Brasília, 10 (Agência Brasil - ABr) - O Brasil firmou um acordo com a
República da Índia, na área da tecnologia da informação, para cooperação nos campos
do comércio e governo eletrônicos, automação bancária, segurança da informação e
detectação do crime cibernético, desenvolvimento de recursos humanos por meio de
educação virtual, pesquisa, desenho e incremento de produtos. O progresso decorrente
dessa cooperação permitirá ao Brasil usufruir da exploração de mercados de terceiros
países que é um ponto importante da balança comercial da Índia.
O dispêndio com as atividades cooperativas será compartilhado
mutuamente entre os dois países, e muitos ajustes serão feitos a partir da realização
de estudos que definirão as atividades nesse sentido.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, disse que ele
e o ministro da Tecnologia e Informação da India, Pramod Mahajan, têm pressa na
realização desse trabalho bilateral. O Brasil produz mais que a Índia equipamentos de
informática, apesar daquele país ser "uma potência global no domínio geral da
tecnologia da informação", conforme lembrou Mahajan, destacando que seu país
considera muito importante um trabalho conjunto com o Brasil pela sua liderança no
Continente.
O know how da Índia em tecnologia da informação, conforme Mahajan,
desperta a atenção do mundo inteiro, sendo seus técnicos muito requisitados pelos
Estados Unidos, Japão, Alemanha e Cingapoura, que está interessada em receber 1500
profissionais indianos.
O Brasil já mantém acordo nesse sentido com a Índia desde 85 e que
entrou em vigor em fevereiro de 1990. O documento hoje assinado, no entanto, traça outros
rumos à cooperação bilateral, que receberá mais impulso a partir de 2001.
Mahajan disse que conversou com FHC sobre segregação digital, crimes
na Internet e da importância da participação do Brasil na evolução da tecnologia em
favor da informação, condição para acelerar o desenvolvimento dos países do terceiro
mundo. "Em se tratando do Brasil, disse o ministro indiano, o que pode fazer por seus
vizinhos no Continente é de fundamental importância".
O ministro Ronaldo Sardenberg afirmou que o Brasil terá muito mais
fôlego para expansão nessa área quando o Congresso aprovar a lei da informática, que
permitirá um aperfeiçoamento da legislação sobre o assunto, inclusive quanto à
questão fiscal. "Queremos que a informatização chegue às escolas, aos correios,
às bancas de jornais, aos quiosques, para que o cidadão comum também participe dessa
democratização da informação de que hoje é alvo a classe média", destacou.
(Lourenço Melo)