Pesquisadora pretende aprofundar estudos sobre os novos materiais

 

Brasília, 20 (Agência Brasil - ABr) - Nádia Cristina Segre, autora da tese de doutorado "Reutilização de borracha de pneus usados como adição em pasta de cimento" defendida no último dia 6 na Universidade de Campinas (Unicamp), já pensa em aprofundar os estudos e fazer pós-doutorado sobre o mesmo assunto. Ela pretende escrever outro projeto para, assim, analisar melhor o mecanismo de adesão da borracha ao cimento. "Há muito que fazer do ponto de vista químico", diz.

Até agora, Nádia apenas comprovou que o tratamento superficial da borracha colabora para uma melhor aderência à matriz de cimento. Isso significa que a pesquisadora precisou tornar a borracha mais hidrofílica, ou seja, simpática à agua. O cimento é uma matriz hidrofílica que tem grande afinidade com a água, o que não acontece com a borracha. "Ela é hidrofóbica, o contrário. Mas, nós notamos que a borracha não é totalmente hidrofóbica quando a colocada em imersão por mais de uma hora, ela afundava. Ou seja, ela interagia com a água enfim", relata.

Para aumentar a adesão, era precisar aumentar a quantidade de grupos ácidos, algo que a borracha tem em pequena quantidade. Nádia desconfia que os grupos OH (hidroxilas) sejam os mais prováveis. "Quimicamente sabe-se que o H2SO4 pode aumentar a quantidade de grupos ácidos e que o NaOH poderia hidrolizar os grupos ácidos já existentes", explicou. Há na literatura o registro do uso de raios gama para aumentar a hidrofilicidade da borracha, segundo Nádia, o que inviabiliza a tecnologia, pois o processo de obtenção de raio gama é caro. "É um método muito sofisticado para tratar a borracha", comenta a pesquisadora.

A adesão química foi definitivamente comprovada com o ensaio de resistência à abrasão. Foram ainda observados corpos de prova de cimento com borracha tratada e com borracha sem tratamento em microscópio eletrônico de varredura. Percebeu-se que, no segundo caso, o material apresenta descontinuidade, com adesão pobre. Já com a borracha tratada, a junta adesiva é melhor. "Tem-se muito mais quantidade de borracha aderida ao cimento", conta Nádia.

Depois da análise microscópica, submeteu-se o material à abrasão. O corpo de prova de cimento e borracha foi lixado com um disco abrasivo e, depois de 600 ciclos (voltas), constatou-se que o corpo de prova com borracha sem tratamento perdeu muito mais massa que o corpo de prova com a borracha tratada. Esse teste comprova também, que a energia total de fratura é adequada, o que reflete boa resistência à flexão e à compressão. Além disso, com o teste da abrasão ficou demonstrado mecanicamente o que já fora visto nas micrografias eletrônicas (amostras vistas no microscópio). (Lana Cristina)

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