Humanidade busca meios para reduzir emissão de poluentes

 

Brasília, 01 (Agência Brasil - ABr) - A 6ª Conferência sobre Mudanças Climáticas, realizada em Haia, na Holanda, na semana passada, encerrou sem que se chegasse a um consenso sobre as medidas a serem adotadas pelos países visando à redução da emissão de gases responsáveis pelo aquecimento do planeta. Representantes dos países apontados como os principais poluidores - Estados Unidos, Canadá e Japão - recusaram a assinar documento se comprometendo a reduzir a emissão de poluentes.

O principal objetivo da reunião era concretizar o Protocolo de Quioto, que ainda precisa da assinatura de 55 países para ser ratificado. O ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, chefe da delegação brasileira, diz que a conferência fracassou por causa da insistência norte-americana em modificar o protocolo. Para ele, "os americanos não tiveram uma posição criativa ou flexível, em função do volume de compromissos que este instrumento implica".

O Protocolo de Quioto prevê, até 2012, a redução da emissão de poluentes em 5,2% em relação ao níveis exalados em 1990. Ao contrário do que estabelece o documento, nessa década, os EUA aumentaram em 11% suas descargas de gás carbônico na atmosfera. Estima-se que o país teria que aplicar cerca de US$ 100 bilhões para atingir as metas de Quioto. Buscando fugir desses gastos, os norte-americanos presentes em Haia sugeriram que o carbono seqüestrado pelas florestas do país fosse "abatido" das emissões.

Alguns dos acidentes naturais advindos do desequilíbrio climático certamente exigiram quantias muito maiores para sua reversão. É o caso, por exemplo, da continuidade da elevação do nível do mar por mais dois mil anos se a concentração de carbono na atmosfera dobrar nos próximos 70 anos. Para o ex-cientista da agência espacial norte-americana Nasa, Robert Watson, estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, a sigla em inglês), órgão da ONU que estuda as alterações no clima global, as águas marítimas inundariam áreas superiores ao território dos EUA, onde vivem um bilhão de pessoas.

O Greenpeace, em comunicado oficial, disse que "esta reunião entrará para a história como o momento em que os governos abandonaram a cooperação em escala mundial para proteger a Terra". Uma outra rodada de negociações foi marcada para maio próximo. Nesse encontro devem ser definidas as regras para a implementação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) que possibilitará aos países comercializarem "créditos carbono" pela emissão de poluentes.

No Brasil, paralelo a essa necessidade de manter os níveis de emissão de carbono na atmosfera, que sempre foram baixos, governo e sociedade buscam alternativas limpas e baratas para garantir o fornecimento de energia elétrica. Os cálculos apontam para um crescimento do consumo de energia elétrica de 12% ao ano até 2020. Para suprir essa demanda, 51 usinas termelétricas, movidas a gás natural, serão instaladas em 17 dos 26 estados brasileiros, até 2004. Em funcionamento, elas gerarão 17 mil megawatts, volume superior ao produzido pela hidrelétrica de Itaipu.

A implantação dessas usinas termelétricas será feita pela Petrobras e por empresas nacionais e estrangeiras. Diretores da Duke Energy, uma das maiores empresas de energia dos Estados Unidos, anunciaram semana passada, em reunião com o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, que a usina de Corumbá (MS) entrará em operação em outubro de 2001, gerando 90 MWh. Já a usina de Pederneiras, em São Paulo, projetada para gerar 480 MWh, será iniciada em março próximo, entrando em atividade em dezembro de 2002. Antes disso, a El Paso Energy International já havia informado que, em julho do ano que vem, quatro turbinas da usina Macaé Merchant (RJ) entram em funcionamento, produzindo 180 MWh.

Apenas 3% da energia consumida no país provém do gás, com essas usinas esse índice deve passar para 10%. Nos Estados Unidos, o gás corresponde a 24% da energia elétrica e na Argentina, a 47%. A matriz energética nacional está baseada nas hidrelétricas. Mais de 90% da energia gerada no país tem origem nessa fonte, que, como não queima combustíveis fósseis, é considerada limpa. Em decorrência, quando comparado a outros países, o Brasil emite índices baixos de carbono. Enquanto os países industrializados que têm matrizes energéticas diferentes, como as termoelétricas a carvão, geram em média 170 quilos de carbono para produzir um megawatt hora (MWh), o Brasil gera nove quilos de carbono para produzir a mesma quantidade de energia.

Entretanto, com a instalação das usinas a gás natural essa situação deve mudar. Suani Coelho, secretária-executiva do Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), acredita que com elas haverá um aumento de 16 milhões de toneladas ao ano na emissão de carbono. Hoje o país emite 5 milhões de toneladas/ano.

As termoelétricas têm custo menor de implantação e demandam menos tempo para entrar em funcionamento. Esses foram os argumentos que pesaram para a escolha dessa fonte. O possível colapso no fornecimento de energia elétrica, cada dia mais evidente com os apagões experimentados por algumas cidades, foi o principal motivo para a opção por um modelo de fácil implementação. Nos próximos quatro anos serão investidos R$ 12 bilhões no programa termelétrico brasileiro.

Para abastecer essas unidades, a Gaspetro está investindo na prospecção de gás natural. A expectativa da subsidiaria da Petrobras é aumentar a produção atual de gás de 17,5 milhões de m³, para 70 milhões em 2005. Gasodutos farão a ligação entre as bacias onde o gás será extraído e as usinas. Gás da Bolívia e da Argentina também deverão abastecer as usinas brasileiras.

Nas usinas a gás, a energia é produzida por um gerador elétrico acoplado a uma turbina que é movimentada pelo deslocamento do ar gerado pela queima do gás natural. Com esse sistema há uma perda de 60% do ar quente, que é descartado. Algumas usinas, chamadas de usinas de ciclo combinado, reaproveitam parte desse ar para uma segunda turbina. (Hebert França)

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