
Nazismo
lançou as técnicas da propaganda subliminar
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Brasília, 08 (Agência Brasil - ABr)
- Não se sabe ao certo quem descobriu a técnica de propaganda subliminar e quando ela
foi usada pela primeira vez. Alguns estudiosos do ramo creditam a Joseph Goebbels, o
ministro da Propaganda de Hitler, a paternidade dessa forma de manipulação do cérebro
por meio de mensagens escondidas.
O rádio, então em seus primórdios, era
considerado por Goebbels o veículo ideal para a difusão do ideário nazista. O
Ministério da Propaganda tinha o controle sobre o conteúdo e a apresentação de todos
os programas radiofônicos. Durante a Segunda Guerra Mundial os alemães eram proibidos de
acompanhar transmissões de emissoras estrangeiras. Os infratores eram considerados
criminosos e podiam até ser condenados à morte. Em 1940, foi criado um programa único,
que todas as emissoras eram obrigadas a retransmitir.
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do front - Hitler |
Conforme determinação do
Ministério da Propaganda, os êxitos das Forças Armadas deveriam ser anunciados com
marchas militares e, mesmo quando a Alemanha já estava praticamente em ruínas e a guerra
perdida, as mensagens continuavam otimistas: "Tudo vai passar! Isto vai acabar! A
cada inverno segue-se uma primavera!".
Com a imprensa e o rádio sob rígido controle,
Goebbels voltou-se para a difusão de imagens do ideal nazista. A televisão era um meio
que os alemães ainda não dominavam e por isso limitou-se seu crescimento no país. Na
época, apenas membros do alto escalão podiam ter aparelhos em casa. Goebbels preferia
concentrar a propaganda nazista no cinema, considerado por ele um instrumento de
propaganda imensuravelmente mais poderoso, passível de manipulação de forma ostensiva e
que proporcionava à população uma "educação no mínimo tão influente quanto a
escola primária".
Contudo, não foi Goebbels o responsável pela
disseminação da ideologia nazista no cinema. Essa tarefa coube a Leni Riefenstahl, uma
ex-dançarina escalada pelo próprio Hitler para fazer sua propaganda. "O Triunfo da
Vontade", filme realizado por Riefenstahl, em 1936, até hoje tem sua exibição
integral proibida em cinemas, a menos que seja acompanhada de alguma apresentação sobre
os horrores do Holocausto. Na fita, a diretora faz uma propaganda positiva do nazismo
apresentando uma parada militar, o povo ariano e Adolf Hitler em discurso. Quem já
assistiu a película "diz que ela impressiona por suas imagens grandiosas da
população durante a marcha, com cartazes mostrando a suástica. O espectador é seduzido
pelas belas imagens, o impacto do filme não é racional, é emocional, constituindo
assim, uma forma de propaganda subliminar".
Segundo os estudiosos, o filme correspondia aos
objetivos imediatos de Hitler, manifestar a unidade do Partido Nacional Socialista. Para
realizá-lo, Leni contou com recursos nada comuns para a época: 36 câmeras de cinema,
uma equipe de mais de cem pessoas, incluindo até imagens aéreas. Em 1993, o cineasta Ray
Müller realizou o documentário, "Leni Riefenstahl - A Deusa Imperfeita"
(Alemanha/Bélgica), que colocou novamente sob discussão os mecanismos adotados pela
diretora, ainda viva. Sobre as acusações de que mostrara o regime nazista com imagem
distorcida, ela se defende dizendo que fazia arte e não sabia da existência dos campos
de concentração. (Hebert França) |