Brasília, 10 (Agência Brasil - ABr) - Com o intuito de eliminar a
dificuldade em diagnosticar a cárie em seu estágio inicial, a mestranda em endodontia
pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Adriana Ribeiro, analisa o desempenho do
diagnodent, um aparelho a laser utilizado para identificar a cárie nessa fase. O estudo
é coordenado pelo professor do Departamento de Física da UFPE, Anderson Stevens.
A dificuldade em diagnosticar a cárie precocemente se deve ao fato de
que quando surge ela é apenas uma mancha branca, fácil de ser confundida com outras
lesões. Normalmente, a ulceração é mais facilmente visível quando já perfurou o
esmalte do dente. Com o diagnodet, é possível a remineralização do órgão antes que
isso ocorra, evitando a obturação.
O diagnodent, fabricado pela indústria alemã Kavo, tem um laser
diodo, cujo feixe de luz é emitido por meio de fibra ótica, que sai do equipamento, em
direção à região da qual se quer fazer o diagnóstico. Ocorre uma interação da luz
com as moléculas do tecido dentário e o resultado dessa interação é a emissão de uma
luz com comprimento de onda diferente do inicial que é denominada fluorescência.
"Mediante esse processo, é possível descobrir se a superfície está cariada ou
não, pois quando está, a fluorescência é maior do que quando o tecido é sadio",
explica Adriana.
A pesquisadora informa que o aparelho interpreta, por meio de
componentes eletrônicos, a fluorescência, dando um resultado numérico, a partir do qual
se pode dizer se o dente está sadio ou não e se a cárie é profunda ou superficial. As
vantagens desse método sobre os outros (visual, tátil, radiográfico) são uma precisão
maior no diagnóstico e a possibilidade de se acompanhar quantitativamente o crescimento
da lesão.
O objetivo do estudo é o de avaliar se os padrões numéricos
estabelecidos pela Kavo são fidedignos, ou seja, determinar a real eficácia do aparelho
e entender a nível microscópico o processo de interação entre luz e tecido. Além da
avaliação dos parâmetros do equipamento, Adriana pretende descobrir também se o
aparelho tem a capacidade de repetir os resultados em um curto espaço de tempo, 24 horas,
por exemplo.
Para realizar o trabalho, o procedimento adotado foi a indução
artificial da cárie por meio da desmineralização. "Os dentes (extraídos) serão
submetidos a uma ciclagem de pH, imitando o processo de desmineralização e
remineralização que acontece na cavidade bucal. Uma área do dente será atacada por
esse processo e outra será isolada", explica Adriana.
Uma vez instalada a ulceração, o diagnodent analisará as duas áreas
do dente e em seguida, um outro aparelho a laser do laboratório de física da
universidade, com características semelhantes às do diagnodent, fará em conjunto com um
espectrômetro um estudo da espectroscopia da fluorescência da área. No final, os
resultados obtidos pelos dois aparelhos serão examinados. O dente será submetido a uma
análise por meio da microscopia eletrônica, técnica que consiste em estudar
histologicamente o órgão para comprovar quais foram as áreas atingidas pela
desmineralização.
A dentista vislumbra a possibilidade de construir um aparelho a laser
com tecnologia nacional, mas acredita que isso só será possível no futuro pois muitas
pesquisas ainda precisam ser feitas para se alcançar esse resultado. Uma outra vantagem
que ela aponta no método é que ele não tem qualquer contra-indicação. A pesquisa
está em andamento, estando na fase de indução da cárie. A pretenção de Adriana é
que os resultados sejam obtidos até o final do mês que vem. (Monalisa Silva)