Brasília, 17 (Agência Brasil - ABr) - Há um evento que todo ano
ocupa o noticiário brasileiro: a seca do nordeste. Desde o início de nossa imprensa esse
é um tema recorrente. Assim como a seca, há muito tempo temos conhecimento de que a
região dispõe de grandes reservas de águas subterrâneas suficientes, senão para
resolver o problema da seca, pelo menos para amenizá-la.
Maranhão e Piauí, por exemplo, estão sobre a bacia sedimentar
Parnaíba, com volume de água estimado em 17,5 mil km³. Nesses estados, só há falta
d'água para aqueles que não conseguem explorar poços subterrâneos, seja por falta de
recurso ou de informação.
No Brasil, mais da metade da água de abastecimento público provêm
das reservas subterrâneas. Dadas as condições hidrogeológicas do país, as águas
subterrâneas têm a importância capital de recarregar a grande maioria dos nossos rios.
As águas subterrâneas estão contidas e movem-se lentamente pelos poros e fissuras de
rochas denominadas aqüíferos. São acumuladas principalmente a partir da infiltração
das águas das chuvas.
Em regiões de rocha sedimentar, caso de metade do território
nacional, as reservas de águas subterrâneas em geral são extensas, em função da
grande capacidade de absorção e armazenamento de água da chuva dessas rochas porosas.
Na região Nordeste predominam as rochas cristalinas, 70% do território. O cristalino é
extremamente impermeável, fazendo com que a água escorra para outros locais, deixando o
solo e o ar secos. Esse tipo de rocha ocorre no interior da maior parte dos estados
nordestinos, onde consequentemente o clima é mais árido. Entretanto, há vários pontos
de sedimento no meio do cristalino, que podem ser explorados para o abastecimento local.
Segundo os pesquisadores da área, o Brasil, apesar de possuir grandes
reservas hídricas de água doce, deve adotar medidas preventivas e corretivas a fim de
que suas águas superficiais e subterrâneas apresentem sempre padrões de potabilidade
adequados às necessidades de suas gerações futuras.
As águas subterrâneas são preferidas para consumo doméstico porque,
em geral, apresentam melhor qualidade que as superficiais. Mesmo considerando os gastos
para sua extração, o custo total é menor que o das águas superficiais que necessitam
de tratamento. No entanto, as águas subterrâneas também estão sujeitas à poluição e
à contaminação. A devastação da cobertura vegetal e o uso inadequado dos solos
contribuem para a diminuição das reservas hídricas.
Também a falta de planejamento e controle tornam os depósitos de
lixo, cemitérios, tanques de armazenamento de combustíveis, dentre outras, fontes
potencialmente poluidoras das reservas subterrâneas. Os próprios poços, quando
construídos fora das normas técnicas, se constituem em fontes de contaminação dos
aqüíferos. Contudo, os pesquisadores são unanimes em afirmar que os agentes
contaminantes de mais difícil controle e proteção são os fertilizantes e os
agrotóxicos.
Devido as interconexões dos corpos hídricos superficiais e
subterrâneos é necessário ter conhecimento pleno da ocorrência dos mananciais
subterrâneos. No país, as informações disponíveis sobre as águas subterrâneas são
ainda deficientes e dispersas. As pesquisas são poucas, descontinuadas e inconsistentes.
Os dados existentes estão espalhados pois, em sua grande maioria, foram gerados pela
iniciativa privada e não estão disponíveis à sociedade ou estão perdidos nos diversos
órgãos contratantes dos poços perfurados. (Hebert França)