Propaganda se vale da sutileza e não do subliminar

 

São Paulo, 08 (Agência Brasil - ABr) - No conceito de alguns empresários no setor publicitário, a propaganda subliminar é assunto ultrapassado. Ficou lá trás onde surgiu e não há qualquer semelhança entre as estratégias dos propagadores do Nazismo em defesa da supremacia da raça ariana e as técnicas empregadas no Brasil para a comercialização de produtos, imóveis, e, enfim, todo tipo de bens e serviços.

Para Flávio Rezende, administrador de empresas e diretor de negócios de mídia da agência DPZ, de São Paulo, as intenções da propaganda brasileira não passam pelo subliminar, mas pela sutileza sem agredir o público alvo. Em seu ponto de vista, a prática de merchandising no país não fere os princípios éticos. Apena leva uma mensagem sutil, deixando livre o agrado ou não pelo objeto sugerido.

Rezende observa que o reconhecimento internacional pelo trabalho desenvolvido nas peças publicitárias nacionais é prova do valor criativo encontrado aqui. Não fosse a má distribuição de renda, opina, teríamos um mercado consumidor tão forte quanto o existente nos Estados Unidos. Ele explica que toda a campanha exige muita pesquisa prévia e que o fato de termos uma certa exclusão de classes obriga os empresários a que façam um exercício de reflexão muito grande quando do lançamento de um produto na praça.

Na sua avaliação, hoje o publicitário tem que ter em mente a necessidade de explorar os pontos de contato, quer seja por meio de placas, painéis eletrônicos, etc. "É preciso estar no editorial sem ferir o editorial", pontifica.

Quem vem investindo pesado nesta trilha independente da polêmica gerada pela escolha do veículo publicitário é Rogério Lamarca, diretor da Lamarca 3, empresa especializada em veiculação de mídia em ônibus, o chamado Busdoor. Ele defende que o momento é de pulverizar os sistemas de distribuição dos anúncios e informa que cada vez mais um número maior de clientes, dos mais variados segmentos do mercado, têm se utilizado do transporte público como meio de divulgação. Citando pesquisa realizada pelo Instituto DataFolha em que foi apurado índice de 40,7% de recall e 78,1% de aproveitamento neste tipo de propaganda, observou que o busdoor chega a superar o retorno obtido com as transmissões pela televisão.

Com base nisto, sua empresa aplicou R$ 100 mil no desenvolvimento do primeiro e único software do país voltado para facilitar e otimizar a programação de campanhas de publicidade em ônibus. Trata-se do BusManager, que por enquanto não está disponível no mercado. A partir de dados oficiais coletados junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Companhia de Engenharia de Tráfego (Cet), SPTrans (empresa controladora do transporte coletivo em São Paulo) e outros órgãos, a empresa concluiu que cada coletivo percorre cerca de 300 km por dia, a uma velocidade média de 15km/h, permanecendo na rua por 20 horas, tempo suficiente para atingir 25 pessoas por km, universo que multiplicado por 300 km, perfaz 7.500 impactos por dia ou 225 mil por mês. Ele avalia que por este processo é possível estabelecer parâmetros tais como potencial de consumo das regiões; volume de tráfego; perfil do usuário (faixa etária; classe social; poder aquisitivo; população masculina e feminina), etc.

Sobre propaganda subliminar, o diretor da empresa Ingrupo Propaganda, Jordí Martinez, mantém-se reticente, escolhendo ser incógnito: "Não sei se existe, talvez exista". Ele afirma que muito já se falou sobre essa técnica de incutir uma vontade pelo método da repetição, mas até agora nada foi comprovado. Se revela mais a favor de mensagens claras, em que todas as pessoas possam entender o real conteúdo. Martinez considera que não basta divulgar o produto, ele tem que cativar caso contrário o expectador não se sentindo atraído passa direto não importando a mídia selecionada para se vender.

O fato de uma boa peça publicitária suscitar o desejo de consumo de determinados produtos não só daqueles com poder aquisitivo como também da população sem qualquer chance de acesso tem o seu aspecto cruel, admite Martinez. Mas ele resalva que a culpa não é da propaganda e sim uma falha do sistema capitalista. Lembra, contudo, que o pobre também consome, "sobretudo, no período do Carnaval". "Propaganda seduz, mas não obriga ninguém a consumir e se assim fosse seríamos todos frustados, pois desde os tempos do homem nas cavernas sempre uns têm mais e outros menos".

Apesar disto, reconhece existirem estímulos danosos em determinados anúncios de cigarros e bebidas alcóolicas, que "não deveriam estar veiculados". Por outro lado, defende a importância da informação numa propaganda em que é apresentada uma novidade envolvendo inovações tecnológicas. A chegada, por exemplo, dos aparelhos de vídeo digital DVDs e muitas outras mercadorias expostas nos informes. Motivados pela publicidade, existem os que comprarão de imediato, outros terão que trabalhar para obter o dinheiro necessário e alguns podem até delinquir achando ser este o caminho mais adequado, segundo os seus princípios.

Martinez festeja como "incrível" poder-se hoje trabalhar com técnologias que permitem a manipulação de imagens, com a instantaneidade até a bem pouco tempo inimaginável. Uma foto tirada no Japão pode ser vista simultaneamente aqui no Brasil por meio da rede de comunicação e sistemas de videoconferências. (Marli Moreira)

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