
Satélite
mapeia raios ultravioleta sobre a atmosfera terrestre
Brasília, 22 (Agência Brasil - ABr) - No hemisfério sul o verão
começou oficialmente às 10h37 de ontem. Nessa estação, que dura três meses, é maior
a preocupação dos dermatologistas com relação aos perigos que as pessoas correm em
conseqüência de prolongados períodos de exposição ao sol. Os cuidados que as pessoas
devem tomar ao longo de todo o ano para se proteger dos raios solares nocivos à saúde
devem ser redobrados nessa época do ano, quando a maioria das pessoas está de férias e
muitas viajam para as praias e passam mais tempo nos clubes.
A desinformação é um dos fatores que mais contribuem para que as
pessoas se descuidem e acabem sofrendo seqüelas como câncer de pele e envelhecimento
precoce. Poucos sabem, por exemplo, que os raios ultravioletas emitidos pelo sol são
medidos e dispostos numa tabela de índice ultravioleta (IUV). Por meio dele é possível
saber a quantidade de raios ultravioleta do tipo B na atmosfera terrestre ao meio-dia
solar, horário em que o sol é mais forte e há maior concentração dos raios
ultravioleta sobre Terra.
Segundo o coordenador do Programa Nacional de Controle do Câncer da
Pele, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Marcus Maia, o IUV é um número que
permite saber a quantidade de raios ultravioleta que incidem sobre qualquer região do
planeta ao meio-dia solar. Esse índice é colhido pelo Departamento de Meteorologia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que o estuda em parceria com a SBD.
"O índice é obtido com o auxílio de um sensor chamado TOMS
(Total Ozone Monitoring Spectometer) que monitora a Terra a bordo do satélite EarthProbe,
da Nasa, medindo a quantidade de ozônio na atmosfera terrestre. O computador do
Departamento de Meteorologia da UFRJ capta as informações e calcula o IUV do dia, de
acordo com as coordenadas geográficas de cada lugar", explica Luiz Francisco Maia,
professor da UFRJ.
O IUV varia em uma escala de zero a vinte. Para medi-lo, não são
consideradas as nuvens. Para Luiz Maia, essa é uma das falhas do sistema de mensuração,
pois em dias encobertos a quantidade de raios ultravioletas que chega à atmosfera
terrestre é bem menor que nos dias ensolarados. Para contornar esse problema, os
pesquisadores já desenvolvem uma série de experimentos que estão em fase de análise.
Luiz Maia explica que, quando o céu está encoberto por nuvens espessas, a quantidade de
raios ultravioleta que chegam à superfície é menor porque elas atuam como um filtro,
absorvendo parte da radiação.
Um fator que foi considerado na elaboração do índice e das medidas
que a população deve adotar para se proteger do sol é o fototipo de pele. A SBD criou
uma tabela com seis tipos de gradação de pele, levando em consideração a cor. Isso
porque "as pessoas com pele mais clara têm menos pigmentação e menor resistência
ao UVB, enquanto as de pele mais escura apresentam maior resistência e, consequentemente,
podem passar mais tempo expostas ao sol", diz Luiz Maia.
Conhecendo esse índice é possível tomar as devidas precauções para
evitar os malefícios causados pelos raios solares. Porem, é preciso também conhecê-los
e saber como agem. Marcus Maia explica que os raios ultravioleta são parte da radiação
emitida pela luz do sol. Esses raios são classificados em três tipos: UVA, UVB e UVC.
"O UVA passa totalmente pela camada de ozônio e ocorre ao longo
de todo o dia. O filtro solar não faz nenhum efeito contra ele. Já o UVB é parcialmente
bloqueado pela camada de ozônio. Ele começa a chegar à Terra a partir das 9 horas. Ao
meio-dia solar, que varia de acordo com a localidade, atinge sua máxima intensidade e por
volta das 15 horas passa a ser contido pela camada de ozônio. Já o UVC, por sua vez, é
totalmente bloqueado", informa Marcus.
A radiação ultravioleta B provoca queimadura e pode causar câncer de
pele. O UVA também leva à doença, mas sua principal conseqüência é sobre o
envelhecimento da pele. Além da exposição excessiva a esses tipos de radiação, outros
fatores podem causar o câncer, como a diminuição da imunidade (acarretada por
transplantes renais ou cardíacos, ou por doenças como a Aids). Há ainda pessoas
propensas a manifestar o câncer da pele, embora esses casos sejam mais raros, alertam os
especialistas.
A doença pode ser detectada em seu estágio inicial por meio de
feridas que não cicatrizam, manchas escuras que mudam de forma, cor e tamanho. Ao
apresentar esses sinais, é importante procurar um médico. "Com o diagnóstico
precoce, é feita a cirurgia cuja porcentagem de cura é de 100%", revela Marcus.
A exposição ao sol é necessária para que ocorra a síntese da
vitamina D, que evita, entre tantos males, a osteoporose. Mas os médicos alertam que é
preciso tomar alguns cuidados como evitar os períodos entre as 10 horas e as 15 horas,
usar filtro solar de acordo com o seu tipo de pele e adotar outras proteções como roupas
claras e chapéu.
Além disso, é possível saber o índice ultravioleta
em diversos estados do país diariamente. Para isso, basta acessar
o site da UFRJ (www.ufrj.br), onde é possível encontrar a tabela
de fototipos elaborada pela SBD. Em seu site (www.sbd.org.br),
a SBD também oferece diversas informações sobre os raios ultravioleta.
(Monalisa Silva)
Veja os gráficos |