Propaganda subliminar existe mas sua utilização é negada

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Cartaz nazista diz que "Toda Alemanha
ouve o Führer"

Brasília, 08 (Agência Brasil - ABr) - Navegando balizada apenas por um código de conduta elaborado pelos próprios profissionais da área, a publicidade brasileira, reconhecida como uma das melhores do mundo, se debate em longas contendas sempre que qualquer proposta restritiva, ou considerada castradora, é apresentada.

Mais uma vez essa situação vem à tona com o projeto de lei, de autoria do executivo, que limita a publicidade de cigarros a pôsteres, painéis e cartazes em ambientes fechados. De acordo com a proposta, a publicidade de produtos à base de tabaco deve ser banida dos meios de comunicação de massa. A multa para quem veicular propaganda de cigarros e similares em Rádio, Tv ou outdoor poderá variar de R$ 5 mil a R$ 100 mil.

Mais do que uma proibição absoluta, na opinião do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), "o texto viola a Constituição". Considerações jurídicas a parte, o que não se destaca na fervura dos debates é o aspecto econômico e ético imbutido na questão e que praticamente não é ventilado.

Se apenas a discussão em torno de um produto gera tanta polêmica, o que não dizer de tópicos ainda mais controversos, como o se a publicidade ainda se vale ou não dos métodos subliminares a fim de induzir as pessoas a consumir. Os publicitários, que comemoraram seu dia na 3ª feira, em uníssono, negam sua aplicação, garantindo mesmo que essa modalidade de mensagem está banida e enterrada há muitas décadas.

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Mensagem
homossexual
no Marlboro

Mensagem
erótica no Camel

Todavia, existem estudiosos do ramo que não concordam com essa certeza. Garantem que o que está sepultado são as técnicas antigas, como as empregadas pelo nazismo para implantar sua proposta ideológica. Mas, com roupagem moderna e até maquiladas, as técnicas subliminares estão bem vivas e buscadas de preferência em períodos em que o apelo ao consumo recebe o emocional como ingrediente de reforço, caso típico da festa natalina.

A polêmica que envolve o tema propaganda subliminar, portanto, está muito longe de um final, não só no Brasil como em diversos outros países. George Bush, então candidato à presidência nos EUA, veiculou críticas ao programa do seu oponente, o democrata Al Gore, em um programa de TV, colocando na tela a frase "bureaucreats decide" (burocratas decidem), ridicularizando a proposta de Gore. A questão é que a palavra "rats" (ratos), era sobreposta à palavra "bureaucrats". Isso durava um frame, que é a divisão de tempo de varredura da tela equivalente a uma parte entre trinta divisões de um segundo, ou seja 1/30 segundo. Muito rápido para ser captado conscientemente pelo espectador. Entretanto, segundo especialistas, esse tipo de recado é assimilado de forma inconsciente, caracterizando o uso da propaganda subliminar, proibida nos Estados Unidos.

"Subliminares são as mensagens que nos são enviadas dissimuladamente, ocultas, abaixo dos limites da percepção consciente e que vão influenciar nossas escolhas e atitudes, motivando a tomada de decisões posteriores", define Flávio Calazans, professor da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, de São Paulo, e autor do livro "Propaganda Subliminar Multimídia". Ele alerta que não há nenhum dispositivo legal no Brasil proíbindo claramente o uso da propaganda subliminar. Considera-se como propaganda toda mensagem transmitida a um receptor com o objetivo de provocar uma mudança de comportamento.

Existem, segundo os estudiosos, várias técnicas de propaganda subliminar. Uma delas é o uso de um aparelho denominado de taquicoscópio e métodos similares, com o envio de mensagens que aparecem em frações de segundos em telas de cinema, TV ou Internet, sendo captadas apenas pelo inconsciente. Outra modalidade é o merchandising e mecanismos semelhantes de mensagens subliminares, captadas pela visão periférica das pessoas. Figuras ou palavras mescladas em imagens, de forma a serem captadas inconscientemente, obtêm o mesmo efeito.

Também há os subliminares sonoros, onde algumas pessoas enquandram os jingles e outras até as trilhas sonoras. Há quem aponte como berço dessa variante a técnica nazista de compor músicas com ritmos em 72 a 80 ciclos, que afloram memórias inconscientes do ritmo cardíaco da mãe amamentando a criança, deixando a pessoa vulnerável à mensagem.

Calazans fez análises sobre o design subliminar das embalagens dos maços de cigarro de algumas marcas. "No Marlboro, as letras "l" e "b" formam um pênis com testículos negros, apontado para algo que lembra uma nádega vermelha. No maço da marca Camel, encontramos um dromedário, e não um camelo. Isso ocorre porque a corcova remete a gravidez, trazendo a idéia de virilidade", exemplifica.

A marca Marlboro também foi a escolhida para análise da revista norte-americana The Economist. De acordo com a publicação, "as letras "l" e "b" são bem maiores que o "M"". A revista explica que isso não "é um erro, nem uma estranha coincidência". As letras, "juntas têm a aparência de um pênis". A revista observa ainda, que "nos dois cavalos com peito estufado (garanhões) nota-se que um deles tem uma coroa e outro não. Isso significa que um é o macho (ativo) e o outro o passivo. Entre eles há um círculo vermelho e está escrito "Vini, Vidi, Vici" (Vim, vi e venci, em latim). Para a revista, além da idéia de poder, este era o lema do imperador romano Júlio César, que apesar de ter tido um caso com Cleópatra, a mais famosa rainha do Egito, também gostava de homens." Assim, The Economist conclui que "não é à toa que a terra de Marlboro é onde os homens se encontram: sempre um cara mais velho com um jovem e jamais há mulheres".

Segundo Calazans, começam a surgir casos de propaganda subliminar no marketing esportivo. Na Copa João Havelange, as camisas dos jogadores podem ser numeradas até o número 31. Alguns times mudaram o algarismo da camisa de seus principais jogadores para 21, 23 ou 31, que são os prefixos das empresas Embratel, Intelig e Telemar. "O uso dos números das empresas telefônicas nas camisas dos jogadores de futebol faz com que sejam memorizados pelos consumidores. A probabilidade de estarem utilizando propaganda subliminar é muito grande", sugere o professor.

Em grupos de discussão na Internet, os participantes discutem sobre propagandas subliminares encontradas nas mais diversas mídias, como a própria Internet. Programas como o Flash, da Macromedia, permitem alternância rápida de cores, ou a inserção de imagens em forma taquicoscópica. (Claudio Marques)

Mais informações nos links:

www.calazans.ppg.br/c_ci01.htm
www.egroups.com/group/subliminar/

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