Biomassa seria a melhor alternativa contra a agressão climática

 

Brasília, 01 (Agência Brasil - ABr) - As termoelétricas a gás natural são menos poluentes que as usinas a carvão mineral, "mas elas não chegam a ser fontes verdes, como pregam alguns", diz Suani Coelho, secretária-executiva do Centro Nacional de Referência em Biomassa (CenBio).

Segundo dados fornecidos por ela, para a geração de um MWh as usinas a carvão emitem 360 quilos de carbono na atmosfera e as usinas a gás natural 110 quilos. Um problema que pode surgir num futuro próximo com as usinas movidas a gás, prevê Suani, é quanto ao lançamento de gases poluentes. Conforme ela explica, as turbinas compradas para instalação dessas termelétricas não possuem dispositivos que permitem a redução da emissão de carbono, algo que pode ser exigido em breve, como estabelece o Protocolo de Quioto.

Suani defende a adoção de fontes "verdadeiramente limpas" e renováveis de energia, como a biomassa que, segundo ela, não emite carbono. Além do benefício ao meio ambiente, a bioenergia também guarda vantagens econômicas. Normalmente ela é gerada a partir de resíduos de indústrias que necessitariam de algum tipo de tratamento ou aterro.

Algumas empresas já produzem energia a partir de resíduos de materiais por elas utilizados. A Copersucar, indústria beneficiadora de cana-de-açúcar, produz, na época da safra, cerca de 200 MWh a partir do bagaço da cana, volume suficiente para o funcionamento da unidade. Segundo Manoel Regis Leal, da Copersuçar, pesquisas em andamento mostram que também a folha da cana poderia ser utilizada para gerar energia.

Caso essa fonte também fosse utilizada, a indústria teria capacidade de produzir até 2000 MWh. Entretanto, como ele explica, não há interesse em produzir excedentes comercializáveis, uma vez que a tarifa praticada pelo governo, de R$ 55,00 por MWh, não é rentável para a empresa. "Em outros países, o preço que se paga por energia produzida por combustíveis sólidos é US$ 35 (aproximadamente R$ 68,00)", informa.

Também rejeitos da indústria da celulose, cascas de arroz e sobras de madeireira já são utilizados na geração de energia. Com resíduos da celulose, algumas indústrias do setor, em São Paulo, produzem até 85% da energia por elas consumidas. A Piratini Indústria Moveleira, de Crissiumal (RS), gera 10 MWh com sobras de madeiras. A Dom Pedrito, outra indústria gaucha, produz 6 MWh a partir de cascas de arroz.

Estudo realizado por Suani mostra que caso a biomassa (cana-de-açúcar, madeira e resíduos agrícolas) passasse a ser empregada de forma intensiva como fonte energética, as regiões Sudeste e Centro Oeste produziriam, com um baixo aproveitamento do potencial, 4,7 mil MWh.

Visando ao desenvolvimento da bioenergia no país, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) destinará R$ 100 milhões em 2001 para pesquisas com equipamentos que possam tornar a bioenergia mais competitiva. "Ainda não dá para as fontes limpas competirem com o petróleo", diz Antônio Sérgio Pizarro Fragomeni, secretário de Desenvolvimento Tecnológico do MCT. Ele prevê que por volta de 2013 a relação produção/consumo do petróleo estará estabilizada, "não haverá como fornecer mais petróleo para quem desejar, será esse o momento do boom das fontes alternativas. Entretanto, o momento de investir é agora, incrementando tecnologias", aponta. Fora a questão do esgotamento do recurso, Fragomeni lembra que o petróleo tem outros fins mais nobres do que apenas ser queimado para a geração de energia.

Além da biomassa, Fragomeni lembra do potencial eólico e solar do país que poderiam ser aproveitados para a geração de energia. "A geografia brasileira oferece condições para o desenvolvimento de políticas energéticas que priorizem aspectos ambientais. É necessário que se identifique qual a vocação da região e a partir disso, determinar que tipo de energia deve ser explorada", diz. (Hebert França)

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