Brasília, 24 (Agência Brasil - ABr) - A partir de 2001 o Ministério
da Agricultura e do Abastecimento (MAA) inicia o credenciamento das entidades
certificadoras de produtos orgânicos, por meio de um colegiado nacional formado por
representantes do governo e de organizações não governamentais que atuam na área de
agricultura ecológica. O credenciamento será dado a partir da ação de colegiados
estaduais encarregados de verificar se a entidade certificadora atende a todos os
requisitos fixados pelo MAA. Até agora, nove estados das regiões Sul e Sudeste já
contam com os colegiados estaduais.
O colegiado nacional será coordenado pelo assessor da secretaria de
Defesa Agropecuária, Rogério Pereira Dias, e conta com representantes dos ministérios
do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária
e Embrapa. Hoje, qualquer entidade pode ser certificadora de produtos orgânicos sem o
credenciamento oficial do MAA. Entretanto, desde maio de 1997, essas empresas passaram a
trabalhar em consonância com a Instrução Normativa nº 07, que estabelece os
procedimentos para produção, transporte e comercialização de produtos orgânicos
vegetais e animais no país. Rogério Dias esclarece que a certificação oficial dá ao
consumidor as garantias de que o produto obedece a todos os critérios que o classificam
como orgânico, de acordo com as normas e diretrizes do Codex Alimentarius da
Organização Mundial do Comércio (OMC). "Nós elaboramos as regras de forma a
atender as exigências do mercado e visando o cumprimento dos requisitos para
exportação. Isso permitirá que o Brasil também possa exigir o mesmo padrão de
qualidade para importar, favorecendo o comércio", ressalta Dias.
Outra vantagem da certificação, segundo o assessor, é a aceitação
dos produtos orgânicos nas grandes redes de supermercados. "Os estabelecimentos
terão a certeza de estar vendendo um produto confiável do ponto de vista da produção e
da qualidade". Além disso, o documento facilitará o acesso ao crédito por parte
dos produtores. Embora o governo tenha aberto uma linha de crédito específica para
produtos orgânicos, há dificuldades em identificar o produtor que realmente atua de
acordo com as regras. A partir da certificação, o financiamento sairá mais rápido,
inclusive o governo poderá dimensionar o número de produtores e o volume de recursos
negociado, o que hoje não é possível.
Dias aponta que entre os princípios que identificam um sistema de
produção orgânica está a restrição ao uso de agrotóxicos e fertilizantes
sintéticos. "Nem sempre um produto livre de agrotóxicos é um produto
orgânico", explica. Além disso, a propriedade deve obedecer a vários critérios
nas técnicas de manejo, como a garantia do bem-estar do animal, a preservação dos
recursos ambientais, respeito à biodiversidade e a proibição ao uso de organismos
geneticamente modificados (OGM).
Outra característica é que a propriedade deve ter o máximo de
autonomia em relação a recursos externos, como a redução do consumo de energia
elétrica. Para que um produto obtenha a certificação, todo esse processo será
avaliado. "Existe hoje um desconhecimento muito grande da população em relação a
orgânicos. Nós queremos dar ao consumidor a oportunidade de poder optar por um produto
que obedeceu a um criterioso processo até chegar ao ponto de venda," conclui Dias.