Estrutura modular de resina plástica
permite outro conceito de construção civil
Brasília, 29 (Agência Brasil - ABr) - Uma moderna tecnologia de
construção civil que utiliza módulos de policarbonato, resina extraída do petróleo, e
que se destina especialmente à instalação de imóveis de grande porte, como ginásios
esportivos, hangares, armazéns, galpões industriais, silos etc., está sendo apresentada
nas universidades e à iniciativa privada por Reginaldo Marinho, descobridor do método.
A inovação, que já tem registro em vários países, se caracteriza
pela montagem de estrutura autoportante, ou seja, aquela em que cada peça tem rigidez
mecânica suficiente para sustentar-se com apoio em duas extremidades. As peças
plásticas são confeccionadas em forma de prismas triangulares, cujo fundo é um
triângulo equilátero (três lados iguais), e com uma inclinação que permite vários
ângulos de curvatura.
Segundo Marinho, a escolha do policarbonato se deve às suas
características mecânicas como resistência à tração, compressão, leveza e
proteção contra raios ultravioletas. Ele explica que a resina é mais cara, cada metro
quadrado sai por R$ 160,00, mas as construções tornam-se mais econômicas em função do
método dispensar a instalação de estruturas tradicionais. Outra vantagem do
policarbonato é que se trata de material reciclável.
Os prismas triangulares são originalmente transparentes, mas podem ser
coloridos de acordo com a necessidade ou interesse do cliente. Para emendar os prismas
são utilizados parafusos e cloreto de metileno, que provoca uma espécie de soldagem
química.
A tecnologia tem laudos de funcionalidade e sua segurança é garantida
por atender aos índices estabelecidos pelo código de engenharia civil. A estrutura tem
capacidade de suportar ventos de até 120 km/h, agüenta esforço normal, isto é, quando
uma força atinge a construção num deslocamento perpendicular a superfície, apresenta
ótima resistência ao momento fletor, ou seja, resiste a incidência de uma força que ao
atingi-la provoca flexão na estrutura. Para garantir a segurança, a razão desses
coeficientes deve ser sempre igual ou superior a 1, no caso do policarbonato o coeficiente
foi sempre superior a 2,8, garantindo a segurança necessária para as construções.
A preocupação de se ter um ambiente muito quente ou abafado sob esse
tipo de estrutura não deve existir, segundo seu criador. O colchão de ar que se forma
dentro dos prismas, que são vazados para permitir a circulação do ar, evita o
aquecimento do ambiente. Outra técnica em estudo pelo Centro de Tecnologia Aeroespacial
(CTA), em São José dos Campos (SP), é a refrigeração com placas fotovoltaicas que
garantem a transformação de energia luminosa em refrigeração.
O interesse de Martinho pela construção surgiu quando ele ainda
lecionava Geometria Descritiva na Universidade da Paraíba. Hoje, a disciplina não mais
faz parte do currículo, fato que o inventor lamenta, pois "toda atividade industrial
tem como base o raciocínio espacial", explica Marinho.
Na capital do país, Marinho conseguiu o apoio do Departamento de
Engenharia Civil da Universidade de Brasília (UnB), que lhe permitiu a apresentação de
seu trabalho no seminário "Construção de Cascas Auto-Portantes com Módulos
Prismáticos de Policarbonato", em dezembro último. Quem desejar mais
esclarecimentos sobre esse método de construção pode solicitar pelo e-mail
<regimarinho@zipmail.com.br>. (Carolina Valadares)