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Museu Paraense Emílio Goeldi completa 134 anos

 

Brasília, 06 (Agência Brasil - ABr) - O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), um dos institutos vinculados ao MCT, completa hoje 134 anos. Nesse período, a instituição reuniu as mais importantes coleções científicas com espécies amazônicas. Em seu acervo são encontradas coleções botânicas e zoológicas das mais representativas. O acervo de etnografia conta com cerca de 15 mil peças indígenas, negras e ribeirinhas. Na arqueologia, o MPEG possui as mais importantes coleções Marajoara e Tapajônica. Entretanto, a trajetória do museu nem sempre foi marcada por momentos de intensa produção científica, houve fases de atividades estagnadas que quase o levaram a extinção.

O surgimento do MPEG coincide com o despertar do mundo para as potencialidades da Amazônia. Era necessário criar um organismo que relacionasse os recursos naturais da região, estudando flora, fauna, grupos indígenas, geografia, recursos minerais e a história. Criado em Belém por Domingos Soares Ferreira Penna, o museu só seria consolidado por Emílio Goeldi, no período de 1894 a 1907. Sob a gestão do naturalista suíço que lhe deu o nome, entre 1894 e 1921, e amparado pelo lucro do Ciclo da Borracha, então em seu apogeu, o MPEG teve seus momentos de maior destaque, abrigando uma equipe renomada de cientistas.

Conforme explica seu diretor substituto, Peter Mann de Toledo, a instituição tem por missão "produzir e difundir conhecimentos e acervos científicos sobre sistemas naturais e socioculturais relacionados à Amazônia". Dentre seus objetivos estão o incremento de pesquisas sobre a diversidade natural e cultural da Amazônia; a conservação, a ampliação e a atualização dos acervos científico e a disseminação de informações.

Em Belém, o museu está dividido fisicamente em duas bases fixas: o Parque Zoobotânico, em zona urbana, onde estão instalados laboratórios, um parque zoológico, um horto botânico, e salas para exposições e o Campus de Pesquisa, uma área de 10 hectares, localizada na periferia da cidade, que abriga os Departamentos de Botânica, de Zoologia, de Ciências Humanas e de Ecologia. Existe outra base física avançada, a Estação Científica Ferreira Penna (ECFPn), na Floresta Nacional de Caxiuanã, uma área de 33 mil hectares, no município de Melgaço, Pará. Essa estação realiza pesquisas de campo nos diversos segmentos do conhecimento das ciências naturais e humanas da Amazônia.

As coleções científicas do MPEG são o seu maior destaque. Algumas delas se inserem entre as mais importantes da América do Sul e do mundo, com material da Amazônia brasileira. Segundo Peter Mann, não há coleção de aves com tantos exemplares. A coleção de mamíferos constitui o maior e mais importante acervo de espécies da Amazônia e ocupa o segundo lugar em riqueza e relevância em todo o país, quer pelo número de espécimes-tipo, quer pela documentação histórica. As coleções de paleontologia, etnografia, arqueologia e linguística não encontram paralelo na região.

Como organismo da estrutura governamental, o MPEG contribui para a formulação de políticas públicas participando da elaboração de relatórios de impacto ambiental, auxiliando na demarcação de áreas indígenas, avaliando o estoque pesqueiro, realizando sensoriamento remoto e cartográfico. O museu também auxilia municípios na montagem de hortos botânicos e zoológicos, além de colaborar com o Ibama no combate ao tráfico de animais silvestres.

Para o futuro, o MPEG incentiva o desenvolvimento de projetos socio-ambientais, fundados na utilização racional dos recursos naturais e na conscientização da população local. A operacionalização disso, acreditam os técnicos, se dará por meio da criação de associações locais, parceiras na realização de projetos específicos como a exploração madeireira racional, a pesca controlada e a recuperação de áreas degradadas.

Comemorando os 134 anos da instituição, o MPEG elaborou uma programação com várias atividades que se estendem por vários dias como atendimento orientado no Museu Goeldi e estações educativas. Hoje haverá a entrega do título de Amigo do Museu Goeldi, no auditório Alexandre Rodrigues Ferreira; a abertura da Exposição Arte no Goeldi, na Biblioteca de Ciências Clara Galvão e o lançamento do Programa Natureza, no Parque Zoobotânico. Informações adicionais sobre os eventos podem ser encontradas no endereço eletrônico do museu (www.museu-goeldi.br). (Hebert França)

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