Nascem em dezembro os primeiros gêmeos gerados em "barriga de aluguel", de Ribeirão Preto

 

Brasília, 24 (Agência Brasil - ABr) - Os primeiros bebês gerados em útero substitutivo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP), no interior paulista, devem nascer no início de dezembro. O método, conhecido como "barriga de aluguel", é permitido por lei, desde que a doadora do útero tenha parentesco de primeiro ou segundo graus com a mãe biológica da criança.

O procedimento adotado foi a técnica de fertilização in vitro, na qual se recorre a micromanipulação dos espermetazóides do pai com os óvulos da mãe. Para se ampliar as chances de fecundação, a ovulação foi induzida por meio de medicamentos. Após a concepção, o embrião foi transferido para o útero da mãe de aluguel, irmã da paciente, que teve o útero preparado clinicamente para receber um feto. Nesse caso, dois óvulos foram fecundados resultando na gravidez de gêmeos.

Antes de iniciar o tratamento, psicólogos entrevistaram familiares dos pais biológicos e da mãe de aluguel. Segundo a médica Rosana Reis, que acompanha a gravidez, as famílias são muito bem estruturadas, tanto que dispensaram o acompanhamento psicológico ao longo da gestação. Ficou estabelecido que a mãe biológica assistirá ao parto e a de aluguel não amamentará as crianças. Rosana afirma não está planejado o acompanhamento psicológico para as crianças na fase de crescimento.

A médica garante também não haver riscos nesse tipo de procedimento. "Os riscos para a mãe de aluguel e para os bebês são os mesmos de uma gestação normal de gêmeos". Rosana explica que para realizar o tratamento, previamente submete-se todas as pessoas envolvidas no processo a uma minuciosa entrevista. A documentação exigida é checada com cuidado e os aspectos psicológicos são considerados.

Essa é a primeira experiência desse tipo realizada pelo HC-FMRP, mas Rosana acredita que, desde que outros casais atendam aos pré-requisitos exigidos para realizarem o tratamento, é possível efetuá-lo novamente.

O Sistema Único de Saúde (SUS) financia parte do tratamento e a outra parte é doada por órgãos como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Fundação de Apoio de Ensino, Pesquisa e Assistência (Faepa), instituição criada e mantida com o dinheiro dos professores, médicos e funcionários da faculdade.

Além do útero substitutivo, outras pesquisas são realizadas pelo setor de reprodução humana do hospital, inclusive estudos sobre reposição hormonal voltados para a terceira idade. As outras linhas de pesquisa do setor são: Interações metabólicas, moleculares e imunológicas dos esteróides sexuais; Controle neuroendócrino da ovulação e da anovulação crônica, ambiente endócrino e intrácrino do fluído folicular; Esteroidogênese in vitro da célula da granulosa e Mecanismo de interação gamética e implantação embrionária de mulheres inférteis. (Monalisa Silva)

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