Brasília, 01 (Agência Brasil - ABr) - Os baianos terão mais um
motivo para continuar adorando o óleo de dendê. Além de estar presente em muitos pratos
da culinária local, o produto será usado como combustível para gerar energia elétrica
numa comunidade de pescadores do estado.
Na Ilha de Pescaria, município de Igrapiúna, a 322 km ao sul de
Salvador, 300 pessoas só têm acesso a energia elétrica durante quatro horas por dia,
das 18h às 22h, isso quando o gerador movido a óleo diesel não estraga, algo rotineiro
dizem os moradores. A principal fonte econômica da ilha, a pesca, não pode ser
incrementada, pois não há como conservar os peixes. Essa foi a comunidade escolhida pelo
Centro de Pesquisas da Eletrobrás (Cepel) e pelo Núcleo de Serviços Tecnológicos da
Fundação Escola Politécnica da Universidade da Bahia para a implantação do projeto de
geração de energia elétrica em regiões de difícil acesso a partir do óleo de dendê
cru.
"Não é um mega-projeto. O objetivo é levar energia para aqueles
que não dispõem do recurso", diz Jurandyr Nogueira, diretor do Núcleo de Serviços
Tecnológicos. Estima-se que R$ 90 mil tenham sido gastos na primeira fase do projeto. A
energia, que deve chegar em dois meses, será gerada de um motor a diesel adaptado pelo
Cepel para funcionar com o óleo de dendê, beneficiado pela própria comunidade. "É
o mesmo óleo que eles utilizam na comida, não há necessidade de alterar o processo de
obtenção que eles já dominam", informa Nogueira.
Sem agregar valores, o diesel é mais barato que o óleo de dendê. Em
comunidades isoladas, caso da Ilha de Pescaria, essa situação se inverte porque os custo
de transporte do diesel onera o preço final. Em algumas regiões amazônicas, onde o
dendê também é utilizado como fonte de energia elétrica, o diesel pode custar o triplo
do dendê conforme a distância.
Afora a questão econômica, as razões ecológicas são ainda mais
favoráveis ao dendê. Esse óleo vegetal é uma fonte renovável de energia, diferente
dos combustíveis fósseis, finitos. O diesel, quando da queima, libera altos índices de
poluentes na atmosfera. O dendê, também libera carbono, mas em níveis menores e além
disso, parte desse carbono é capturado pela própria planta no seu processo de
crescimento.
O dendezeiro (Elais guineensis) é uma palmeira originária da Costa
Ocidental da África (Golfo da Guiné) e foi introduzida no Brasil por escravos angolanos,
no século XVII. Essa origem determinou o nome do óleo no país, que vem da palavra
"ndende" da língua Kimbundu, de Angola. Em 1998, os maiores produtores de óleo
de palma (palm oil), como é conhecido no mundo, estavam no sudeste asiático, Malásia
com 8.600 mil toneladas e Indonésia com 5.750 mil toneladas.
No Brasil, ao contrário do que possa parecer, o maior produtor é o Pará, e não a
Bahia, responsável por 70% do volume nacional que é de 80 mil toneladas ao ano.
Entretanto, os especialistas calculam em 400 mil toneladas/ano o potencial interno.
(Hebert França)