Brasília, 10 (Agência Brasil - ABr) - Estudos realizados por
pesquisadores da Embrapa comprovaram que a dieta do jacaré do Pantanal é determinada
pelo habitat e não pelo seu tamanho, como no resto do mundo. Esses estudos são
realizados há mais de dez anos e demonstram também que o animal está longe da
extinção como se imaginava.
A conclusão sobre a dieta e o número de espécimes do jacaré na
região podem subsidiar planos de manejo para a população do animal, estimada em 3,5
milhões. Jacarés jovens se alimentam inicialmente de insetos e animais invertebrados de
pequeno porte. Ao atingir a idade madura - o que ocorre quando atinge ao tamanho de 1,40
metro, no caso da fêmea - a dieta do animal muda para aves, peixes e outros animais
vertebrados.
"Esse é o fator que influencia na dieta dos crocodilianos: o
tamanho do animal", explica o biólogo Guilherme Mourão, da Embrapa Pantanal. Ele,
no entanto, revela a surpresa dos técnicos envolvidos no projeto quando se comprovou que,
no Pantanal, é o habitat que influencia sua dieta.
Não se sabe ainda o motivo pelo qual o réptil tem esse comportamento
diferenciado e tampouco talvez essa seja uma preocupação dos pesquisadores. O fato é
que se trata de uma informação importante do ponto de vista científico e ecológico,
conforme destaca Mourão, que pode ainda servir de subsídio na condução de um eventual
plano de manejo da espécie.
Os jacarés adultos que habitam numa área conhecida como Salinas -
devido a lagoas salinas nas quais não existem peixes - se alimentam de insetos. "O
Pantanal é um habitat muito diversificado para o crocodiliano, onde há uma
disponibilidade de alimento muito variada. Talvez seja esse o motivo", arrisca o
pesquisador.
O levantamento dos hábitos alimentares do jacaré foi feita com o
exame do conteúdo estomocal dos animais, sem o sacrifício dos mesmos. Atualmente, não
existe plano de manejo na natureza para a espécie que, por uma lei de 69, está
totalmente protegida da caça. Só é permitida a criação em cativeiro, dentro de
padrões e números determinados.
Mourão acredita, no entanto, que já haja essa necessidade no
Pantanal, visto que desde 85, a Embrapa comprova que a população crocodiliana na região
é da casa de milhões. Enquanto isso não ocorre, devido a proibição legal, as
informações da pesquisa sobre a dieta e a nutrição do jacaré devem ser utilizadas
pelos criadores.
Diretamente envolvida no trabalho sobre os hábitos alimentares da
espécie, a pesquisadora Sandra Aparecida Santos reuniu, em uma publicação acessível
para o público leigo, as informações sobre a dieta do jacaré do Pantanal. "Dieta
e Nutrição de Crocodilianos" trata dos hábitos alimentares do animal em vida
livre, da composição corporal e alimentação em cativeiro, além de dados sobre higiene
dos criadouros. (Lana Cristina)
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