Desenho Pokemon não esconderia mensagens subliminares

 

Brasília, 08 (Agência Brasil - ABr) - O professor Flávio Calazans, da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, de São Paulo, afirma que o desenho Pokemon faz uso de subliminares. Ele conta que em 16 de dezembro de 1997, mais de 700 pessoas foram internadas no Japão, na maioria crianças e adolescentes, após assistirem um episódio do desenho. Vinte minutos após uma cena em que o monstrinho chamado Pikachu piscou suas bochechas para disparar um raio, telespectadores de 3 a 58 anos passaram a desmaiar, ter convulsões, hemorragias nasais, olhos irritados, apresentar vômitos, paradas respiratórias, dores de cabeça, tonturas, entre outros sintomas que levavam os numerosos diagnósticos de internação hospitalar a registrarem ataque epilético.

"O fenômeno", explica ele, "se deve às técnicas hipnóticas para aumentar a identificação do telespectador, o que os desenhistas de animação japonesa conhecem como shigeki, termo que designa um forte estímulo visual que prende a atenção. Uma subdivisão desta técnica é chamado paka-paka, o pisca-pisca, luzes de determinadas cores piscando em velocidade taquicoscópica-subliminar, mais veloz que uma lâmpada de estroboscópio usada em boates".

O pesquisador garante que o pisca-pisca induz praticamente a um transe hipnótico. A rápida alternância de luzes e cores provoca um estresse visual, e o cérebro se defende liberando serotonina, que induz a um tipo relaxamento. Para ele, a criança que assiste ao desenho acaba associando seus personagens à sensação provocada pelas imagens, num mecanismo semelhante ao que ocorre com o uso de determinadas drogas. "Quando a criança pede para comprar um brinquedo, ela está querendo comprar o "repouso" provocado pelo programa. Isso explica, inclusive, porque elas gostam de assistir repetidas vezes os mesmos episódios", sugere Calazans.

Em 1997, as crianças passaram mal porque as bochechas de Pikachu piscaram 10,8 vezes por segundo, alternando as cores vermelho, brando e azul. "Mais de dez imagens por segundo ocasionam um efeito que a midiologia subliminar denomina clutter, saturação, overdose, hipertelia, um processo cujo resultado foi a "epilepsia televisiva". O vermelho acelera o batimento cardíaco e eleva a pressão sangüínea, ao passo que o azul provoca um efeito oposto. A alternância causou um curto-circuito epiléptico", diz Calazans. Na Inglaterra, ele lembra, é proibido por lei piscar luzes na TV mais rápido que três vezes por segundo.

De acordo com Calazans, outros desenhos também utilizam o efeito pisca-pisca, como Sazae-San e Doraemon, ainda não exibidos no Brasil. As cenas de Pokemon com o rápido pisca-pisca foram alteradas ou cortadas. "Este desenho, porém, ainda apresenta outro problema: ele repassa valores altamente questionáveis. Pikachu trabalha duro para seu treinador, de um modo leal e obstinado, um arquétipo cultural japonês que remonta à honra do Bushidô, aos Samurais leais aos senhores feudais, ou os funcionários exemplares das multinacionais nipônicas. Ele encarna valores positivos na narrativa cultural japonesa, seu superego nacional, seu sentido de dever, o peso de sua responsabilidade, a obrigação de superar-se sempre, de dar o máximo de si, dedicar-se ao extremo, obedecer cegamente ordens do treinador-senhor", explica o pesquisador.

O professor da Cásper Líbero diz ainda que Pikachu é andrógino e utilizado como um galo de briga. Os pokemons não são individualizados, pois sequer recebem nomes próprios (Pikachu, por exemplo, é o nome da espécie). "Os monstrinhos são praticamente descartáveis, sendo trocados o tempo todo, ou colocados para lutar mesmo quando feridos. Inconscientemente, a criança assimila que as pessoas também são descartáveis. Muitos dos valores propalados são tipicamente de cidade grande, onde o desenho costuma estourar", assegura Calazans.

De acordo com Calazans, um pisca-pisca mais rápido que o utilizado no Japão, em 1997, poderia provocar efeitos ainda mais maléficos, mas é possível defender-se. "Cobrindo um dos olhos com uma das mãos, por exemplo, o efeito do sinal é bloqueado. Outra técnica de autodefesa contra signagens subliminares cromáticas é o uso de óculos escuros, óculos de sol com lentes de cores frias, azul ou verde, que distorcem a cor vermelha, tornando-a um marrom inofensivo e impedindo o efeito", recomenda o professor. Ele descata que vale lembrar que um efeito pisca-pisca pode ocorrer não só no cinema ou TV, mas também na Internet. (Claudio Marques)

Leia mais sobre o tema no link: http://www.calazans.ppg.br/c_pok.htm

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