No futuro os veículos serão os principais poluidores

 

Brasília, 01 (Agência Brasil - ABr) - Atualmente, as indústrias são as grandes responsáveis pelo lançamento de gás carbônico (CO2) na atmosfera, os veículos representam 28% do total emitido. Pesquisadores acreditam que se forem mantidas as atuais taxas de crescimento de poluição, em vinte anos os automóveis irão superar as indústrias na emissão de carbono.

José Roberto Moreira, presidente do Conselho do Centro Nacional de Referência em Biomassa (CenBio), informa que mesmo com o desenvolvimento de tecnologias limpas para os automóveis, o índice de emissão de poluentes por veículos cresce 2,5% ao ano, taxa que se mantém há 30 anos. As indústrias também continuam poluindo cada vez mais, contudo a taxa de crescimento é menor, 0,7% ao ano.

"Tudo o que foi feito nos últimos anos não alterou esses índices", diz José Roberto. Ele explica que unitariamente, o carro hoje polui menos, pois possui dispositivos que reduzem a emissão de carbono. Entretanto, o volume total de gás emitido por essa fonte tem aumentado em função do crescimento da frota. O pesquisador credita essa elevação no número de veículos em circulação a questões culturais. "É um problema de hábito, as pessoas se acostumaram a andar sozinhas em seus carros, isso está associado a uma sensação de liberdade", observa. Segundo José Roberto, mesmo que fossem aplicadas taxas absurdas sobre a gasolina, não redundaria na desejada redução do uso dos carros. Para essa situação ele acredita haver apenas uma solução, combustíveis alternativos e limpos.

No Brasil, a produção e circulação de mercadorias está, a cada dia, mais atrelada à queima de óleo diesel. Se em 1990, foram importados 680 milhões de litros, até outubro passado importamos 6,2 bilhões. Marcos de Freitas, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), diz que "é preciso acabar com a dependência das empresas nacionais pelo óleo diesel. Esse é um vício dos empresários brasileiros que precisa ser trabalhado". Para tentar amenizar essa situação, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que obriga as empresas a progressivamente reduzirem o consumo de diesel e a buscarem fontes menos poluentes de energia.

A queima de combustíveis fósseis como o carvão e o petróleo gera hoje 7 giga-toneladas de carbono. Como informa José Roberto, "o mundo ainda possui reservas suficientes para emporcalhá-lo ainda mais. Mesmo que haja uma interrupção total na emissão de CO2, há danos que são irreversíveis como o aquecimento do planeta, que provoca o aumento do volume dos mares e oceanos".

Esse aquecimento, de acordo com o ex-cientista da agência espacial norte-americana Nasa, Robert Watson, sendo de 2°C proporcionaria uma desigualdade na produção de alimentos agravando o atual quadro de fome. A estimativa do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla inglesa), órgão da ONU que divulga a cada cinco anos estudos sobre as alterações climáticas, é a de que temperatura da Terra suba 6°C sobre a registrada em 1990. (Hebert França)

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