MMA avalia primeiro ano da Agenda Ambiental

 

Brasília, 03 (Agência Brasil - ABr) - Demorou para acontecer, mas aos poucos a população está se conscientizando da importância em proteger o meio ambiente como forma de manter condições favoráveis de permanência do homem no planeta. Entretanto, o cidadão ainda pensa meio ambiente como algo distante: a floresta Amazônica, o oceano Atlântico, a Mata Atlântica. O indivíduo não se insere nesse espaço. A Conferência realizada no Rio de Janeiro em 1992, a Eco-92, ao lançar a frase "pensar globalmente, agir localmente", já sinalizava para a necessidade da população começar a se preocupar com o ambiente que lhe cerca.

Dentro dessa realidade, as instituições começam a organizar grupos destinados a analisar as condições de trabalho e propor ações que melhorem não só o ambiente como as relações interpessoais. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) criou, em agosto de 1999, uma Comissão Permanente integrada por representantes de todas as suas unidades, do Ibama e do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB), com o objetivo de montar sua Agenda Ambiental. Na semana passada o grupo se reuniu para fazer uma avaliação desse primeiro ano de atividades.

Dos indicadores passíveis de mensuração, os mais significativos foram a redução em 44% dos resíduos diários gerados nos ministério do Meio Ambiente e da Cultura, que dividem o mesmo prédio na Esplanada dos Ministérios, além de uma diminuição em 10% no consumo de papel. Apesar dos bons resultados alcançados em apenas um ano de funcionamento, a coordenadora da comissão, Jacimara Machado, acredita que melhor que resultados, o importante desse trabalho é "sedimentar nos servidores essa preocupação pela melhoria das condições de trabalho. Não queremos impor nada a ninguém, precisamos conscientizar as pessoas".

Segundo Jacimara, a Agenda Ambiental Institucional implantada no MMA foi elaborada tendo como base as Normas Ambientais ISO 14000 e o Programa 5S para a Qualidade Total. A série ISO 14000 é um conjunto de normas que estabelecem padrões internacionais de desempenho das empresas, no que se refere ao gerenciamento dos problemas ambientais e à adoção de processos produtivos não-prejudiciais ao meio ambiente.

Originado na milenar cultura japonesa, o Programa 5S para a qualidade total, é dedicado a melhorar a qualidade de vida do ser humano. Os cinco sensos, como são chamados, têm um caráter interativo e constituem um sistema para facilitar a rotina de trabalho, integrando e harmonizando máquina, ambiente, procedimentos e homem. Os 5S são: SEIRI - senso de utilização; SEITON - senso de ordenação; SEISO - senso de limpeza; SEIKETSU - senso de saúde e SHITSUKE - senso de autodisciplina.

Esse programa consiste na adoção de medidas que diminuam os impactos gerados durante a jornada de trabalho, introduzindo mudanças capazes de promover a melhoria do ambiente de trabalho, o uso eficiente dos recursos naturais, materiais, financeiros e humanos. Para isso, os investimentos foram pequenos. Segundo Jacimara, "são ações de fácil aplicação": redução de descartáveis; reciclagem de papéis usados; substituição de aparelhos de ar condicionado barulhentos e instalação de torneiras automáticas.

"É um trabalho de formiguinhas, cada um faz a sua parte", diz Miralda Pereira Medeiros Araújo, da Secretaria de Qualidade Ambiental. Ela conta que em sua repartição foram implantadas ações simples para a redução do gasto com papéis como a cópia frente-e-verso e a impressão do relatório do uso do fax no verso da própria folha. A comissão acredita que a medida tomada pela Secretaria da Presidência da República, que a partir de 1º de janeiro de 2001 só aceitará documentos encaminhados por meios eletrônicos, reduzirá ainda mais o consumo de papel internamente, pois eliminará o arquivamento de cópias.

Esse também é um trabalho de valorização do servidor, acredita Miralda. "Cópias são arquivadas exclusivamente por desconfiança na tramitação correta dos documentos. O servidor ainda tem receios de que um colega possa extraviar o documento", exemplifica ela. A comissão pretende solicitar ao MMA que adote um modelo de troca de informações e documentos semelhante a este proposto pelo Grupo Governo Eletrônico para a Casa Civil.

Outra sugestão que o grupo encaminhará para a Comissão de Licitação é a adoção de critérios de gestão ambiental nos processos para contratação de serviços e compras de material. "Algumas medidas que pretendemos adotar são prejudicadas porque determinados materiais usados no órgão não podem ser reciclados. Há casos também de produtos comprados pelo ministério que são desenvolvidos por técnicas condenadas pelo MMA, como algumas cadeiras confeccionadas com espuma, que para ser produzida, libera gás CFC", explica Jacimara.

Os resultados dessa experiência desenvolvida no MMA, também implantada parcialmente no Ministério da Cultura, já chegaram a outros órgãos. A Comissão Permanente do MMA é regularmente solicitada para apresentações mostrando os benefícios para o servidor e para a administração da adoção da Agenda Ambiental Institucional. "Não dá para implantar um sistema idêntico porque as instituições possuem características distintas, cada uma tem suas particularidades, o que exige medidas específicas. Mas o modelo pode ser copiado", garante Jacimara.

Com o objetivo de disseminar na administração pública a idéia da agenda ambiental, a comissão realiza, de 20 a 22 próximos, no auditório do MMA, o 1º Forum da Agenda Ambiental Institucional. (Hebert França)

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