Brasília, 03 (Agência Brasil - ABr) - Infecções causadas
pelo Streptococcus pneumoniae constituem a principal
causa de morbidade e mortalidade no mundo. Nos Estados Unidos,
por exemplo, esta bactéria é responsável por cerca de 3 mil
casos de meningite, 50 mil de bacteremia, 500 mil de pneumonia
e 7 milhões de casos de otite média a cada ano.
No início da doença, o diagnóstico da infecção pelo
S. pneumoniae é sempre presuntivo, sendo empírica a escolha
da terapia antimicrobiana. No passado, as cepas isoladas da
bactéria eram uniformemente suscetíveis à penicilina, permitindo
à maioria dos médicos tratar pacientes portadores de infecção
severa somente com penicilina, sem o teste para a resistência.
A partir de 1960, cepas resistentes à penicilina e cepas resistentes a
múltiplos antibióticos começaram a aparecer em alguns países e ainda estão se
disseminando. O primeiro registro da resistência é da Austrália, em 1967;
posteriormente surgiram outros casos na Nova Guiné, em 1969, e em muitos outros países
da África, Ásia e Europa (especialmente na Espanha).
Verifica-se hoje, nos Estados Unidos, um alto índice
de resistência à penicilina, que vem aumentando substancialmente
na última década. Essa reação varia por região. A médica Tania
Maria Sih descreveu, em Atlanta, pela primeira vez (estudo feito
no Centers for Disease Control (CDC), em 1991), cepas de S.
pneumoniae resistentes a antibióticos, não só penicilina,
em crianças com otite média secretora. Hoje, em algumas áreas
dos Estados Unidos, 30% das cepas isoladas de pneumococo são
refratárias à penicilina.
Considera-se que, no Brasil, a resistência
do S. pneumoniae a antibióticos seja de 19% para penicilina
e de 78% ao trimetoprim/sulfametoxazol, segundo dados obtidos
entre 1993 e 1997, num total de 1.392 cepas de S. pneumoniae.
Existem, entretanto, variações geográficas na prevalência de
pneumococos resistentes aos diferentes antibióticos. Só na cidade
de São Paulo, a prevalência de pneumococos resistentes à penicilina
é de 25%, o mais alto índice do país para crianças abaixo de
seis anos de idade, dados divulgados no First International
Symposium on Pneumococci and Pneumococcal Diseases, realizado
na Dinamarca, em junho de 1998. (Hebert França com informações
da Sociedade Brasileira de Pediatria - SBP)