanterneiro trabalho com grandes amassados".

De acordo com Cosimo, em breve ele oferecerá um curso com um mês de duração. Para as aulas práticas serão utilizadas latarias velhas. "Não há teoria, o serviço é prático. É como o artesanato, só se aprende fazendo". Ele explica que "o meu trabalho depende de três coeficientes: a expectativa do cliente, a habilidade e o local da batida. Nem sempre o resultado por ser de 100% porque não trabalho com pintura. Mas eu aviso antes, com a experiência dá para avaliar. O que eu quero é que o cliente fique satisfeito", completa o técnico. (Carolina Valadares)

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