Brasília, 22 (Agência Brasil - ABr) - Com o início do verão, os
cuidados com a pele, em função do aumento da incidência de câncer, devem ser
redobrados. Algumas medidas podem ser tomadas para evitar a doença. Para os
especialistas, entretanto, é preciso primeiro identificar quem é suscetível ao mal.
Segundo os médicos, qualquer pessoa pode contrai-lo, porém,
indivíduos com certas características correm mais riscos. "Pessoas com pele, olhos
e cabelos claros, que sempre se queimam e nunca se bronzeiam, ruivos e sardentos,
indivíduos que se expõem ao sol com freqüência entre as 10 horas e as 15 horas, ou
aqueles com histórico de câncer de pele na família têm maior probabilidade de
apresentar a doença", explica Ciro Festa Neto, coordenador do Departamento de
Oncologia Cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
O câncer de pele é mais comum em pessoas de epiderme clara, porque
elas têm menor quantidade do pigmento melanina, que provê a proteção natural. Mas isso
não significa que as pessoas com pele escura não desenvolvam a doença. "Na
verdade, é preciso uma predisposição do indivíduo relacionada a um co-fator, no caso o
sol, agindo no DNA das células, favorecendo a que se modifiquem e criem um tumor",
afirma Ciro Neto.
A doença se manifesta de diversos modos. Existem três tipos mais
comuns de câncer cutâneo: Carcinoma Basocelular, considerado o menos grave, Carcinoma
Espinocelular, de gravidade intermediária e o Melanoma, o mais grave. Os médicos são
unânimes na afirmação de que todos os tipos têm cura, desde que diagnosticado
precocemente.
O carcinoma basocelular é a forma mais comum dessa enfermidade e
apresenta, como características típicas, ferida que sangra facilmente, forma secreção
e crostas, e não se fecha, após período que varia de três a quatro semanas; placa
avermelhada ou área irritada que pode ser acompanhada por descamação mais freqüente no
tórax, ombros, braços ou pernas; crescimento elevado com bordas brilhantes, como a
superfície de uma pérola, ou translúcida de coloração rósea, vermelha ou branca; uma
área semelhante a uma cicatriz branca, ou amarelada, que não se consegue visualizar suas
bordas e tem crescimento contínuo.
Já o carcinoma espinocelular é o segundo mais freqüente e pode
afetar outros órgãos além da pele. Quando começa a se manifestar, pode ser reconhecido
por alguns sinais como uma pequena placa vermelha com descamação na superfície, bordas
irregulares e, em alguns casos, crostas e sangramento, crescimento elevado com depressão
central que pode sangrar, crescimento que se assemelha a uma verruga com crostas que,
ocasionalmente, apresenta sangramento e uma ferida que sangra e persiste por semanas.
O melanoma é considerado o mais grave dos tumores cutâneos. De acordo
com Ciro Neto, pode aparecer na pele ou sobre uma pinta já existente. Se diagnosticado
cedo, pode ser totalmente curado. Se não for tratado, penetra camadas mais profundas da
epiderme e pode expandir-se para outros órgãos causando a morte. Esse tipo de tumor pode
ser detectado ao se observar aumento de tamanho de pintas, sardas e manchas, tornando-as
elevadas, assimétricas e irregulares. Elas também mudam de cor, podendo ficar mais
claras ou escuras. Portanto, para diferenciar as lesões malignas e benignas, é preciso
ficar atento à assimetria, às bordas, à cor e ao diâmetro das mesmas.
O dermatologista da SBD, Omar Lupi, afirma que, nos negros, o melanoma
ocorre em pés e mãos. Ao notar a lesão é fundamental procurar ajuda. O tratamento
normalmente é cirúrgico para todos os tipos de câncer da pele. Porém, a prevenção
ainda é a melhor forma de combater tumores cutâneos. "Quem faz parte do grupo de
risco deve fazer o auto-exame" alerta Ciro Neto. Além disso, todas as pessoas devem
adotar medidas preventivas como evitar o sol entre as 10 horas e as 15 horas, usar filtro
solar e chapéus e, se possível, permanecer em locais com sombra nos horários em que o
índice de radiação ultravioleta é maior. (Monalisa Silva)