Brasília, 22 (Agência Brasil - ABr) - De toda água existente no
mundo, apenas 1% é potável, representado pelos lençóis subterrâneos, rios e
reservatórios. Os outros 99% não estão disponíveis para o consumo humano direto, uma
vez que, dessa totalidade, 97% corresponde à água salgada e 2% a geleiras. No Brasil,
concentram-se 8% da água doce existente na Terra, sendo que 80% desse volume está na
região Amazônica. Os 20% restantes atendem 95% da população, o que indica a má
distribuição de água no país.
Diante desse quadro, a água tornou-se uma preocupação para a
sociedade de todos os países, pois sua escassez não é mais vista como um mito. Sabendo
da importância da água, é preciso conscientizar a todos de que esse recurso é um bem
finito e vulnerável (sujeito a contaminação), para que sua utilização seja feita de
forma racional. Todavia, essa não deve ser uma inquietação só dos usuários. Governos
e entidades não-governamentais também devem se mobilizar em torno da preservação e
gerenciamento sustentável das reservas hídricas.
Na América Latina, o Brasil é contemplado com a maior das reservas de
água disponíveis. Segundo o geólogo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ),
Eurico Zimbres, a água subterrânea representa 97% do total bom para consumo humano.
Parte desse volume é abrigada pelo aqüífero Guarani. Sedimentado, segundo cálculos
geológicos, há 188 milhões de anos, mas só estudado de forma não sistemática até
hoje, esse verdadeiro mar subterrâneo abrange uma área de 1.182.000 Km².
Apesar disso, de acordo com Zimbres, as informações disponíveis
sobre água subterrânea ainda são deficientes. "Pouco se fala e quando se fala,
quase sempre a informação vem recheada de conceitos errados, inclusive nos livros
didáticos que são usados nas nossas escolas".
Grande parte do abastecimento público em nosso país é proveniente de
águas subterrâneas. Cidades como Presidente Prudente e Ribeirão Preto, em São Paulo,
já são abastecidas, inclusive, pelo aqüífero Guarani, apesar de serem norteadas por
rios. O que acontece, a exemplo dessas duas cidades, é que os rios são, em sua maioria,
poluídos, não sendo aproveitados para o consumo doméstico. Aliás, a vantagem das
águas subterrâneas em relação às superficiais é que estas apresentam qualidade
inferior, por estarem sujeitas aos constantes processos degradadores, além de
necessitarem de tratamento.
No entanto, as águas subterrâneas também são vulneráveis. Formadas
a partir da chuva que se infiltra no solo e se deposita nos poros das rochas, elas são
mais resistentes, pois a camada de solo sobrejacente atua como filtro físico e químico.
Mesmo assim, não escapam à poluição, não raras vezes provocadas pela atividade
humana. A má utilização do solo, bem como o uso de agrotóxicos e o desmatamento são
uma das causas que levam à contaminação dos lençóis freáticos.
"Na medida que hoje se tem como ideal o uso sustentado do meio
ambiente, torna-se extremamente importante que um grande número de perguntas tenham
respostas satisfatórias, o que só se conseguirá com investimentos em pesquisas
técnicas e científicas", explica Zimbres. Uma das respostas para esta questão
seria o projeto de proteção ambiental e gestão sustentável do aqüífero Guarani, que
abrange o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai.
Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), por intermédio da
Secretaria de Recursos Hídricos, esse projeto tem como objetivo apoiar esses países na
elaboração e implementação de uma estrutura institucional para o gerenciamento e a
preservação do aqüífero, tendo em vista as gerações atuais e futuras. (Isadora
Lionço)