Reservatório de água em oito estados é de 840 mil Km²

 

Brasília, 22 (Agência Brasil - ABr) - Denominado Aqüífero Guarani em homenagem à nação indígena que, no início do período colonial, habitava a região onde ele se encontra, esse reservatório subterrâneo de água doce é um dos maiores do mundo. Formado por sedimentos fluvi-lacustres do Triássico - Formações Pirambóia e Rosário do Sul no Brasil, Buena Vista no Uruguai - e sedimentos eólicos desérticos do Jurássico - Formações Botucatu no Brasil, Misiones no Paraguai e Tucuarembó no Uruguai e Argentina, este sistema abriga duas unidades litoestratigráficas (camadas de rocha).

A sua área total ainda não é conhecida, mas, segundo cálculos geológicos, seu volume é estimado em 45.000 Km³. De acordo com pesquisas, dos oito estados brasileiros que abrangem o aqüífero, o Mato Grosso do Sul detém a maior área com 25,5%, seguido do Rio Grande do Sul com 18,8%, São Paulo com 18,5%, Paraná com 15,6%, Goiás e Minas Gerais com 6,5% e 6,1% respectivamente, Santa Catarina com 5,9% e Mato Grosso com 3,1%. Isso totaliza 840 mil Km². Da extensão completa de 1,2 milhões de Km² que o Guarani compreende, 225 mil Km² concentram-se na Argentina, 71 mil Km² no Paraguai e 58 mil Km² no Uruguai.

O aquífero faz parte da Bacia Sedimentar Paraná-Chaco, localizada no Centro-Leste da América do Sul. Os sedimentos acumulados nesta bacia geológica são datados do Período Siluriano, há 440 milhões de anos, depositados na Bacia Sedimentar do Paraná até o Cretáceo Superior, há 70 milhões de anos, com depósitos acumulados na Bacia Sedimentar do Chaco. A extensão atual da Bacia Sedimentar do Paraná é da ordem de 1,6 milhão de Km², sendo 1 milhão de Km² no Brasil, 400 mil Km² na Argentina, 100 mil de Km² no Paraguai e 100 mil de Km² no Uruguai.

Esse reservatório é do tipo confinado em cerca de 90% da sua extensão, o que lhe confere uma característica de artesianismo. Em alguns locais, produz poços jorrantes. "Nele já foram perfurados poços que fornecem 500 m³ de água por hora", diz o geólogo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Eurico Zimbres.

O conhecimento hidrogeológico do aqüífero no Brasil está baseado em cerca de 300 poços profundos. Entretanto, são insuficientes e mal distribuídos, estando concentrados no estado de São Paulo. Em sua maioria, os poços são aproveitados para abastecimento público de cidades, o que não impede a utilização da água subterrânea quente em atividades de recreação. Zimbres lembra que a captação por poços requer cuidados, como "a produção segundo a demanda, controle mais barato e efetivo da qualidade bacteriológica da água, captação mais profunda e longe da influência das águas rasas".

O confinamento do aqüífero também determina o termalismo na maior parte da área. "Em alguns locais, a água chega a 50 graus", diz Zimbres. Mas, segundo o coordenador do Projeto Aquífero Guarani (PAG), Luiz Amore, já se detectaram localidades onde a água atinge 85 graus. "Em algumas partes onde ele aflora, a água chega a sair quente", explica Amore. Esse fenômeno é influenciado pelo grau geotérmico do local, em média 1° C mais quente a cada 30 m, o que implica dizer que quanto mais profundo o aqüífero, mais alta sua temperatura.

A população atual da área de ocorrência desse reservatório é estimada em 15 milhões de habitantes. Uma utilização de 25% das suas recargas só no Brasil, o que corresponde a 166 Km³/ano, daria para abastecer o consumo total de uma população superior aos 15 milhões da área, com uma taxa de 2000 m³/ano per capita, sem considerar os usos hidro-termais. No entanto, o funcionamento hidráulico do aqüífero é bastante complexo devido às descontinuidades geológicas, como falhas e arqueamentos. Mas, de acordo com Zimbres, "para que a água atinja grandes profundidades é necessário que encontre descontinuidades nas rochas", o que confirma a necessidade de gerenciamento disciplinado dos recursos hídricos e do meio ambiente. (Isadora Lionço)

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