Agrotóxicos são a maior ameaça às águas subterrâneas

 

Brasília, 22 (Agência Brasil - ABr) - A deposição de resíduos urbanos e industriais sem tecnologia adequada, bem como a aplicação descontrolada de insumos químicos na agricultura, constituem fontes de contaminação das águas subterrâneas em geral. O maior alcance social e econômico das águas do aquífero Guarani, em particular, resulta do fato delas poderem ser aproveitadas sem necessitar de tratamento prévio, devido aos mecanismos de filtração e autodepuração biogeoquímica que ocorrem no subsolo. Este funciona como um reator fisico-bio-geoquímico, o que proporciona uma purificação das águas subterrâneas muito além do que se poderia obter pelos métodos usuais de tratamento da água que é captada de rios, por exemplo.

As águas subterrâneas estão melhor protegidas dos agentes poluidores, pelo fato de ocorrerem sob uma espessura de material rochoso não saturado. Dessa maneira, o aquífero Guarani se torna uma importante alternativa de abastecimento humano, além de ser uma solução mais barata. Embora as águas subterrâneas estejam mais protegidas que as superficiais, a falta de conhecimento sistêmico das condições de uso e proteção dessas águas, constitui fator limitante à viabilização de alternativas para seu uso sustentável. Além disso, como alguns poços são perfurados sem tecnologia adequada e sem controle, os riscos de contaminação são ampliados.

"O Guarani pode ser atingido por fontes poluidoras, principalmente por agrotóxicos, dos quais o atrazine é um dos mais prováveis. Esta contaminação poderá penetrar no aquífero pelas áreas onde ele aflora e que estão nas bordas da Bacia Sedimentar do Paraná e que coincide com o importante cinturão verde de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, entre outros", lembra o geólogo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Eurico Zimbres. Ele ainda recorda que as características químicas das águas subterrâneas refletem os meios por onde percolam, ou seja, pelos quais são filtradas naturalmente, guardando uma estreita relação com os produtos das atividades humanas adquiridos ao longo do seu trajeto.

A água tem uma relação vital com a saúde. "Existem padrões muito bem conhecidos entre incidência de moléstia no homem, com abundância ou deficiência de elementos maiores, menores e traços no meio ambiente, particularmente nas águas", argumenta Zimbres. Exemplos são a relação entre o bócio (hipertrofia da tireóide) e a deficiência em iodo, anemias e nanismo e as deficiências em zinco, cáries dentárias e a deficiência em flúor, entre outros. Zimbres explica que o relacionamento entre o teor dos elementos e substâncias químicas e a saúde do homem pode ser dificultado por questões relativas à mobilidade e à dispersão destes elementos e substâncias, governadas pelos princípios da geoquímica das águas subterrâneas e superficiais.

Uma boa parte das águas do aqüífero Guarani é mineral. Águas minerais são aquelas que, por sua composição química, são consideradas benéficas à saúde. No entanto, toda água natural, por mais pura que seja, tem um certo conteúdo de sais. As subterrâneas, por sua vez, são especialmente enriquecidas em sais retirados das rochas e sedimentos por onde percolam muito vagarosamente.

Segundo Zimbres, durante muito tempo, acreditou-se que as águas minerais tinham uma origem diferente da água subterrânea. Sabe-se hoje, contudo, que ambas têm a mesma origem, são águas de superfície que se infiltraram no subsolo e que estão sujeitas à contaminação. (Isadora Lionço)

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