Brasília, 24 (Agência Brasil - ABr) - A ilha de Fernando de Noronha
é um grande laboratório para a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde
alunos têm aulas práticas e professores realizam estudos. Em compensação, os moradores
ganham com a consultoria gratuita dos professores. As áreas de atuação são
zootécnica, turismo, meio ambiente.
Os estudos são fruto de um convênio entre a instituição e a
administração da ilha, feita pelo governo de Pernambuco. Por meio dele, a UFRPE presta
serviços à comunidade e desenvolve projetos de pesquisa. Hoje, o projeto mãe consta de
censo e controle pecuário dos rebanhos da ilha, controle da leucena (forrageira que virou
planta invasora), extensão pesqueira (beneficiamento e curso de manuseio do pescado),
implantação da avicultura e horticultura orgânica, turismo eqüestre e capacitação de
pousadeiros.
De acordo com a coordenadora dos projetos, Helena Emilia Costa, estão
em processo de avaliação dois projetos, um para o beneficiamento de leite e derivados e
outro para fabricação caseira de detergentes. Toda proposta necessita de uma visita para
diagnóstico de viabilidade. Sem isso, afirma a professora, não há como a universidade
definir o que é prioritário.
Os projetos não têm uma linha de financiamento. Parte dos gastos,
como as passagens e estadia são pagos pela administração da ilha e o restante fica por
conta da UFRPE. "É um dinheiro que não se vê, não há salários extras para os
professores, por exemplo, e, quando usamos remédios, como é no caso da vermifugação do
rabanho, usamos patrocínio", conta.
Um dos estudos que já apresenta resultados é sobre a possibilidade da
construção de um matadouro. O único que havia foi fechado porque funcionava em
péssimas condições sanitárias, com os animais abatidos até mesmo junto às árvores.
Um técnico da UFRPE realiza levantamento técnico para a construção de um outro
matadouro, dentro de padrões ótimos.
Na segunda quinzena de janeiro, técnicos da universidade farão outra
visita à Fernando de Noronha para a Semana de Atualização Zootécnica. Com isso, os
moradores terão aulas sobre a produção de feno, castração de animais e
vermifugação. Tudo é feito segundo as necessidades da população, por isso o tema da
reunião contêm esses itens. "Os criadores de gado se mostraram interessados em
aprender sobre castração porque não é bom o aumento desordenado de animais",
observa a professora.
Para Helena Emilia, o mais importante do convênio não é só a
vivência da prática que se permite ao aluno e o acesso a um laboratório ao ar livre
para o pesquisador, mas acima de tudo o cumprimento do papel social da universidade.
"Trabalhamos em prol da ciência, e cumprimos nossa função social de colaborar para
a melhoria de vida das pessoas", registra. Além do estudos, a UFRPE desenvolve ainda
eventos em datas comemorativas para levar turistas à ilha no período de baixa temporada
e também para a integração dos ilhéus. Um desses eventos é a vaquejada, realizada no
dia de São João, 24 de junho. (Lana Cristina)