Brasil deve adotar sistema geocêntrico para cartografia

 

Brasília, 03 (Agência Brasil - ABr) - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está propondo que o padrão referencial adotado no país desde a década de 70, o SAD69 (South American Datum, modelo oficial para trabalhos de Geodésia e Cartografia na América do Sul), seja substituído por técnicas ainda mais precisas, baseadas no referencial geocêntrico.

O assunto foi tratado entre 17 e 20 de outubro passado, no Rio de Janeiro, no 1º Seminário Sobre Referencial Geocêntrico no Brasil. O evento objetivou orientar a comunidade quanto à necessidade de uma mudança referencial, em benefício da precisão nos levantamentos e compatibilidade com as tecnologias atuais.

"O sistema topocêntrico, utilizado atualmente, baseia-se em medidas a partir do solo, ao passo que o geocêntrico faz o mapeamento a partir de satélites", explica Ângelo Pavan, diretor-adjunto da Diretoria de Geociências do IBGE. No seminário, discutiu-se a implementação de diretrizes e metas para a futura adoção do referencial geocêntrico. A mudança causará impactos na Geodésia, que estuda a forma e o campo gravitacional da Terra, e na Cartografia, com a modificação de mapas e, futuramente, dos Atlas.

A proposta segue a tendência mundial em adotar uma rede de referência de precisão compatível com as técnicas atuais de posicionamento, associadas ao Sistema de Posicionamento Global (GPS). O GPS é um sistema de rádio-navegação, baseado em satélite, desenvolvido e operado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Ele permite que usuários determinem sua posição tridimensional, velocidade e horário, com uma precisão superior a de qualquer outro sistema disponível hoje. Com isso, o GPS passou a ser utilizado como suporte para navegação terrestre, marítima ou aeronáutica; em levantamentos; exploração geofísica, mapeamento, localização, esportes e diversas outras aplicações.

O GPS custou mais de US$ 10 bilhões, sendo composto por 24 satélites que orbitam a Terra a 20.200 km. Até recentemente, o governo norte-americano degradava intencionalmente os sinais para usuários civis, para evitar possíveis usos inadequados. Em maio último, essa medida foi abolida, o que aumentou a precisão do sistema em dez vezes (a exatidão pode chegar a poucos centímetros). Com essa tecnologia, tornou-se possível mapear com precisão áreas como a floresta amazônica, o que era praticamente impossível empregando-se os sistemas clássicos (triangulação e poligonação geodésica).

Apesar do GPS ser um sistema tridimensional, as altitudes fornecidas por ele estão em um sistema altimétrico diferente daquele em que estão referidas as obtidas pelos métodos clássicos de nivelamento (geométrico, trigonométrico e barométrico). Isso faz com que as altitudes GPS não possam ser diretamente comparadas com os dados fornecidos pelo IBGE e outros institutos nacionais. O mapa geoidal representa a conversão entre os dois sistemas de altitude. Para que a tecnologia GPS seja plenamente aproveitada, são necessários mapas geoidais cada vez mais precisos.

O projeto Sistema de Referência Geocêntrico para a América do Sul (Sirgas) é desenvolvido com a participação de diversos países sulamericanos, sob a coordenação do IBGE. Ele objetiva compatibilizar os sistemas geodésicos utilizados pelos países sulamericanos, promovendo a definição e o estabelecimento de um referencial único com precisão compatível com a tecnologia atual de posicionamento. Quando todos os países optarem pelo novo referencial, será possível uma integração com as redes dos demais continentes, permitindo um aproveitamento pleno das vantagens oferecidas pelo GPS.

Adotando-se o referencial geocêntrico, será possível confeccionar mapas digitais do Brasil com maior velocidade e precisão. Pavan calcula que, em dez anos, carros nacionais poderão ser equipados com painel contendo mapas com as ruas da cidade e que mostrem a localização do veículo. As informações desse mapa permitiriam ao motorista deslocar-se de um estado a outro guiando-se por satélite. (Claudio Marques)

Para saber mais:
www.ibge.gov.br/
www.barretos.com.br/gps/
www.infogeo.com.br/

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