Selim de bicicleta pode deixar atleta impotente

 

Brasília, 24 (Agência Brasil - ABr) - Diversos estudos clínicos já foram realizados com o objetivo de se verificar se o selim das bicicletas causa ou não impotência sexual, no entanto, ainda não se chegou a uma conclusão. O selim tradicional, mais largo e com uma projeção frontal, seria o causador de problemas como a impotência sexual, mas há quem discorde, como o médico e professor de anatomia humana da Universidade Católica de Brasília (UCB), Jordano Pereira Araújo.

Segundo ele, a questão está no tempo em que o atleta dispensa ao treinamento, não sendo este um fator que atinge a maioria das pessoas que utiliza a bicicleta mais para lazer. "Deve-se salientar que o risco de disfunção erétil só existe em pessoas que passam horas sobre a bicicleta, ou seja, o atleta. Na população em geral, que a usa com fins recreativos, esse risco inexiste", garante o médico.

De acordo com Jordano, o que provoca a disfunção erétil nos ciclistas é a compressão do períneo, região pela qual passam os nervos que inervam o pênis. "A longo prazo, pode ocorrer a destruição dos nervos que são responsáveis pelo mecanismo de ereção", explica. A disfunção erétil pode ser causada tanto pelo uso de bicicletas comuns quanto pelas ergométricas, bastante utilizadas nas academias de ginástica. O segredo para evitar problemas, indica o médico, está em apoiar as nádegas e não o períneo sobre o selim. Assim se evita acumular pressão sobre os nervos. Além disso, o atleta deve também evitar períodos prolongados de exercícios.

O alerta está para o fato de que a disfunção erétil pode ser temporária ou definitiva. Durante períodos com alta carga de treinamento, o atleta está sujeito a doença. Como o treinamento forçado ocupa geralmente a fase em que o atleta é jovem o problema na maioria das vezes é reversível. O médico da UCB explica que a irreversibilidade da lesão é verificada nos atletas em final de carreira, fase em que o risco de apresentar a doença é de 3 a 4 vezes maior que nas outras pessoas de modo geral. Segundo Jordano, entre os atletas profissionais, o risco de disfunção erétil definitiva é de 5% a 10%.

Todavia, engana-se quem pensa que esse é um problema só dos homens. Nas mulheres atletas são detectadas infecções genital e urinária, cujos sintomas são ardência e a necessidade de ida freqüente ao banheiro. A causa está no atrito da região com o selim e no excesso de exercício no aparelho.

Por trás do selim inadequado, ou do volume de treino, está a ansiedade de alguns desportistas que têm um nível exacerbado de exigência sobre o seu corpo. Isso leva a pessoa a acreditar que somente por meio de esforço físico e esgotamento muscular é possível atingir bons resultados e superar metas. Entretanto, essa postura pode desembocar em problemas que, a longo prazo, se tornam irreversíveis. (Isadora Lionço)

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