Brasília, 22 (Agência Brasil - ABr) - O aqüífero Guarani já é
estudado desde o início do século por empresas e universidades brasileiras. No entanto,
a necessidade de se preparar um projeto, com vistas ao gerenciamento e desenvolvimento
sustentável do aqüífero, surgiu a partir de investigações conjuntas realizadas pelas
universidades dos países envolvidos - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A iniciativa
nacional de promover esse plano, considerando os aspectos institucionais, ambientais,
energéticos, entre outros, foi então aceita pelos outros três países, assim como pela
Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo Banco Mundial (Bird).
No início deste ano, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF)
aprovou a Proposta para Fundos de Desenvolvimento do Projeto (PDF), que abriga aspectos
técnicos e conceituais; o arranjo institucional (CSPP - Conselho Superior de Preparação
do Projeto), que estabelece os interesses dos países membros; e os fundos orçamentários
da proposta do Projeto Aqüífero Guarani (PAG). Nessa fase de preparação, foram
destinados aos estudos US$ 741 mil, sendo que US$ 350 mil foram doados pelo GEF, US$ 341
mil pelos governos dos países envolvidos e US$ 50 mil da OEA.
Esse financiamento é aplicado nas atividades principais, como estudo
das características hidrotermais do Sistema Aqüífero Guarani e de suas potencialidades,
fortalecimento da participação da sociedade civil, bem como na coordenação e
comunicação internacional e melhoramento da capacidade técnico-operativa para a
preparação do projeto. Além destas, as atividades se centraram na expansão do
conhecimento básico do aqüífero, em permitir a participação pública por meio de
informações apropriadas, na monitoração e avaliação da situação do sistema
aqüífero e na execução de medidas que evitem a contaminação do manancial.
O PAG, que tem seus estudos conduzidos pela Unidade Nacional de
Preparação do Projeto (UNPP) de cada país e pelas Unidades Estaduais de Preparação do
Projeto (UEPPs) dos oito estados brasileiros envolvidos - Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo -, está em
fase final de elaboração. "Até o final do mês, com os termos de referência
concluídos, estabeleceremos os estudos que serão feitos no que diz respeito à
metodologia do ponto de vista dos aspectos básicos, legais e institucionais",
garante Luiz Amore, coordenador técnico do projeto no Brasil.
Em janeiro, o projeto será submetido à aprovação do GEF. O custo
total de sua execução, prevista para quatro anos, está entre US$ 10 milhões e US$ 14
milhões, além dos US$ 5 milhões a US$ 11 milhões provenientes dos governos dos países
envolvidos. Os custos elevados, segundo observam os técnicos, se devem ao fato de que o
Guarani é um aqüífero confinado, profundo e de dimensões enormes, tornando qualquer
atividade de pesquisa cara.
Nestas condições, a pesquisa deve ser atrelada às atividades de
desenvolvimento das diferentes funções que poderá desempenhar o aquífero, tais como:
função produção, função filtro ou de tratamento, função transporte, função
energética, função banco de água, entre outras. Também faz parte das ações o
controle da extração das águas quentes, visando ao desenvolvimento sustentado da
região.
O objetivo do PAG também é proteger e aprofundar os conhecimentos
sobre toda a complexidade do Guarani. As características geofísicas, hidrológicas,
geoquímicas e termais do sistema hidrológico ainda estão longe de serem bem conhecidas,
conforme se atesta no próprio plano. Da mesma maneira, as vulnerabilidades em relação
à contaminação só são identificadas nas regiões de recarga (onde ele aflora), ou
onde os poços já foram registrados. Com a execução do PAG, será estudada a
interrelação do Guarani com os sistemas superficiais, pouco conhecidos, bem como a
perfuração de poços, que muitas vezes não é registrada. (Isadora Lionço)